Economia manteve-se bastante negativa no terceiro trimestre

Publicado em 02/10/2020 23:13 em Análise económica

A situação económica em Portugal deverá ter-se mantido bastante negativa no terceiro trimestre, de acordo com a análise dos indicadores divulgados na última semana e da pesquisa de outros elementos económicos.

Os organismos de informação estatística, nomeadamente o INE, enfrentam limitações na recolha de informação, que têm nalguns casos procurado ultrapassar com inquéritos rápidos, que fornecem uma indicação menos rica mas mais precoce.

Em relação às matrículas de veículos novos já há informação da ACAP – Associação Automóvel de Portugal para todo o terceiro trimestre, que revela uma queda de 11,9% nas vendas de viaturas no período Julho/Setembro quando comparado com os mesmos meses de 2019, um ano em que se tinha verificado um recuo de 2,1% das vendas em relação a 2018.

No terceiro trimestre as vendas de ligeiros baixaram 12,4%, com queda de 10,7% nos automóveis ligeiros de passageiros e de 23,4% nos ligeiros de mercadorias, e um aumento de 4,5% nas vendas de veículos pesados.

Nos dois primeiros meses do trimestre, as vendas do comércio a retalho baixaram 5,3% homólogos no bimestre Julho/Agosto, com redução de 1,0% na alimentação, bebidas e tabaco e queda de 9,0% nas vendas retalhistas de produtos não alimentares.

O Inquérito de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores, do Instituto Nacional de Estatística, revela um agravamento no indicador de confiança no comércio a retalho, que piorou no subsector grossista e se desagravou no retalho, ainda com valores claramente negativos e significativamente abaixo de período homólogo.

No inquérito de Setembro, os empresários do comércio avaliam de forma um pouco menos negativa o volume de vendas nos últimos três meses, mas estão pessimistas quanto às perspectivas de actividade nos próximos três meses.

No período Julho/Agosto, comparando com o mesmo período do ano passado, as dormidas no alojamento turístico reduziram-se 56,3%, com quebra de 12,8% nos residentes e de 78,0% nas dormidas de estrangeiros, de acordo com dados do INE.

Sobre o número de hóspedes em Agosto, a estimativa rápida do INE apenas estima que terão recuado mais de 43%, depois de em Julho terem caído 64%.

Os dados do INE indicam que mais de um quinto dos estabelecimentos de alojamento turístico estiveram encerrados ou não tiveram qualquer movimento em Agosto, uma melhoria face à percentagem de 27,8% registada em Julho.

No mesmo bimestre Julho/Agosto, considerando dados brutos, a produção industrial recuou 5,7%, com queda de 5,2% nas indústrias transformadoras. A produção de bens de consumo baixou 4,5% e a de bens de investimento 10,3%, segundo cálculos com base em dados do INE.

O indicador de confiança nas indústrias transformadoras tornou-se mais negativo em Setembro, com as apreciações sobre a procura global actual a apresentar um pequeno desagravamento (apesar de ter ficado em menos 43,9) mas as perspectivas de produção nos próximos 3 meses a agravarem-se claramente.

O consumo de electricidade, em dados brutos, manteve-se praticamente inalterado em Julho, com o consumo doméstico a crescer 18,5%, tendência que tem sido associada ao aumento da expressão do trabalho remoto, na a agricultura e pescas a aumentar 2,1%, enquanto o consumo de energia eléctrica caía 2,3% na indústria, 9.0% nos transportes e 13,2% nos serviços, de acordo com a Direcção-geral de Energia e Geologia (DGEG).

Considerando a correcção do consumo de energia pelos dias uteis e temperaturas, o consumo de energia eléctrica teria caído 3,5% em Julho,

Em Agosto, o consumo de electricidade em Portugal voltou a praticamente estabilizar, com um crescimento homólogo marginal de 0,1%, com o consumo doméstico a aumentar 8,9% e com recuos nos principais sectores de actividade: -0.3% na indústria, que tem normalmente um consumo menor em Agosto, menos 6,7% nos serviços, menos 6,9% nos transportes e menos 0,1% na Agricultura e Pescas, segundo a DGEG.

A DGEG estima que o Consumo Final de Energia (CFE), que inclui a electricidade, gás natural e derivados do petróleo, tenha baixado 10,5% homólogos tanto nos sete, como nos oito primeiros meses de 2020.

Uma estimativa rápida para Setembro, da DGEG, indica que o consumo total de electricidade se reduziu 0,2% no mês passado (menos 1,6% em dados corrigidos).

O indicador de confiança dos consumidores piorou em Setembro, comportamento explicado pela evolução desfavorável das apreciações sobre a situação financeira do agregado familiar nos últimos e nos próximo 12 meses e das perspectivas futuras da situação financeira, assim com da situação económica do país nos próximos 12 meses, tendo como única evolução favorável as perspectivas de realização de compras importantes, que, ainda assim, está em menos 32,9.

O Indicador de Clima Económico, do INE, melhorou em Setembro mas mantém-se ligeiramente negativo.

Fernando Valdez

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