Aumentou em Maio proporção de empresas a trabalhar de facto

Publicado em 19/05/2020 16:46 em Economia Geral

A proporção de empresas a trabalhar efectivamente na primeira quinzena de Maio aumentou para 90%, que compara com 84% na segunda quinzena de Abril, segundo o inquérito rápido do INE e Banco de Portugal sobre as consequências do Covid-19 nas empresas.

No inquérito das duas instituições, que passou de semanal a quinzenal, com introdução de algumas perguntas novas, o sector do comércio, onde as restrições diminuíram com o fim do estado de emergência, teve o maior aumento, de 84% na última metade de Abril para 92% de lojas a trabalhar na primeira quinzena de Maio.

No alojamento e restauração a situação era significativamente mais grave na primeira quinzena de Maio, com metade das empresas temporariamente fechadas e uma em cada vinte definitivamente encerrada.

Mais de três em cada quatro (77%) empresas reportam um impacto negativo da pandemia no seu volume de negócios e face à segunda quinzena de Abril a grande maioria aponta ou para uma estabilização (41%), ou para uma variação pequena (41%, dos quais 22% apontam para ligeiro aumento e 19% para ligeira diminuição), com 19% a dizerem que a Covid-19 não teve impacto e 4% a referirem um impacto positivo.

No sector do alojamento e restauração 97% das empresas indicaram uma redução da facturação, sendo que 72% indicaram em Maio uma queda superior a 75%, o que compara com 69% na segunda quinzena de Abril. A segunda actividade mais afectada foi a de transportes e armazenagem, com 86% a apontar diminuição de facturação.

A área menos afectada foi a construção e actividades imobiliárias, em que apenas 63% referiu queda de receitas.

Nas empresas industriais o principal factor de queda da facturação foi a redução da procura e no comércio o principal factor de melhoria foi o alívio das medidas de contenção.

Metade das empresas indicaram reduções do pessoal ao serviço efectivamente a trabalhar na primeira metade de Maio, menos 8 pontos percentuais (PP) do que na quinzena anterior, mas 70% (que representam 59% do pessoal) não reportou alteração entre os dois períodos, sendo que 18% indicaram um aumento e 12 % uma descida.

No comércio, 22% das empresas, que representam 31% do pessoal, indicaram um aumento efectivo do pessoal ao serviço entre os dois períodos em referência.

No alojamento e restauração, mais de quatro em cada cinco (82%) empresas indicam uma diminuição do pessoal a trabalhar efectivamente e em 53% a redução é superior a 75% do pessoal ao serviço.

Nos casos de aumento de pessoal efectivamente a trabalhar, 70% das empresas que referiram essa situação entre a segunda quinzena de Abril e a primeira de Maio apontaram como principal factor a redução do número de trabalhadores em lay-off.

No final de Abril 58% das empresas tinham pessoas em teletrabalho, percentagem que se reduziu para 54% na primeira metade de Maio (91% nas grandes empresas), destacando-se que 14% das empresas tinham mais de três quartos dos trabalhadores nessa modalidade, enquanto próximo de metade (46%) das empresas tinham pessoas a trabalhar em períodos alternados (62% nos transportes e armazenagem).

Uma elevada percentagem de empresas refere dificuldades no cumprimento dos requisitos para a retoma da actividade, com 78% a citarem a indisponibilidade de material de protecção (máscaras, viseiras, desinfectante, etc), 77% a referirem as restrições no espaço físico e 77% a apontarem os custos elevados das medidas a adoptar, com as maiores percentagens das três causas a surgirem no alojamento e restauração.

O inquérito foi enviado para uma amostra de 8883 empresas, representativas dos vários sectores de actividade e dimensão, e foram recebidas 5493 respostas válidas (taxa de resposta global de 61,8%) de empresas representativas de 64,8% do pessoal ao serviço e de 74,7% do volume de negócios da amostra.

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