Metas europeias e nacionais devem envolver parceiros locais

Publicado em 24/05/2022 23:22 em Economia Geral

As grandes metas europeias e nacionais devem ligar-se ao que se passa no país, com envolvimento de parceiros locais e regionais para concretizar os objectivos, sustentou hoje Sofia Alves, directora da Direcção-geral da Política Regional e Urbana da Comissão Europeia.

Falando na Faculdade de Economia da Universidade do Porto no debate sobre Sustentabilidade, Acção Climática, Transformação Digital e Emprego, patrocinado pela Comissão Europeia, Sofia Alves revelou que há países da Europa em que assembleias de cidadãos são envolvidas na definição de projectos e na sua concretização.

A directora da Comissão Europeia recordou que a política de coesão representa cerca de um terço do orçamento da UE e indicou que do REACT EU, aprovado para fazer face aos problemas da pandemia, Portugal recebeu 2,1 mil milhões de euros, 51% dos quais para apoiar pequenas e médias empresas (PME) para estabilização dos negócios e fundo de maneio.

Observou que o REACT foi também utilizado na saúde e na educação, nesta última nomeadamente na compra de computadores para as escolas.

Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, afirmou que nós não temos em Portugal um verdadeiro mercado de capital de risco, “é uma falha de mercado”, mas há em Portugal quem queira investir nas startups (empresas de ponta recentes) e unicórnios.

Indicou que existem fundos comunitários para fomentar novas empresas, mas depois quando elas precisam de crescer não há em Portugal a dimensão de capital de risco que existe noutros países, além de que as empresas que têm como parceiros empresas internacionais de capital de risco ganham credibilidade.

Sustentou que Portugal é dos poucos países que tem apoio para toda a cadeia de inovação, incluindo a formação de empresas, recrutamento de pessoas e internacionalização e observou que hoje é rara a Universidade que não tenha uma incubadora de empresas e o Estado não só apoia as incubadoras como as ideias inovadoras.

A ministra da Coesão sublinhou que Portugal tem apoios directos à contrtaçãop de recursos altamente qualificados, com 50%, mas nos primeiros três anos ficaram vazios de empresas candidatas porque havia contratação e salários de referência que achavam muito elevados, “portanto temos aqui um problema das empresas”, e defendeu que as empresas devem ter lucro mas os salários também devem ser superiores.

Considerou, também, que se deveria fazer muito mais pelo elevador social através da qualificação, indicando que um problema que afasta muitos jovens do ensino superior é o custo da habitação para os que residem longe das escolas, concluindo que a construção de residências universitárias é um problema que precisa ser resolvido.

Pedro Gil, do Conselho Executivo da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (UP), sublinhou que o elevador socialem Portugal não é tão importante como deveria ser, está a funcionar menos bem, o prémio salarial pelas qualificações mas continua muito baixo desde os anos noventa.

O professor da Faculdade de Economia da UP destacou que as Universidades, apesar de serem entidades conservadoras, sempre foram focos de formação de capital humano flexível e hoje, “com o mix de soft skills e hard skills”, o que os jovens aprendem na Universidade é muito importante na vida profissional mas as maiores mudanças que a geração actual enfrentarão implicarão reconversões.

Acrescentou que os estudantes vão chegar a empresas em que muito rapidamente serão solicitados a integrarem-se em equipas multidisciplinares, observando que sempre esteve na raiz das universidades, nomeadamente das escolas de economia, formações com elevado grau de autonomia e «soft skills».

Filipe Araújo, vice-presidente da Câmara Municipal do Porto, afirmou que o desenvolvimento europeu está estreitamente ligado ao desenvolvimento das cidades, onde reside a maioria das pessoas, e o crescimento do Porto estáintrinsecamente ligado ao do território que o rodeia.

Considerou que o Porto tem crescido muito nos últimos anos e a atracção de talentos, com a qualidade de vida na cidade e a captação de investimentos, o que permitiu aumentar o emprego e ocupar muitos espaços que estavam vazios, citando a «o caso da Natixis que ocupou o espaço de um centro comercial que nunca chegou a funcionar e já emprega mais de mil pessoas.

O vice-presidente da câmara do Porto citou o contributo para esta evolução a criação em 2004 da Associação Porto Digital e há nove anos da Invest Porto, com papel preponderante para divulgar o ecossistema e as valências que existem na cidade e na região e recordou que o investimento não é só em tecnologia, é também noutros sectores como o turismo ou o imobiliário.

João Dolores, administrador do grupo Sonae com o pelouro financeiro (CFO), considerou que os mais novos procuram empregos com que se identificam e projectos com ambição e escala internacional, que tanto podem existir nas PME como nas grandes empresas e defendeu que deveria haver maior equilíbrio contemplando mais fundos para as grandes empresas.

Afirmou que um tema que não tinha vindo ao debate é de empresas muito poluentes que não são compatíveis com os objectivos europeus mas que tentam fazer o branqueamento dessa situação.

Afirmou que a Sonae tem há muito tempo como grande preocupação as questões do clima e da sustentabilidade e tem métricas e conteúdos muito ambiciosos nestas matérias.

Alertou para que não devemos cair na utopia de que os Unicórnios vão crescer em Portugal e apenas com capital português, e deu o exemplo do grupo que investiu 360 milhões de euros em capital de empresas, não só em Portugal mas também fora.

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