Com a crise financeira globalização foi posta em causa

Publicado em 04/11/2021 23:40 em Web Summit

Com a crise financeira a globalização foi posta em causa e era necessário encontrar uma regulação internacional para os impostos sobre os lucros gerados fora do país da sede, defendeu Pascal Saint-Amans, director da OCDE.

Falando hoje na Web Summit, o director do Centro de Políticas Fiscais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) sublinhou que foi uma forma de tornar a globalização aceitável, nomeadamente para a classe média.

Saint-Amans conduziu as negociações internacionais no âmbito da OCDE, iniciadas há quase uma década e que em Outubro passado chegaram a um compromisso de que todas as grandes multinacionais que fazem negócios no estrangeiro terão de pagar um imposto mínimo 15% sobre os proveitos realizados fora do seu país de origem.

O director da OCDE disse que as grandes companhias internacionais pagavam impostos sobre os seus lucros nos países onde entendessem, optando por aqueles que tinham legislação fiscal mais favorável e, depois da crise financeira, a opção era entre uma guerra comercial ou um acordo regulatório.

Citou o caso da Irlanda que tem uma taxa oficial de imposto sobre os lucros das empresas de 12,5%, mas onde grandes companhias, nomeadamente dos Estados Unidos, com técnicas muito sofisticadas conseguiam taxas de imposto próximas de zero.

Pascal Saint-Amans assinalou que, depois de ter «alcançado um acordo histórico», a sua equipa está a negociar com os países envolvidos uma convenção internacional, que espera seja ratificada e assinada dentro de seis meses por 140 países.

Estimou que este acordo permitirá que uma centena das maiores companhias do mundo pague anualmente cerca de 150 mil milhões de dólares (cerca de 130 mil milhões de euros) adicionais de impostos nos países onde desenvolvem os seus negócios.

O director-geral (DG)da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, numa mensagem vídeo transmitida por Internet para a conferência Web Summit, assinalou que o aparecimento de diversas vacinas em tempo recorde trouxe esperança, mas esse esperança não foi partilhada equitativamente por todos.

Indicou que a nível global foram administradas 7 mil milhões de vacinas, mas mais de 80% delas foram para os países do Grupo dos 20 (G20) e que os países de muito baixo rendimento receberam apenas 0,4% do total.

Tedros Adhanom Ghebreyesus sublinhou que esta situação de injustiça está a contribuir para prolongar a pandemia e a pôr-nos a todos nós em risco e recordou que, embora as vacinas salvem vidas, não impedem a transmissão do vírus.

Adiantou que a meta da OMS é alcançar 40% da população mundial vacinada até ao fim deste ano e atingir 70% em meados de 2022 metas que só serão atingíveis com o apoio dos países e companhias que controlam as vacinas a nível global as vacinas.

O DG da OMS observou que para pôr fim à pandemia é necessário utilizar todas as ferramentas ao nosso alcance, incluindo testes, tratamentos e medidas públicas de saúde, salientando que a pandemia demonstrou que a saúde é um direito humano fundamental.

Hoje à tarde foi divulgada a startup que ganhou o pitch (o pitch é uma apresentação sintética, de curta duração, da empresa) desta edição da Web Summit.

A vencedora foi a empresa Smartex, fundada no Porto, que apresenta soluções para evitar o desperdício na indústria têxtil.

A empresa, que ganhou entre as 650 startups participantes, tem actualmente escritórios em São Francisco (Estados Unidos) e em Shenzhen (China) e, segundo António Rocha, co-fundador da Smartex e que foi receber o prémio, a abordagem da empresa não é a reciclagem ou a reutilização mas em primeiro lugar evitar desperdício.

António Rocha precisou que a missão da Smartex é fornecer produtos tecnológicos excelentes à indústria tradicional e melhorar as suas operações através de inovação contínua, com enorme impacto no ambiente.

Segundo os dados da organização, a edição de 2021 da Web Summit teve 42 751 participantes (50,5% dos quais mulheres,) de 128 países, teve 748 oradores com 1333 intervenções, exposição de 1519 startups, 650 das caia Participaram na competição de pitch, 872 investidores, 1878 jornalistas e 211 parceiros.

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