Denunciante do Facebook afirma que na rede trabalhou em desinformação

Publicado em 02/11/2021 21:25 em Web Summit

A denunciante do Facebook e antiga quadro daquela rede social, Frances Haugen, afirmou segunda-feira em Lisboa que entrou para o Facebook e trabalhou em desinformação e aprendeu coisas que acredita porem vidas em risco.

Salientou que chega a certa altura o momento em que tem de se dizer ‘basta!’.

Falando a encerra a cerimónia de abertura da conferência tecnológica Web Summit, Frances Haugh apelou à saída de Mark Zuckerberg da liderança do Facebook afirmando que os erros não fazem de uma pessoa má pessoa, mas esta torna-se má pessoa quando persiste nos mesmos erros, e defendeu que o Facebook deveria mudar de liderança mas que isso é improvável.

A oradora indicou que o Facebook prioriza conteúdos que têm como efeito colateral amplificar os conteúdos mais extremos e polarizadores, sustentando que há um custo humano numa série de decisões que a rede social, enquanto instituição, adopta.

Indicou que os países mais frágeis não dispõem dos sistemas mais básicos para enfrentar os aspectos mais perigosos do Facebook, nomeadamente inteligência artificial, e defendeu que seria necessário analisar o conteúdo da rede social idioma a idioma, destacando situações como a da Etiópia, que tem seis línguas e 95 dialectos, e não tem capacidade tecnológica para analisar o que está nas redes sociais e é improvável que venha a ter.

A denunciante observou que se regista um padrão consistente de comportamentos do Facebook, que ampliam e priorizam conteúdos extremos e recordou às grandes empresas tecnológicas que os seus actos têm consequências relevantes.

Frances Haugh defendeu que há muitas maneiras de ultrapassar o dilema ou têm privacidade ou têm de pagar, que considerou uma falsa questão, e sustentou que um dos principais factores do que considera más práticas tem a ver com o facto de as pessoas que controlam os conteúdos responderem perante os responsáveis pelo negócio.

Na abertura, o CEO da Web Summit, Paddy Cosgrave, revelou que em Agosto os responsáveis da organização do evento estavam nervosos porque apenas tinham cerca de 10 mil inscritos, mas Portugal tornou-se o país com a maior taxa de vacinação do mundo, um marco notável, e agora estão nos quatro dias do evento tantas pessoas de muitos países.

A organização revelou que a Web Summit 2021 tem inscritos 42 751 participantes (em 2019 foram 70 469) de 128 países, mais de metade (50,5%) dos quais mulheres, com 748 oradores, 1 519 startups e 872 investidores.

Cosgrave considerou que a Web Summit serve para rever velhos amigos e estabelecer novas ligações, dispensando cartões de negócio porque basta apontar a câmara do telemóvel ao cartão de participante para ficar com os contactos.

Paddy Cosgrave adiantou que a empresa irlandesa Web Summit levou uma década a desenvolver um sistema operativo que ajudou a revolucionar aquela que é a maior conferência tecnológica do mundo e que espera que seja também o melho evento tecnológico.

Salientou que as Nações Unidas se tornaram o primeiro cliente daquele software e nos últimos dias de Outubro a Web Summit anunciou que a Consumer Technology Association escolheu aquela plataforma para o Consumer Electronic Show, que se realiza anualmente em Las Vegas.

O presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, disse que o seu sonho é de que Lisboa se torne a capital mundial da inovação e anunciou o seu projecto de criação na capital portuguesa de uma fábrica de unicórnios (startups que ultrapassam mil milhões de dólares de facturação) que ajude os jovens a realizarem as suas ideias de negócio, a criarem emprego e a mudarem o mundo.

O ministro de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira afirmou que Portugal rtem de progredir na transição climática e na transição digital, adiantando que de Janeiro a Setembro dois terços da energia consumida em Portugal virá de fontes renováveis e que a captação de capital pior startups nacionais vai em 160% homólogos e o seu acumulado já atinge mil milhões de euros.

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