Quase metade portugueses julga não ser vulnerável a ciberataques

Publicado em 15/07/2021 12:30 em Segurança Informática

Quase metade (46%) dos portugueses julgam não estar vulneráveis a ciberataques e não se mostram preocupados com esse risco, segundo um estudo da multinacional britânica de segurança informática Sophos, que considera que aquela atitude pode aumentar o risco.

O estudo indica que 28% dos internautas portugueses sofreram no último ano um incidente de segurança informática e mais de metade conhece alguém que sofreu um incidente, mas 78% nunca receberam qualquer formação sobre como actuar em situações daquele tipo.

A Sophos alerta para que a formação regular e a sensibilização para as questões de segurança informática podem contribuir muitíssimo para a prevenção de incidentes de cibersegurança e defende que as empresas devem implementar programas de formação nessa área o mais rapidamente possível.

Chet Wisniewski, investigador científico principal da Sophos, citado no comunicado, afirma que esta é uma atitude muito perigosa e alerta para que a quantidade e a gravidade dos ciberataques tem vindo a aumentar exponencialmente, o que exige que os utilizadores de Internet estejam conscientes do risco.

Um alerta confirmado pelo relatório anual do Centro Nacional de Cibersegurança (CNCS), que revela que em 2020 os ataques informáticos continuaram a aumentar e que o cibercrime beneficiou do confinamento social, que obrigou milhões de pessoas a utilizarem meios electrónicos para trabalharem [ou estudarem].

O comunicado do CNCS indica que houve no ano passado mais 79% de ataques cibernéticos do que em 2019, com destaque para o aumento de incidentes visando utilizadores da banca por Internet, observando que tudo indica que a tendência de crescimento dos ataques se mantenha.

Este crescimento pode dever-se em muitos casos a uma vigilância muito baixa, com utilizadores e inclusivamente instituições governamentais a serem apanhados desprevenidos, segundo Yael Macias, especialista da Hunters, citado no comunicado da CNCS.

Acrescenta que, com a Internet 2.0 e o crescimento das redes sociais, os cibercriminosos encontram na Internet um autêntico mercado, onde se comercializam manuais para realizar um ataque, que chegam mesmo a disponibilizar assistência técnica, para ataques em cadeia, para diversos fins incluindo o roubo de dados pessoais e credencias bancárias ou de cartões de crédito e diversa informação financeira.

O CNCS destaca, entra as técnicas de ataque, o «sniffer», que permite monitorizar e inspeccionar o trafego nas redes Wi-Fi, vários métodos de monitorização que detectam vulnerabilidades das redes e o «spoofing», para falsificar a identidade do utilizador.

Embora considere provável que um utilizador ao longo da sua vida em linha seja alvo de um ataque de maior ou menor importância, o CNCS indica que é necessário criar barreiras e codificar os sistemas de comunicação para os prevenir.

Aconselha os utilizadores a fechar e desactivar portas e serviços que não sejam necessários, configurar correctamente as firewalls, activar filtros anti-spoofing e gerar registos, seleccionar um utilizador que não seja administrador do sistema para navegar na Internet, manter o navegador (browser, em inglês) e respectivos Plug-ins actualizados.

Além disso, aplicar actualizações de segurança, instalar um anti-vírus, estar atento às mensagens electrónicas (e-mails) e documentos recebidos de endereços desconhecidos, especialmente os que oferecem descontos, não abrir anexos desconhecidos nem hiperligações (links) enviados por mensagem electrónica, prestar atenção a domínios semelhantes, erros ortográficos em mensagens e sítios Web e a remetentes de correio electrónico desconhecidos e só comprar em linha em fontes seguras.

O estudo da Sophos é revelador da falta de consciência dos internautas portugueses sobre a sua vulnerabilidade ao cibercrime.

Apenas 62% dos portugueses que usam Internet utilizam antivírus (Chet Wisniewski diz que a percentagem deveria ser mais próxima dos 100%) e 74% acreditam ter um nível médio de conhecimentos sobre cibersegurança.

A Sophos considera, contudo, que são interessantes as percentagens dos portugueses que indicam possuir passwords fortes e diferentes entre si (61%), usar autenticação de dois factores (51%) e usar ferramentas de filtro de correio electrónico e anti-spam (49%), embora idealmente essas percentagens devessem ser mais altas.

Destaca que apenas 26% dos inquiridos consideram as redes sociais seguras mas quase todos as utilizam, o que – segundo Chet Wisniewski - «nos prova que muitas vezes o conhecimento não equivale à acção».

Relativamente à segurança dos dispositivos móveis, a Sophos revela que 90% diz ter algum tipo de segurança (anti-vírus, aplicações de limpeza de ficheiros ou sistemas de bloqueio de segurança), e 78% diz ter atenção aos conteúdos que descarrega, principalmente com utilização apenas de sítios oficiais ou seguros.

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