Banco Portugal alerta consumidores para riscos activos virtuais

Publicado em 24/02/2021 19:12 em Economia Geral

O Banco de Portugal voltou hoje a alertar os consumidores para os riscos de activos virtuais, como a moeda virtual bitcoin, alertando para que aqueles activos não têm curso legal em Portugal.

Acrescenta que esses activos virtuais não são garantidos por qualquer autoridade nacional ou europeia, pelo que a sua aceitação pelo valor nominal não é obrigatória.

Em comunicado, o Banco de Portugal indica que actualmente não existe qualquer protecção legal que garanta direitos de reembolso aos consumidores que utiliza activos virtuais para fazer pagamentos, ao contrário do que acontece com os instrumentos de pagamento regulados.

Observa que a informação sobre activos virtuais disponibilizada aos consumidores pode ser inexacta, incompleta ou pouco clara e a formação dos preços destes activos é frequentemente pouco transparente e a maior parte desses activos está sujeita a uma enorme volatilidade e os seus utilizadores podem perder grande parte ou a totalidade do capital investido.

O banco central acresce que as transacções com activos virtuais podem ser utilizadas indevidamente em actividades criminosas, incluindo branqueamento de capitais e financiamento de actividades terroristas.

Destaca que grande parte das entidades que comercializam activos virtuais não têm sede em Portugal pelo que a resolução de conflitos poderá não caber às autoridades portuguesas.

Também hoje, Nigel Green, presidente executivo (CEO) do grupo de consultoria financeira deVere indicou que as gerações mais velhas – e não só os nativos digitais - estão a aderir ao bitcoin e a outras criptomoedas.

Nigel Green baseava-se numa sondagem global a clientes com mais de 55 anos que revelou que 70% dos inquiridos afirmaram que já tinham investido em moedas virtuais ou planeavam investir ainda este ano.

Uma razão invocada pela essa opção pelas moedas digitais assumida pelos maiores de 55 anos tinha como factor chave o grande volume de impressão de moeda pelos bancos centrais de todo o mundo, procurando dinamizar as respectivas economias num contexto do afundamento económico com a crise pandémica, com riscos de desvalorização das divisas e receios de disparo da inflação.

No passado fim de semana a cotação dos bitcoin atingiu os 57 mil dólares (47 mil euros) o significou uma capitalização de mercado de mais de 1 bilião de dólares (mais de 820 mil milhões de euros), que esta semana já caiu para cerca de 900 mil milhões de dólares (740 mil milhões de euros).

O CEO do grupo deVere sublinhou que, apesar dessa queda, o valor de mercado do bitcoin subiu quase 360% nos últimos 12 meses, dinamizado pelas declarações do milionário accionista da Tesla Elon Musk, entre outros, e pelo interesse crescente de investidores internacionais.

Green considera que o interesse nas criptomoedas pode contribuir para aumentar o seu valor no mercado aconselha os interessados em investir em moedas digitais a diversificarem a sua carteira de criptomoedas para mitigarem os riscos.

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