Associação apresenta queixa publicidade invasiva Internet

Publicado em 11/12/2020 19:21 em Internet

A Associação D3 - Defesa dos Direitos Digitais anunciou ter apresentado queixa à Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) portuguesa por práticas lesivas dos consumidores pela indústria de publicidade comportamental (Adtech).

Em comunicado, a D3 explica que os sistemas de licitação em tempo real utilizados pela Adtech implicam leiloar a centenas ou milhares de empresas na Internet dados sensíveis de pessoas sem o seu consentimento, o que pode incluir o histórico de navegação pessoal, a sua localização recente ou até as preferências sexuais.

A entrega de queixas contra esse negócio das Adtech foi apresentada simultaneamente por associações de seis países às respectivas autoridades de protecção de dados (além de Portugal, Roménia, Croácia, Malta, Grécia e Chipre), que se juntaram a queixas anteriormente apresentadas na Bélgica, Bulgária, República Checa, Estónia, França, Alemanha, Hungria, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Polónia, Espanha, Eslovénia, Holanda e Reino Unido, acrescenta.

A acção concertada é coordenada Civil Liberties Union for Europe, e a advogada sénior daquela organização, Orsolya Reich, sublinha que a licitação em tempo real é um abuso ao direito das pessoas à privacidade, observando que o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD), em vigor desde 2018, existe para as pessoas controlarem o que acontece aos seus dados na Internet.

«Hoje, mais grupos da sociedade civil dizem basta a este modelo de publicidade invasivo e pedem às autoridades de protecção de dados que enfrentem as práticas nocivas e ilegais que utiliza», segundo Orsolya Reich.

O presidente da D3, Eduardo Santos, citado no comunicado, afirma que o modelo actual de publicidade invasiva, assente na vigilância dos internautas e extracção dos seus dados, é incompatível com a protecção dos dados pessoais.

Ainda sem comentários