CE prevê que PIB português caia 9,3% em 2020

Publicado em 05/11/2020 22:56 em Análise de Conjuntura

A Direcção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (DG EcFin) da Comissão Europeia (CE) prevê que a riqueza produzida em Portugal caia 9,3% em 2020, o quinto pior resultado da União Europeia (UE).

As previsões da CE antecipam que no ano em curso o PIB caia 12,4% em Espanha, recue 9,9% em Itália, baixe 9,6% na Croácia e se reduza 9,4% em França, todos com evolução mais desfavorável do que a prevista para Portugal.

A DG EcFin prevê que o produto caia este ano 7,8% na zona Euro e 7,4% no conjunto dos 27 países da União Europeia (UE).

A Comissão admite que o PIB do Reino Unido, que abandonou a UE, caia 10,3%, apenas pior do que a Espanha entre os actuais membros.

Para Portugal, a Comissão admite uma queda de 9,3% do PIB, uma estimativa que penso que se revelará optimista, e admite crescimentos de 5,5% em 2021 e 3,5% em 2022, o que significaria que o país entraria em 2023 com um produto ainda cerca de 1% inferior ao de 2019.

A CE destaca que os riscos descendentes para Portugal são acentuados pela elevada dependência do país da actividade turística, em relação à qual se mantém uma incerteza significativa.

A DG Ecfin assinala que a incerteza em torno destas previsões se mantém elevada devido às circunstâncias excepcionais que envolvem o agravamento da pandemia e a possibilidade de tomada de medidas de contenção excepcionais para conter o agravamento da Covid-19, embora admita que essas medidas sejam gradualmente aliviadas em 2021 e 2022.

A Comissão acredita que o primeiro trimestre de 2021 traga uma melhoria da actividade económica, mas continuará a ser afectada pelas medidas de contenção da pandemia, embora de forma bastante variável entre os diferentes estados membros.

A Comissão espera para 2020 um agravamento do desemprego em toda a UE, icom taxas que deverão ficar em média em 8,3% na zona euro e em 7,7% nos 27, também com níveis bastante diferenciados.

Admite que a Grécia tenha em 2020 uma taxa de desemprego de 18,0%, a Espanha de 16,7%, a Itália 9,9%, a Lituânia 8,9%, a Suécia 8,8%, a Letónia 8,3%, Chipre 8,2% e Portugal 8,0%, uma previsão que se pode revelar muito optimista, com a taxa de desemprego portuguesa nos 7,8% no terceiro trimestre e com uma onda de despedimentos a adivinhar-se nos tempos mais próximos.

Alguns despedimentos já estão anunciados e antevê-se um número significativo de encerramentos ou suspensão de actividade de empresas, que irão reduzir o emprego e pressionar o rendimento disponível das famílias.

Uma antevisão da situação nacional a partir de um conjunto de variáveis económicas, com base em indicadores nacionais e internacionais recentemente publicados, será disponibilizada sexta-feira neste sítio Internet.



Fernando Valdez

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