Vendas mundiais smartphones revelam resiliência III trimestre

Publicado em 03/11/2020 11:22 em Indústria Telecom

As vendas mundiais de smartphones manifestaram resiliência em tempo de pandemia, com uma queda em torno de 1% (os números exactos de redução variam consoante os analistas de mercado), abrandando face a diminuições claras, a dois dígitos, no segundo trimestre.

Ao mesmo tempo, a Samsung recuperou o primeiro lugar nas vendas, que é seu há muitos trimestres e que perdeu temporariamente no segundo trimestre para a Huawei, segundo maior fabricante e que nesse trimestre beneficiou do aumento das suas vendas no mercado doméstico.

No terceiro trimestre, embora mantendo a liderança do mercado chinês, as vendas da Huawei caíram 18% nesse mercado.

Os dados da IDC, Counterpoint, Canalys e Omdia (grupo Informa Telecom), que diferem ligeiramente nos números absolutos e quotas de mercado, coincidem na ordem dos quatro maiores fabricantes e no caso da Counterpoint e Omdia, que inserem os 10 primeiros lugares, também indicam os mesmos fabricantes nos 10 mais.

No terceiro trimestre, a Samsung lidera o ranking, com um ligeiro aumento de vendas e uma quota de mercado acima de 20%, enquanto a Huawei, a quem os Estados Unidos têm movido uma guerra comercial, com pressões sobre os seus parceiros para agirem da mesma forma, baixou as vendas, com quedas homólogas acima dos 20%, e ficou com quotas de mercado mundial em torno dos 15%.

Em terceiro lugar surge a também chinesa Xiaomi, que ultrapassa a Apple, com um aumento de vendas superior a 40% e quotas de mercado de 12 a 13%, descendo a marca da maçã para o quarto lugar, com um recuo de vendas na casa dos 10% e quota de mercado de 11 a 13%, segundo cada um dos quatro consultores.

Segundo a IDC, a Canalys e a Omdia, a vivo ocupa o quinto lugar mundial, que a Counterpoint atribui à Oppo, embora com quotas muito próximas para aquelas duas fabricantes chinesas.

A Counterpoint e a Omdia, as únicas das analistas consideradas que indicam as 10 maiores marcas, colocam do sétimo ao décimo lugar a Realme, que cresceu acima dos 40% em termos homólogos, a Lenovo (que detém a marca Motorola), a LG e a Tecno.

Isto significa que a China detém três das cinco marcas de smartphones mais vendidas e sete das 10 mais, a Coreia do Sul duas (Samsung e LG) e os Estados Unidos uma (Apple), agora que a marca de smartphones Motorola passou a ser detida por chineses. A japonesa Sony deixou de constar entre as 10 mais vendidas do mundo, segundo os dados daquelas duas analistas.

Num contexto em que a generalidade das marcas utiliza componentes fabricados na China, o retorno da produção chinesa desses componentes a níveis pré-covid-19 permitiu a relativa recuperação no terceiro trimestre, a par do aligeiramento das medidas de confinamento naqueles países que as tinham implementado.

Para o quarto trimestre, que inclui a quadra natalícia e que é habitualmente recordista de vendas, a segunda vaga da Covid-19 e o retorno a medidas de confinamento parcial em importantes mercados, incluindo em muitos países europeus, assim como a tendência de aumento do desemprego em muitos deles, poderá comprometer o nível habitual de vendas da quadra natalícia.

Fernando Valdez

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