Utilizadores Internet que compram online devem crescer para 57% em 2020

Publicado em 21/10/2020 21:55 em Internet

O peso dos utilizadores de Internet a comprar online que em 2019 se situou em 51%, deverá crescer em 2020 para 57%, acima do expectável, como consequência da epidemia de Covid-19, segundo um estudo da ACEPI -Associação da Economia Digital e da consultora IDC.

O estudo «Economia e Sociedade Digital em Portugal», que foi apresentado no âmbito da Portugal Digital Summit’20, a decorrer 19 a 23 de Outubro em Lisboa, estima também que, como efeito da pandemia, cerca de quatro em cada cinco portugueses (81%) tenha hoje acesso à Internet (três em cada quatro no ano passado).

Indica que aumentou a frequência de compras por Internet, já que quase três em cada quatro (73%) dos que compram online afirmaram fazer em média mais do que três a cinco vezes compras por mês, havendo actualmente mais compras Internet em lojas portuguesas e menos em sítios estrangeiros.

Por categorias de produtos, destacam-se as entregas de refeições ao domicílio, que no ano passado não tinham expressão, e os produtos alimentares e bebidas, o que reflecte as alterações de hábitos causados pela pandemia. Os equipamentos informáticos e electrodomésticos comprados na Internet para serem entregues em casa cresceram acentuadamente, reflectindo também as mudanças causadas pela Covid-19.

Nos serviços digitais comprados online, destacam-se filmes e séries, adianta a ACEPI.

O estudo ACEPI/ IDC revela que quem compra por Internet dá particular importância à definição de períodos horários para entrega das encomendas e à recepção do produto no mesmo dia ou no seguinte e adianta que o pagamento através de referência Multibanco continua a ser o método preferido dos portugueses.

Conclui que o comércio electrónico com consumidores portuguese terá ultrapassado no ano passado 6 mil milhões de euros (2,9% do PIB) e admite que em 2020 se aproxime dos 8 mil milhões de euros).

A ACEPI antecipa que o comércio electrónico entre empresas (B2B) e entre empresas e a administração pública (B2G) ultrapasse no ano em curso os 103 mil milhões de euros.

Estima que actualmente três em cada cinco empresas têm presença na Internet, o que compara com 40% no estudo anterior, o que se deve em grande medida ao crescimento de 30 para 48% nas microempresas e de 53% para 76% nas pequenas empresas que estão na Internet.

Das empresas com presença na Internet, 82% declararam ter um domínio próprio e 76% disseram ter um ou mais sítios Web desenvolvidos, enquanto 76% das empresas inquiridas revelaram ter páginas nas redes sociais.

As empresas que exportam através de comércio electrónico têm como maiores clientes os espanhóis e os franceses, seguindo-se os britânicos e cidadãos dos PALOP – Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa.

Alexandre Nilo Fonseca, presidente da ACEPI sublinhou que a pandemia de Covid-19 acelerou a transformação digital em Portugal e classificou de «notável» a reacção das empresas, com aumentos do números de firmas com presença na Internet, a crescimento dos portugueses com aceso à Internet e o aumento das compras electrónicas.

Assinalou que a pandemia teve um efeito acelerador em diferentes contextos, com mais pessoas a utilizarem a Internet e com maior frequência, mais portugueses a diversificarem actividades online a mais a fazerem compras electrónicas a partir de casa.

Nilo Fonseca antecipa que com as limitações à frequência de lojas físicas e o aumento de compras no período de Natal a situação deverá manter-se, porque a alternativa será fazer compras por Internet.

Mas a questão das limitações dos portugueses em matéria de competências digitais continua a preocupar e Luísa Ribeiro, presidente do .PT, que sublinha ser a transformação para o digital também uma questão de educação e de competências, campo em que o país está muito aquém do que precisava estar.

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