Digitalização hospitais aumentou, profissionais pedem formação

Publicado em 08/10/2020 22:05 em Tecnologias da Saúde

A digitalização dos hospitais portugueses aumentou, com mais de quatro em cada cinco (81%) dos médicos e enfermeiros nacionais a dizerem que a pandemia obrigou os hospitais a tornarem-se mais digitais, segundo um estudo da consultora Deloitte sobre a saúde europeia.

Apesar do aumento da digitalização nos hospitais nacionais, a Deloitte sublinha que Portugal está abaixo da média europeia na utilização de tecnologias de saúde 4.0 (tecnologias de ponta), como a inteligência artificial (AI) e a robotização.

O estudo «Digital Transformation:Shaping the future of European healthcare» conclui que 56% dos profissionais de saúde portugueses precisam de mais formação na área tecnológica e que 47,3% nunca recebeu qualquer treino naquela área.

Da centena e meia de profissionais portugueses que participaram no inquérito, mais de três quartos dos quais médicos e quase um quarto enfermeiros, em que 86,0% da amostra trabalha em hospitais públicos, dois terços consideram que a burocracia é a maior dificuldade na implementação das tecnologias da saúde e encontrar as tecnologias certas é também um dos principais entraves a uma maior digitalização da saúde.

A Deloitte salienta que em consequência da pandemia de Covid-19 se assistiu na Europa a uma ampla adopção de tecnologias digitais de apoio ao trabalho médico, o que é reconhecido por quatro em cada cinco profissionais de saúde inquiridos em Portugal,

Mais de quatro quintos (81%) dos clínicos portugueses dizem que a organização em que trabalham aumentou a adopção de soluções digitais, mas, apesar desse aumento, os médicos e enfermeiros nacionais consideram que o esforço de formação nesta área não acompanhou o aumento do recurso a soluções digitais.

De acordo com a consultora, apenas 44% dos médicos e enfermeiros portugueses estão razoavelmente ou muito satisfeitos com a formação recebida na área das tecnologias da saúde, o que compara com mais de 60% na Holanda e no Reino Unido, a que acresce o facto de quase metade (47,3%) dos profissionais de saúde portugueses nunca terem recebido da instituição qualquer formação para lidar com as novas tecnologias (quase o dobra dos 25,5% da média europeia).

Apesar disso, enquanto 84% dos médicos e enfermeiros portugueses consideram que a sua organização está razoavelmente ou muito bem preparada para a adopção de tecnologias digitais, que compara com 74% em média europeia e 89% na Dinamarca, 84% na Holanda, 79% na Noruega e 75% em Itália, enquanto um terço dos clínicos da Alemanha e Reino Unido dizem que não está preparada.

As conclusões são baseadas num inquérito efectuado a 1781 profissionais, sendo 150 em Portugal, 401 na Itália, 400 na Alemanha, 400 no Reino Unido, 150 na Holanda, 140 na Dinamarca e 140 na Noruega.

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