Conselho Finanças Públicas espera queda 9,3% do PIB

Publicado em 18/09/2020 22:27 em Análise de Conjuntura

O Conselho das Finanças Públicas (CFP), que apontava em Junho para um cenário base de queda de 7,5% do PIB português em 2020 e um cenário severo de descida de 11,8%, aponta agora para uma redução de 9,3% do produto nacional este ano.

Na actualização do Relatório «Perspectivas Económicas e Orçamentais 2020 2024», agora publicada, o CFP destaca o «contexto de elevada incerteza», mas considera que não é expectável atingirem-se os valores do cenário severo de Junho (menos 11,8%), embora admita que as projecções estão «sujeitas a consideráveis riscos descendentes», decorrentes de uma evolução mais adversa da pandemia.

O CFP indica que a revisão das projecções para 2020 é explicada principalmente pelas perspectivas para as exportações líquidas, em particular pelo pior desempenho das exportações de serviços no primeiro semestre, associado ao sector do turismo.

Apesar de nestas páginas termos apontado para uma queda do produto entre 9% e um recuo superior a 12%, a evolução de menos 9% era considerada um cenário muito optimista, difícil de realizar. Com a segunda vaga de Covid-19 e o primeiro-ministro a admitir que na próxima semana o país possa chegar aos mil novos casos por dia, o cenário de uma queda do PIB da ordem dos 12% ou superior é cada vez mais plausível.

Para 2021 e 2022, o CFP espera aumentos da riqueza produzida em Portugal de 4,8% e 2,8%, respectivamente, com a procura interna a contribuir para o crescimento com 5,7 pontos percentuais (pp) em 2021 e 3,3 pp em 2022.

As previsões do CFP apontam para um aumento de 6,9% do consumo privado e 5,9% da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF, investimento) em 2021, crescimentos que se podem considerar algo difíceis de concretizar num contexto em que se deve manter uma elevada incerteza que deverá afectar a confiança de consumidores e empresários.

Em relação ao consumo privado, mesmo partindo de uma base mais baixa após a queda de 8,9% em 2020 prevista pelo CFP, o que se pode antecipar em relação ao crescimento do desemprego e encerramento de empresas leva a considerar difícil atingir níveis de crescimento do consumo privado que já não são vistos desde a segunda metade da última década do século passado.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), na actualização de Setembro das suas previsões económicas para 2020, divulgadas em Junho, antecipa uma queda de 4,5% do PIB mundial (em Junho redução de 6,0%, ou descida de 7,6% com segunda vaga da pandemia).

A OCDE antecipa agora uma queda de 7,9% do produto da zona euro (na anterior diminuição de 9,1%, menos 11,5% com segunda vaga), descida de 3,8% nos Estados Unidos (em Junho queda de 7,3%, ou redução de 8,5% com segunda vaga) e na China um crescimento de 1,8% (nas estimativas anteriores queda de 2,6% ou menos 3,7 em cenário de segunda vaga).

Aquela organização internacional afirma que as previsões se mantêm excepcionalmente incertas e sublinha o choque económico sem precedentes nos tempos recentes causado pela Covid-19, mas observa que está em curso uma recuperação gradual.

Ao contrário das previsões de Junho, que incluíam Portugal e a generalidade dos Estados, as perspectivas de Setembro apenas incluem os valores mundiais, da zona euro e os países do G20, não incluindo estimativas para Portugal.

Em Junho a OCDE previa que a economia portuguesa se contraísse este ano 9,4% ou caísse 11,3% no caso de uma segunda vaga - que parece estar a caminho.



Fernando Valdez

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