Actividade económica com queda menos intensa em Julho e Agosto

Publicado em 18/09/2020 15:42 em Análise económica

A actividade económica em Portugal apresentou em Julho uma queda homóloga menos intensa e em Agosto houve algum desagravamento no pessimismo dos agentes económicos, revela a Síntese Económica de Conjuntura, do INE.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) sublinha que em valores mensais a actividade económica tem vindo a registar reduções expressivas mas progressivamente menos intensas entre Junho e Agosto» e acrescenta que os indicadores de confiança aumentaram em todos os sectores de actividade [no sentido em que foram menos negativos, embora mantendo quedas homólogas fortes].

O indicador (quantitativo) de actividade económica, depois de registar um mínimo histórico de menos 9,3% em Abril, recuperou de Maio a Julho, mês em que se situou em menos 3,1%, e o indicador de clima económico (qualitativo, que se baseia em opiniões das empresas), ficou em menos 1,3% em Agosto, de acordo com o INE

Os indicadores Coincidentes do Banco de Portugal para a Actividade Económica e para o Consumo Privado relativos a Agosto praticamente estabilizaram em níveis historicamente baixos, em ambos os casos com um agravamento marginal.

Os indicadores qualitativos, baseados na percepção dos agentes económicos, revelam em Agosto uma comparação homóloga menos desfavorável, mas ainda muito negativa (INE).

O Indicador de Confiança dos Consumidores manteve-se bastante negativo em Agosto, em menos 25,3% homólogos, com os saldos de respostas extremas (SRE) das expectativas da economia do país nos próximos 12 meses em menos 44,3% e de realização de compras importantes em menos 36,2%.

O Indicador de Confiança da Indústria Transformadora situou-se no mês passado em menos 13,6%, claramente menos negativo do que em Maio, mas as apreciações sobre a procura global actual estão em menos 48,8%, o que parece contraditório com as expectativas de aumento da produção nos próximos 3 meses, enquanto a confiança na construção e obras públicas estava em Agosto em menos 13,4%, em recuperação face ao valor de Abril.

O Indicador de Confiança dos Serviços evoluiu menos negativamente e fixou-se em menos 27,5%, devido a uma melhoria das expectativas da procura nos próximos 3 meses, e o indicador de confiança do comércio a retalho melhorou claramente face a Abril (mínimo da série), mas ficou em Agosto em menos 10,1%.

O INE salienta que o montante global de levantamentos e de pagamentos de serviços e compras na rede Multibanco diminuiu 8,1% homólogos em Agosto, depois de uma queda de 9,7% em Julho.

Como já noticiamos, as vendas de ligeiros de passageiros tiveram em Agosto uma queda marginal de 0,1%, as de comerciais ligeiros baixaram 40,5% e as de pesados 7,2%, segundo a ACAP.

Quanto à recuperação das vendas de ligeiros de passageiros em Agosto, há que notar que a comparação homóloga é feita com um mês de queda de 19,0%, com vendas (12 435 unidades) que não excederam dois terços da média mensal de 2019, segundo dados da ACAP, e que os dados da ARAC revelam que o rent-a-car absorveu 2 114 ligeiros de passageiros, quase um quinto (17%) das vendas totais de Agosto.

Segundo a ARAC, o turismo representa 60% do volume de negócios de rent a car, o que faz pressupor que a quebra da procura turística impediu uma evolução mais favorável.

Fontes ligadas ao sector consideram que as preocupações de segurança sanitária terão levado também a um aumento de compras de automóveis, novos e usados, assim como de motociclos, nalguns casos por aquisição de uma viatura adicional para a família, no sentido de evitar o uso de transportes públicos.

Para Agosto estão também disponíveis dados sobre o consumo de gás natural, que aumentou 3,7% em Agosto, com a produção não renovável de electricidade, baseada sobretudo em gás natural, a representar 54% do consumo de energia eléctrica, de acordo com a REN – Redes Energéticas Nacionais.

A REN indica que em Julho, o consumo de energia eléctrica corrigido los efeitos das temperaturas e pelos dias uteis baixou 3,5% em Julho.

Ainda em Julho, o consumo global de combustíveis fósseis baixou 17,3% homólogos, com queda de 10% nas gasolinas, redução de 7,7% nos gasóleos e queda de 3,2% no GPL, segundo dados da Direcção-geral da Energia e Geologia (DGEG).

Quanto aos combustíveis rodoviários, registou-se uma redução homóloga de 8,7% em Julho, com reduções de 3,9% na gasolina de 98 octanas, descida de 10,5% na gasolina de 95 octanas e redução de 8,3% no gasóleo, de acordo com a DGEC.

Os dados divulgados mais recentemente pelo INE revelam que a actividade turística teve um desagravamento em Julho, devido principalmente aos residentes, com o alojamento turístico a receber 1 milhão de hóspedes (menos 64,0%) e 2,6 milhões de dormidas (menos 68,1%) e registando uma descida de 70,5% nos proveitos totais.

No entanto, enquanto as dormidas de residentes diminuíram 30,8%, as de estrangeiros caíram 84,5%, menos do que a redução de 96,7% de Junho, mas com reduções a partir de dois terços para os principais mercados emissores

O INE indica que em Julho estiveram encerrados ou não registaram qualquer movimento 27,8% dos alojamentos turísticos.

Neste contexto, não é de estranhar que o movimento nos aeroportos portugueses (embarques, desembarques e trânsito directo) se tenha reduzido em Julho, não indo além de 1,3 milhões de passageiros, um decréscimo de 79,5% (INE)

O volume de negócios nos serviços caiu 17,3% em Julho, um desagravamento face ao mês precedente, verificando-se um crescimento (de 1,3%) apenas nas actividades de informação e comunicação, revelou o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo os dados do INE, as maiores quedas de volume de negócios verificaram-se no alojamento e restauração (menos 49,6%), nas actividades administrativas e serviços de apoio (menos 37,9%) e nos transportes e armazenagem (menos 36,1%).

A facturação das actividades de consultoria, científicas e técnicas baixou 15,2% e no sector de comércio por grosso e comércio e reparação automóvel a redução foi de 5,7%, adianta o INE.

O volume de negócios na indústria diminuiu 11,1% homólogos, com a facturação para o mercado nacional a baixar 9,1% e as vendas para o estrangeiro a descerem 13,9%, de acordo com o INE.

As maiores quedas no volume de negócios industrial registaram-se na energia (menos 21,0%), nos bens de investimento (menos 11,2%) e nos bens intermédios (bens industriais ainda destinados a nova transformação industrial), com uma redução de 7,5%, e as receitas da produção de bens de consumo caíram 5,7%, devido à queda de 7,5% nos bens não duradouros, enquanto a facturação da indústria de duradouros subiu 9,4%.

Segundo o INE, valor das vendas industriais para o mercado nacional teve reduções homólogas de 12,4% na energia, de 13,9% nos bens de investimento, de 8,7% nos bens de consumo e de 5,0% nos bens intermédios, enquanto nas exportações as quedas foram de 65,3% na energia, de 15,0% nos bens intermédios, de 9,7% nos bens de investimento e de 9,2% nos bens de consumo.

A produção na construção caiu 4,0% homólogos em Julho, com redução de 3,6% na construção de edifícios e diminuição de 4,5% na engenharia civil (inclui obras públicas), segundo dados publicados pelo INE.



Nota: optei por agregar os dados de vários indicadores para ser possível fazer análises mais completas e significativas, com a desvantagem de publicar alguns dados um pouco menos actuais e obrigar a pesquisa. Por outro lado, tento privilegiar notícias, nomeadamente na área tecnológica, que geralmente estão menos presentes na comunicação social portuguesa.

Um sítio Internet, não comercial, escrito por um só jornalista tem limitações que obrigam a adoptar estratégias visando publicar informação que possa distinguir-se de outra comunicação social com a qual não pode competir

Fernando Valdez

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