PIB português deverá recuar entre 9% e 12,5% em 2020

Publicado em 09/09/2020 18:44 em Análise económica

O PIB português deverá recuar entre 9% (num cenário muito optimista de crescimentos em cadeia de 7% no terceiro trimestre e de 5% no quarto) e queda de mais do que 12%, num quadro mais pessimista, mas que não se deve excluir quando se antevê uma segunda vaga da pandemia, com dimensão difícil de antecipar.

Esta previsão é feita utilizando, nomeadamente, os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) actualmente disponíveis e tem em conta a evolução recente da actividade económica, nomeadamente os números já conhecidos para Julho (Agosto no caso das vendas automóveis), os indicadores qualitativos, a limitada recuperação do turismo e a cada vez mais previsível segunda vaga da pandemia.

Nos números utilizados já se tem em conta as últimas revisões dos valores trimestrais do PIB em 2019, do INE) e a tentativa de previsão - sempre difícil – agora apresentada, é menos desfavorável do que a feita no final de Julho, em que os limites eram de menos 10%, o inferior, e acima de 14%, o mais pessimista.

O INE reafirmou que o PIB português no segundo trimestre caiu 16,3% em comparação homóloga e baixou 13,9% em cadeia (face ao trimestre anterior.

A procura interna baixou 12,0% em cadeia no segundo trimestre e deu uma contribuição de menos 11,9 pontos percentuais (pp) para o afundamento do Produto Interno Bruto nacional e a procura externa líquida contribuiu com menos 4,4 pp para a redução do PIB, com as exportações de bens e serviços a cair 39,5%, muito influenciada pela forte redução do turismo de não residentes, enquanto as importações de bens e serviços recuavam 29,9%, segundo o INE.

No período em análise, o consumo privado caiu 14,5%, com menos 15,0% no consumo das famílias residentes e menos 3,4% no consumo público, e o investimento recuou 10,8% (redução de 9,0% na FBCF – Formação Bruta de Capital Fixo).

A descida da despesa das famílias residentes no segundo trimestre deveu-se principalmente uma redução de 27,6% nas compras de bens de consumo duradouros, sobretudo na compra de automóveis.

No plano do consumo privado, os dados já disponíveis para Julho revelam uma queda de 2,9% das vendas do comércio a retalho INE), o Indicador Coincidente do Banco de Portugal para o consumo privado atingiu um mínimo histórico, enquanto a produção industrial de bens de consumo recuou 7,6% (INE).

Para os dois primeiros meses do terceiro trimestre (Julho e Agosto), as vendas de automóveis ligeiros de passageiros caíram 10,2% (dados da ACAP), após um período de quase completa paralisação das vendas, que não terminou com a reabertura dos stands no início de Maio, mês em que se manteve uma quebra fortissima.

Quanto aos indicadores qualitativos do INE relacionados com o consumo privado, a confiança das empresas do comércio a retalho manteve-se bastante baixa no bimestre Julho/Agosto (média inferior a menos 13), embora já bastante acima do mínimo da série registado em Abril, e as expectativas de realização de comporas impoortantes deram uma contribuição negativa.

O INE destaca que o consumo privado no território económico, refletindo a expressiva redução da despesa efetuada por não residentes, caiu 21,7% homólogos no segundo trimestre.

Os INE indica que a recuperação da procura turística em Julho, de uma redução de 85,2% nas dormidas em alojamentos turísticos em junho para uma queda de 68% em Julho, se deveu principalmente aos residentes, já que as dormidas de não residentes ainda terão caído 84,2% (menos 96,2% em Junho). O que terá influenciando negativamente o consumo privado no território económico.

Ainda na área da procura interna, no segundo trimestre, o investimento recuou 10,8%, com queda de 9,0% na FBCF. Em Julho, a produção industrial de bens de investimento caiu 13,9% homólogos (INE) e as importações de máquinas e outros bens de capital caíram 10,2% (INE), enquanto as vendas de veículos comerciais, ligeiros e pesados, baixaram 27,0% nos dois primeiros meses do terceiro trimestre (ACAP).

Em relação ao comércio internacional, os dados do INE indicam que, em valor nominal, as exportações portuguesas diminuíram 7,3% (menos 4,1% sem combustíveis e lubrificantes) e as importações recuaram 21,2% (menos 17,0% sem combustíveis e lubrificantes.

Do lado da oferta, o indicador de clima económico manteve valores prograssivamente menos negativos em Julho e Agosto, embora claramente abaixo de meses homólogos de 2019, mas o Incicador Coincidente para a Atividade Económica, do Banco de Portugal, tenha atingido um mínimo histórico em Julho, que não poderá ser interpretado como uma situação económica pior do que a vivida no período de confinamento.

A produção das indústrias transformadoras baic«xou 9,2% em Julho e as exportações diminuíram 7,3%.

Os indicadores aqui citados e os sinais cada vez mais evidentes de uma segunda vaga da pandemia, com uma aceleração progressiva dos novos casos de Covid-19 mesmo antes do regresso às aulas presenciais, leva a que as incertezas de qualquer previsão sejam muito grandes, sendo certas que a sua revisão será mais provavelmente no sentido da baixa.

As condições em que está previsto o regresso às aulas, sem redução de turmas e sem aumento significativo do número de docentes e de pessoal auxiliar, a falta de garantias até agora sobre uma melhoria dos transpoortes esciolares que minimize os perigos da Covid-19, poderão contribuir para uma reativação das infecções entre os mais jovens e, consequentemente, entre as famílias.

Fernando Valdez



Nota: uma intervenção minha bastante desastrada no software no computador e a dificuldade em resolver os problemas levou a que tivesse necessidade de formatar o portátil e reinstalá-lo, assim como a periféricos, encontrando-me sem PC quando sairam as contas trimestrais do INE.

Um encontro da família próxima no fim-de-semana, já programado há longo tempo, aumentou o atraso deste trabalho, tendo como única vantagem a divulgação de alguma informação mais recente.

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