Economia portuguesa cai menos intensamente em Julho

Publicado em 20/08/2020 13:25 em Economia Geral

Os dados já disponíveis indicam que a economia portuguesa caiu menos intensamente em Julho, ainda que a situação do emprego apresente uma acentuada tendência de degradação, de acordo com a Síntese Económica de Conjuntura, do INE.

Ainda com um número muito restrito de indicadores quantitativos para Julho, a tendência de desagravamento da evolução da economia vem principalmente dos indicadores qualitativos, baseados nas opiniões das empresas e consumidores, o que é coerente com a autorização de retoma de actividade na maior parte dos segmentos da economia.

O indicador de clima económico, que reflecte a confiança das empresas da indústria, comércio, construção e serviços recuperou em Julho, embora mantendo-se negativo, com menos 2,9% em média móvel de três meses (MM3M), recuperando do mínimo histórico de menos 4,3% atingido em Junho, mas o indicador de confiança nos consumidores diminuiu em Julho. Em valor mensal, o indicador de clima ficou em menos 4,4%.

O INE sublinha que a confiança melhorou, tornando-se menos negativa, nos quatro grandes sectores económicos, mas de forma mais expressiva nas indústrias transformadoras, cujo indicador se situou em menos 25,6% em MM3M.

Os dados revelam que o indicador de confiança nos serviços é que que mantém um saldo de respostas extremas mais negativo, situando-se em menos 49,6% em MM3M, depois de em Junho ter atingido menos 52,9%, uma situação que reflecte necessariamente a situação difícil nos subsectores do turismo, em particular do alojamento e restauração.

Os indicadores quantitativos já disponíveis para Julho são a venda de veículos automóveis novos, com diminuições significativamente menores nos ligeiros de passageiros e comerciais e aumento homólogo de 67,3% nos veículos pesados, invertendo a tendência de forte queda dos meses anteriores, uma melhoria no consumo médio de electricidade corrigido pelos dias uteis, com abrandamento da queda para menos 3,4% em Junho.

Pelo contrário, o INE indica que piorou em Julho a variação homóloga dos consumos de gasóleo rodoviário (menos 20,0%) e de gasolina (menos 19,5%).

Os dados do Ministério do Trabalho, citados pelo INE, indicam que no fim de Julho havia 382 milhares de desempregados inscritos nos centros de emprego, um aumento homólogo de 38,8%, e terá subido para 392,4 milhares até 12 de Agosto, um aumento de 39,0% face aos números do fim de Agosto de 2019.

A notícia mais positiva é que, segundo o Inquérito rápido e excepcional às empresas, do INE e do Banco de Portugal, na primeira quinzena de Julho 99% das empresas estavam em actividade, sendo a percentagem de 93% no alojamento e restauração.

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