Alemães vão dar este ano preferência a destinos de férias próximos

Publicado em 06/07/2020 14:30 em Economia Geral

O Deutsche Bank, o maior banco da Alemanha, prevê que neste Verão, com a ameaça do Coronavírus, os alemães vão privilegiar férias no seu próprio país ou em destinos nos países vizinhos, onde possam chegar de carro numa jornada, e evitar viagens de férias de avião.

O «research» do Deutsche Bank assinala que nos últimos anos quase quatro em cada cinco alemães fizeram viagens de férias de cinco ou mais dias seguidos, mas em Abril de 2020 um inquérito revelava que mais de 30% não tinham feito planos para as férias, 14% já tinham cancelado as férias de Verão e um pouco mais de um quinto tinha adiado reservas para as férias devido à pandemia.

O maior banco alemão diz que a redução de viagens em 2020 encontra justificações do lado da procura e do lado da oferta.

A recessão económica levou a aumento do desemprego e redução do rendimento das famílias e, nessas circunstâncias, os orçamentos para as viagens são afectados, alguns pais tiveram de usar parte das férias para cuidar de filhos durante o encerramento de escolas e jardins de infância e, em terceiro lugar algumas pessoas não estão com disposição para férias e não querem usar transportes públicos [em que se incluem os aviões] devido aos receios com a pandemia.

Além disso, os conceitos de férias mais populares não podem ser efectivados (ou estão limitados) em 2020 e as pessoas preferem não fazer férias este ano.

Do lado da oferta, pacotes de férias deverão ser cancelados devido ao escasso número de inscrições ou falência dos operadores, os voos para vários destinos turísticos deverão ser reduzidos ou cancelados devido à procura insuficiente ou restrições de viagens, além de que o ministério germânico dos negócios estrangeiros desaconselha viagens para fora da Europa este Verão, acrescenta.

O destino mais frequente de férias no estrangeiro (de pelo menos cinco dias) para os alemães é a Espanha (onde rumam quase 13%), seguido da Itália (mais de 8%).

No ano passado, quase três em cada quatro (74%) das viagens de férias de pelo menos cinco dias feitas pelos foram no estrangeiro (69% cinco anos antes), nomeadamente para destinos no Mediterrâneo (Espanha, Itália e Turquia), seguidas por Áustria, Grécia e França, e 26% escolheram destinos internos, observa o Deutsch Bank.

Observa que o automóvel foi perdendo importância como meio de transporte para o local de férias, de 55% em 2000 para 43% em 2019, enquanto o avião passou de 30% para 42% no mesmo período, mas estima que em 2020 as deslocações em carro próprio, onde há muito menos risco de infecção, representarão bastante mais de 70%, esperando também um aumento do cicloturismo.

O banco líder da Alemanha afirma que as pessoas querem claramente viajar e descobrir o mundo e prevê que, quando os riscos do coronavírus forem ultrapassados e depois eliminados, o turismo irá recuperar.

O turismo alemão, segundo dados publicados no «Travel BI», do Turismo de Portugal, ficou em no ano passado em terceiro lugar nas receitas geradas por turistas estrangeiros, com 1983,3 milhões de euros (10,8% das receitas do turismo), em segundo lugar no número de dormidas, que ascendeu a 5,874 milhões (12,0% do total de dormidas), e em quarto lugar no número de hóspedes, que ascendeu a 1,52 milhões (9,3% do total).

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