Portugal sétimo no Indicador Literacia Financeira da OCDE/INFE

Publicado em 30/06/2020 22:45 em Economia Geral

Portugal ficou em sétimo lugar entre 23 países no indicador Global de Literacia Financeira de Adultos no inquérito promovido pela Rede Internacional para a Educação Financeira (INFE) da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), revelou o CNCS.

O Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (CNCS) indica que Portugal, com 1480 participantes ficou em quinto lugar no indicador de atitudes financeiras, assim como no indicador de comportamentos financeiros e ficou em 16.º lugar na vertente de conhecimentos financeiros, no inquérito INFE/OCDE.

Portugal obteve 13,1 pontos no indicador global de literacia financeira, em 21 pontos possíveis, e ficou acima da média dos países participantes, que foi de 12,7 pontos.

Na avaliação de conhecimentos financeiros, Portugal obteve 4 pontos num máximo possível de 7 e ficou abaixo da média, que se situou em 4,4, adianta o CNCS português.

Nos temas relacionados com comportamentos financeiros, os portugueses conseguiram 5,9 pontos (num máximo de 9 pontos) e ficaram acima da média dos países participantes, que se fixou em 5,3.

Os 1480 participantes portugueses conseguiram 3,2 pontos em cinco no indicador de atitudes financeiras, acima da média geral (3 pontos), de acordo com o CNCS.

Nas questões sobre inclusão financeira, 89% dos portugueses conheciam pelo menos cinco dos chamados «produtos financeiros» (83% na média geral dos participantes) e 92% dos portugueses detinham uma conta à ordem, que compara com uma média geral de 70%.

Os supervisores financeiros nacionais assinalam que a percentagem de portugueses que detêm produtos de crédito (46%) e seguros (43%) é ligeiramente superior à média, enquanto nos meios de poupança e investimento surgem com 48%, ligeiramente abaixo da média (51%), segundo o CNCS.

Relativamente aos indicadores de resiliência financeira, que avaliam a capacidade de antecipar choques que afectem as finanças e reagir a eles, os resultados dos portugueses estão acima da média no controlo sistemático das finanças pessoais, na ponderação das despesas, no pagamento atempado das contas, na definição de objectivos financeiros de longo prazo, na não utilização de crédito e no tempo de cobertura das despesas em caso de quebra de rendimento, acrescenta.

No Indicador de bem-estar financeiro, os portugueses tiveram 8,8 pontos, em 20 possíveis, abaixo da média geral de 9,5 pontos, observa o CNCS.

A consulta dos resultados do estudo completo, revelam que na literacia financeira global lidera Hong Kong (China), com 14,8 pontos, seguido da Eslovénia (14,7 pontos), Áustria (14,4 pontos), Alemanha (13,9 pontos), Estónia e Indonésia, ambos com 13,3 pontos, surgindo a seguir Portugal.

Nos últimos lugares em literacia financeira surgem a Itália (11,1 pontos), Roménia e Colômbia (11,2), Montenegro (11,5), Macedónia do Norte (11,8) e Geórgia, Croácia e Hungria, todos com 12,3 pontos.

A amostra revela que 84,1% dos portugueses ponderam cuidadosamente as compras, o que os coloca em terceiro lugar, apenas atrás da Tailândia (94,8%) e da Moldávia (85,5%).

Quase um quarto dos portugueses (24,1%) indicaram que em caso de perda de rendimento a sua almofada financeira dura cerca de uma semana. No Montenegro são mais de metade (50,7%) a aguentar apenas cerca de uma semana, na Geórgia praticamente metade (49,8%), na Moldávia 47,3% e na Indonésia 46,0%.

Segundo o estudo, em Hong Kong (China) apenas 5,9% esgotam as reservas financeiras numa semana em caso de perda de rendimento, e só 9,6% dos italianos se pronunciam no mesmo sentido, sendo os únicos abaixo de 10%.

Em Portugal, um em cada quatro (25,1%) estima que pode resistir um mês a uma perda de rendimento, 14,5% cerca de três meses e 24,7% seis meses ou mais.

Com almofada financeira para seis meses ou mais surgem acima de Portugal Hong Kong (primeiro, com 55,4%), seguido pela Coreia do Sul (37,2%), Áustria (33,8%) e República Checa (26,8%).

Em média geral, mais de um terço (35,3%) dos respondentes indicam que no ano passado o rendimento não chegou para as despesas (35,3% em Portugal).

Indicaram que as despesas são superiores ao rendimento 62,4% dos inquiridos peruanos, 61,5% dos moldavos, 57,9% dos indonésios, 56,3% dos colombianos, 55.,7% dos georgianos, 50,4% dos búlgaros e metade dos tailandeses.

Dos respondentes portugueses, 45,1% (42,1% de média global) tendem a preocupar-se sobre o pagamento das suas despesas normais, quase sete em cada 10 (69,3%) preocupam-se com a possibilidade de o seu dinheiro não ser suficiente (40,3% de média global) e 53,4% dizem que apenas sobrevivem do ponto de vista financeiro (média geral de 36,9%).

Dos 1480 portugueses participantes, 63,5% dizem que poupam activamente, 48,8% que têm objectivos financeiros a longo prazo, 79,4% que controlam as suas finanças,89,1% que pagam pontualmente as contas, 84,1% que pesam cuidadosamente as compras e 90,1% garantiram que não contraíram empréstimos, embora 11,8% tenham pedido empréstimos informais.

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