Indicadores de clima económico e de Confiança consumidores recuperam

Publicado em 29/06/2020 18:59 em Análise de Conjuntura

Os valores mensais do Indicador de Clima Económico (que reflecte os Indicadores de Confiança no comércio, indústria, construção e serviços) e do Indicador de Confiança dos Consumidores recuperaram no mês de Junho, apesar de manterem a tendência de queda ao longo do segundo trimestre, revelou o INE.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), retirando Abril e Maio de 2020, o valor mensal de Junho do Indicador de Clima Económico foi o mais baixo desde Maio de 2013, o do Indicador de Confiança dos Consumidores o menor desde Abril de 2014, o Indicador de Confiança nas Indústrias Transformadoras o menor desde Junho de 2009, no Comércio o mínimo desde Abril de 2013 e na Construção e Obras Públicas assumiu o valor mais baixo desde Abril de 2017.

No caso do Indicador de Confiança nos Serviços, se excluirmos os dois meses anteriores, o valor mensal de Junho foi o mais baixo da série, iniciada em Abril de 2001, segundo o Inquérito Mensal de Conjuntura às Empresas e aos Consumidores.

Em média móvel de 3 meses (MM3M), isto é, em média dos 3 meses concluídos no mês de referência (que para o caso de Junho coincide com o segundo trimestre de 2020), usada para alisar os resultados, o Indicador de Clima e os cinco indicadores sectoriais de confiança continuaram a baixar entre Abril e Junho.

Em MM3M, o Indicador de Clima Económico teve em Junho o valor mais baixo (menos 4,4) da série iniciada em Janeiro de 1989 e o Indicador de Confiança dos Consumidores registou em Junho o valor mais baixo desde Dezembro de 2013.

Nos três meses terminados em Junho, o Indicador de Confiança nas Indústrias Transformadoras atingiu um mínimo da série iniciada em Janeiro de 1987, o Indicador de Confiança no Comércio situou-se no valor mais baixo da série começada em Janeiro de 1989 e o Indicador de Confiança nos Serviços o menor valor da série iniciada em Abril de 2001, enquanto o Indicador de Confiança na Construção e Obras Públicas desceu ao valor mais baixo desde Janeiro de 2017.

Os indicadores qualitativos, como é o caso dos indicadores de clima económico e de conjuntura aqui referidos, são extremamente úteis como indicadores coincidentes que são publicados em cima da hora, mas significativamente menos precisos do que os indicadores quantitativos, que reflectem com maior precisão a realidade, embora com maior atraso.

Os indicadores qualitativos baseiam-se em opiniões e expectativas dos interrogados, neste caso consumidores e responsáveis de empresas, que se pronunciam sobre como decorreu ou vai decorrer nos próximos meses a sua vida (consumidores) ou a sua actividade (responsáveis de empresas) com respostas como «melhorou», «piorou» ou «estabilizou» ou «aumentou», «diminuiu» ou «manteve-se», geralmente sem referência à intensidade da mudança.

Isto significa que em ocasiões de mudanças bruscas, em que alguns sectores praticamente pararam, outros reduziram ou mantiveram a actividade ou mesmo, pontualmente aumentaram, em sectores com peso económico muito desigual, seguindo se uma atenuação da queda, é difícil tirar conclusões para questões fulcrais como a dimensão da queda da economia.

Mas o facto de, em média móvel de três meses, estes indicadores terem continuado a descer em Junho e, em vários casos, atingirem mínimos das respectivas séries, sustenta a hipótese de que terá havido uma quebra muito acentuada da actividade económica e que 2020 será um ano de profunda recessão.

Mas só será possível ter uma primeira estimativa mais aproximada da verdadeira evolução da crise quando dispusermos de dados até Junho de indicadores fundamentais, como a produção industrial, o volume de negócios nos serviços e na construção, a actividade comercial interna e com o exterior, a actividade turística e o investimento, nomeadamente.



Fernando Valdez

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