FMI corrige em baixa queda do produto em 2020

Publicado em 24/06/2020 20:28 em Análise económica

O Fundo Monetário Internacional (FMI) corrigiu em baixa as suas previsões de queda do produto mundial, apontando hoje para menos 4,9% em 2020, uma significativa redução face aos menos 3,0% indicados em Abril, nas Previsões para Economia Mundial (WEO – World Economic Outlook).

As previsões de crescimento mundial em 2021 são agora de 5,4%, um pouco abaixo do aumento de 5,8% que apontava em Abril no seu cenário base.

Quer em Abril, quer na actualização do WEO divulgado hoje à tarde (hora portuguesa) o FMI alerta para a grande incerteza em torno dos riscos e da evolução da pandemia de Covid-19, com a possibilidade de haver uma recessão menos severa, mas também com «significativos» riscos de a queda ser mais grave do que o previsto.

O FMI antecipa agora para 2020 uma queda de 8,0% do PIB nos Estados Unidos (menos 5,9% em Abril), revendo também em baixa as expectativas para a zona euro, para menos 10,2% (menos 7,5% em Abril), enquanto para a China prevê um crescimento de 1,0% do produto, ligeiramente abaixo do WEO de Abril (1,2%).

O FMI espera agora para 2020 quedas do PIB de 7,8% na Alemanha (menos 7,0% em Abril), de 12,5% para a França (menos 7,2% em Abril), de 12,8% para a Itália (menos 9,1% em Abril) e igualmente uma recessão de 12,8% para a Espanha (menos 8,0% em Abril).

Antecipa uma redução de 10,2% no produto britânico (menos 6,5% em Abril), uma descida de 5,8% no Japão (menos 5,2% em Abril), uma queda de 8,4% no Canadá (menos 6,2% em Abril), e uma recessão de 6,6% na Rússia (menos 5,5% em Abril).

A actualização de hoje apenas apresenta previsões para as grandes economias e não inclui Portugal, para quem apontava em Abril uma queda de 8,0% n o PIB deste ano, que, perante as previsões em baixa para os principais países clientes de Portugal, só pode ter também uma revisão no mesmo sentido.

A consultora internacional IHS Markit avança também com perspectivas económicas devastadoras para o ano em curso: queda de 6,0% do produto mundial, com reduções de 8,1% nos Estados Unidos, de 8,7% na zona euro, e de 4,9% no Japão, com a China a crescer apenas 0,5%.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) antecipou em Junho que o PIB português caia 9,4% este ano se não houver uma segunda vaga da pandemia, caso em que a redução económica atingirá 11,3%.

O Conselho das Finanças Públicas português apontou em Junho para uma redução do PIB português entre 7,5% e 11,8% em 2020, enquanto no Boletim Económico de Junho, o Banco de Portugal aponta para uma queda de 9,5% do produto este ano, mas na análise de riscos destas projecções «sobressai a possibilidade de uma evolução adversa da economia».

Apenas as previsões de Primavera da Comissão Europeia admitiam uma recessão mais benigna para Portugal, apontando para uma queda de 6,8% do PIB nacional, ligeiramente melhor do que os menos 6,9% apresentados no cenário macroeconómico do Governo português recentemente divulgado no quadro da apresentação da Alteração ao Orçamento de Estado português.

Ora, tendo em conta as previsões de várias organizações internacionais que normalmente se pautam por uma certa prudência, os dados que vão sendo conhecidos para alguns sectores da economia, a evolução que se conhece da procura de bens e das economias dos principais países clientes, acrescido da última revisão de previsões apresentada pelo FMI, dificilmente as previsões do governo serão concretizáveis, sendo de esperar uma recessão ainda mais profunda.

A isto acresce uma mini segunda vaga da Covid-19, centrada em Lisboa e Vale do Tejo, mas que parece querer ter pequenas expressões, embora localizadas, noutras regiões.

Portugal é actualmente o segundo país da União Europeia com mais novas infecções por 100 mil habitantes e o facto de países da União Europeia estarem a pôr entraves à entrada de pessoas oriundas de Portugal torna mais difícil uma recuperação com algum significado de visitas de turistas estrangeiros.

E sabendo que o turismo representa cerca de um oitavo do PIB nacional e que uma parte expressiva é gerada pelo turismo estrangeiro, as perspectivas do governo ainda parecem mais distantes do realizável.

Fernando Valdez

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