Actividade turística com expressão praticamente nula em Abril

Publicado em 18/06/2020 21:55 em Análise económica

«Actividade turística com expressão praticamente nula» em Abril – o título do destaque do INE - Instituto Nacional de Estatística diz tudo.

Depois de uma queda para menos de metade em Março no número de hóspedes, número de dormidas e receitas totais do sector da hotelaria e alojamento, aqueles itens foram quase inexistentes em Abril: 60,1 mil hospedes, 2,6% dos quase 2,27 milhões de Abril do ano passado; 175,5 mil dormidas, 3% dos 16,67 milhões registadas um ano antes; e receitas de 5,7 milhões de euros, 1,7% dos 331,5 milhões de euros que o alojamento facturou em Abril de 2019, segundo dados do INE.

Apesar de nos dois primeiros meses de 2020 ainda ter havido crescimento da actividade turística, no primeiro quadrimestre os hóspedes, dormidas e receitas ficaram este ano em pouco mais de metade de igual período do ano passado e o primeiro semestre provavelmente não terminará melhor.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) salienta que o sector do alojamento em Portugal registou em Abril quedas históricas nos números de hóspedes e dormidas, que são extensivas a residentes e não residentes, mas ainda mais acentuadas nos clientes estrangeiros.

E o INE salienta que o perfil de estrangeiros que pernoitaram nos alojamentos turísticos nacionais em Abril foi diferente do habitual, observando que foram reportadas situações de hóspedes que ficaram retidos em Portugal sem possibilidade de regressar ao país de residência ou de pessoas que, por motivos profissionais, fizeram deslocações no país que as obrigaram a pernoitar fora da residência

Os dados do INE revelam que todos os 16 principais mercados emissores tiveram reduções de dormidas em Abril acima dos 95%, a maioria deles a partir dos 99%, sendo as quedas mais moderadas as dormidas de italianos (menos 95,9%), de brasileiros (menos 96,6%) e dos espanhóis e suecos (menos 98,5%).

Todas as regiões tiveram forte redução das dormidas totais, com máximos nos Açores (queda de 99,9%) e Madeira (redução de 99,1%), verificando-se a descida menos gravosa (menos 92,6%) no Alentejo.

Os proveitos do alojamento turístico atingiram no ano passado 4276,6 milhões de euros, cerca de 2% do PIB de 2019, o que significa que as receitas de alojamento serão menos de um sexto das receitas totais do turismo, que têm sido avaliadas em pelo menos um oitavo do PIB, o que significa que a economia nacional tem uma excessiva dependência de um sector com uma inevitável dose de volatilidade.

É difícil fazer estimativas sobre a evolução da procura turística de Portugal por não residentes, mas o actual ressurgimento da Covid 19 nas duas principais regiões de turismo do país (Lisboa e, agora, Algarve), que significam mais de 60% das dormidas de não residentes em alojamentos turísticos nacionais em 2019, pode criar novos entraves à almejada recuperação do turismo.

Acresce o facto de, segundo o Expresso vários países europeus estarem a proibir o acesso aos seus países ou a impor restrições à entrada de viajantes oriundos de Portugal, por o número de novas infecções por 100 mil habitantes durante uma semana estar em Portugal bastante acima do valor permitido por aqueles países.

Segundo o mesmo semanário, o Ministério português dos Negócios Estrangeiros considera que esses países estão a agir ao arrepio do acordado entre os países membros da UE e, se nada mudar, admite responder com reciprocidade [o que significa também não deixar entrar pessoas desses países].

Fernando Valdez

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