ACAP admite quebra 20% vendas ligeiros passageiros em 2020

Publicado em 05/06/2020 16:23 em Economia Geral

O secretário-geral da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, Hélder Pedro, admitiu uma quebra de 20% nas vendas de automóveis ligeiros de passageiros este ano, para cerca de 156 mil, considerando que um regresso a números de 2014 (142 mil) «seria muito negativo».

Hélder Pedro respondia a uma pergunta sobre a eventualidade de este ano as vendas ficarem em números de 2014, durante um webinar promovido pelo Stand Virtual e pela ACAP, em que recordou que vários países têm anunciado previsões de queda do mercado automóvel entre os 30% e os 35%, mas mais recentemente a França teve uma previsão menos pessimista, de 20%.

O dirigente da ACAP alertou para que neste momento ainda é muito difícil fazer previsões sobre as vendas futuras, que dependerão muito de medidas de incentivos à compra de automóveis, que a ACAP tem proposto ao governo português, mas que «tardam em acontecer».

Sublinhou o governo francês lançou dia 1 de Junho um plano de incentivos ao mercado automóvel, o alemão anunciou algumas medidas de apoio, mais à indústria do que ao comércio, e o executivo espanhol também está a ponderar.

Comentando uma pergunta sobre a hipótese de 12 mil despedimentos no sector automóvel, avançada pelo semanário Expresso, disse que a ACAP não vai neste momento quantificar despedimentos.

Recordou que aquele número é da responsabilidade da associação dos fabricantes de componentes para automóveis e referia-se à eventualidade de os fabricantes de automóveis não retomarem a procura de componentes, quer em Portugal quer na Europa, porque aquele é um sector fortemente exportador, que conta com meio milhar de empresas.

Sublinhou que o sector do comércio e reparação automóvel teve durante o estado de emergência um número de trabalhadores em lay-off muito próximo do que se verificou na hotelaria e restauração.

Hélder Pedro adiantou que em Maio de 2020, comparando com mês homólogo do ano passado, as vendas de ligeiros de passageiros caíram 74,7% e as de ligeiros de mercadorias recuaram 51%, ficando as vendas totais de ligeiros no mês de Maio em 7432 unidades, um decréscimo de 71,6%, observando que ao longo do mês passado a recuperação de vendas foi «muito ténue», como era previsível.

Adiantou que as vendas automóveis em Portugal estão em linha com as de Espanha, França ou Itália e de outros países da Europa Ocidental, embora na Europa de Leste os números estejam um bocadinho menos negativos.

O dirigente da ACAP indicou que o rent-a-car tem um peso de 27 a 28% no mercado português e habitualmente começava a activar neste período, mas houve uma paragem total, brusca, deste segmento, muito dependente do turismo e que é extremamente importante nas vendas de automóveis novos.

Hélder Pedro observou que um segundo problema é o dos stocks, que não costumam existir em Portugal, mas que actualmente tem um acumular de existências em Portugal, adiantando que a Itália tem neste momento 400 mil veículos em stock.

Outro orador, Daniel Rocha, referiu que em relação ao mercado de automóveis usados há alguns indicadores positivos de que a procura de usados se mantém e o interesse também, como indica o facto de a consulta da plataforma Internet Stand Virtual ter regressado a níveis pré-Covid e estar em máximos de seis meses.

As vendas podem não se estar a concretizar, mas os consumidores continuam interessados na compra de um carro, estão a consultar a plataforma e a consultar os comerciantes através dela, embora se desconheça os resultados desses contactos.

Indicou que na última quinzena o preço médio dos automóveis presentes no stand virtual está a aumentar, aparentemente pela retirada de automóveis mais baratos, que terão sido presumivelmente vendidos, e acrescentou que recentemente entraram na plataforma muitos carros com dois/três anos.

Luís de Sousa observou que estão em lay-off milhares de pessoas que normalmente compram marcas generalistas e previu que vamos assistir a um mercado de novos a duas velocidades: as pessoas com poder de compra estão a voltar à sua vida quase normal, o que se reflecte nas marcas premium, onde as vendas já estão numa velocidade razoável, ao contrário do que se passa com as marcas generalistas.

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