Redução sem precedentes em operações bancárias em Abril

Publicado em 27/05/2020 16:26 em Economia Geral

O Banco de Portugal revelou que em Abril, com o estado de emergência e medidas de confinamento em vigor, verificou-se uma redução sem precedentes na utilização de cheques e nas operações com cartão.

Em comunicado, o Banco de Portugal indica que ao longo de Março se verificou já um forte decréscimo nas operações com cartão, mas essa tendência reforçou-se em Abril e houve uma descida significativa e transversal nos restantes instrumentos de pagamento, com destaque para os cheques.

Adianta que em Abril se verificaram reduções homólogas (face ao mesmo mês de 2019) de 44,9% no número de operações com cheques, de 9,3% nos débitos directos SEPA e de 49,2% nas operações baseadas em cartão.

Apenas se verificaram no mês passado aumentos de 197,0% no número de transferências imediatas (quase triplicaram), mas o seu valor apenas cresceu 57,6%, e um acréscimo de 0,4% na quantidade de transferências a crédito SEPA, mas com uma descida de 1,0% em valor.

Em Abril, registaram-se quedas homólogas de 47,9% no valor de operações com cheques, uma redução de 15,6% nos débitos directos SEPA e uma queda de 28,8% nos montantes das operações baseadas em cartão.

O banco central adianta que em Abril os levantamentos em numerário tiveram reduções homólogas de 51,9% em número e de 28,8% em valor, com 117 milhões de operações no valor de 1,5 mil milhões de euros, não havendo registo de valores mais baixos nas últimas duas décadas.

As compras efectuadas no mês passado diminuíram 42,5% homólogos em número, para 60,9 milhões de operações (um mínimo desde Fevereiro de 2014), e caíram 39,7% em valor, para um montante de 2,4 mil milhões de euros, o mais baixo desde Fevereiro de 2015.

O Banco de Portugal revela que os sectores de actividade com maior proporção de compras em cartão tiveram retracções significativas em valor, entre 16% no comércio a retalho e 97% no alojamento, mas em valores absolutos o sector mais afectado foi a restauração, com uma queda homóloga de 354,4 milhões de euros, e o comércio a retalho, com uma redução de 316,3 milhões de euros face ao montante transaccionado com cartão em Abril de 2019.

Comparando Abril de 2020 com o mesmo mês de 2019, o montante de compras com cartão baixou 85% na restauração, 83% na administração pública, 81% na saúde e 60% nos produtos petrolíferos.

Quanto à evolução homóloga em Abril desagregada por subsectores do comércio a retalho, o montante pago em cartão aumentou 209% nos electrodomésticos, cresceu 109% nas frutas e produtos hortícolas, 67% nas carnes, 46% noutros produtos alimentares e 17% em supermercados e hipermercados, mas caiu 99% no vestuário para adultos, 53% nos «produtos novos», 49% nos combustíveis para veículos e 13% em material de bricolage e equipamentos sanitários.

No caso do vestuário para adultos, que em 2019 foi o segundo mais relevante, com o encerramento das lojas físicas em Abril passou de 155,3 milhões de euros em Abril de 2019 para 1,6 milhões de euros no mesmo mês de 2020.

O Banco de Portugal observa que, com a suspensão de viagens aéreas e fecho de fronteiras, o turismo quase paralisou e os levantamentos efectuados com cartões estrangeiros em Portugal baixaram para menos de metade, com uma queda homóloga de 67% em número, para 743 mil operações, e de 62,3% em valor, para 80,9 milhões de euros.

Quanto às compras com cartões bancários estrangeiros, a redução homóloga em Abril de 2020 foi de 86,6% em número, para menos de 6,1 milhões, e o valor baixou 87%, para 355,7 milhões de euros.

No entanto, em Abril 17,4% das compras foram efectuadas com cartão contactless, um aumento de peso face a Fevereiro, indica o banco central.

As compras Internet passaram de um peso no total de compras de 7% em número e 8,1% em valor em Fevereiro de 2020, para 11,2% em número e 10,8% do montante global de compras em Abril, acrescenta.

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