Telecom: receitas estáveis, descida preços com reflexos lentos na penetração Internet

Publicado em 25/05/2020 15:26 em Operadores / Serviços

A consultora e analista de mercados IDC prevê que o Covid-19 terá um impacto reduzido em 2020 nas receitas dos serviços de telecomunicações e televisão por subscrição a nível mundial, com uma ligeira redução global de 0,8%.

A consultora antecipa que a facturação anual de serviços dos operadores de comunicações se estabeleça em 1,57 biliões de dólares (1,44 biliões de euros) em 2020, com uma estabilização no continente americano, onde se verifica uma redução marginal de 0,04%, para 623 mil milhões de dólares (571 mil milhões de euros).

Prevê, ainda, uma redução de 1,2% na região EMEA – Europa, Médio Oriente e África, para 480 mil milhões de dólares (440 mil milhões de euros) e uma queda de 1,4% na região Ásia/Pacífico, para 471 mil milhões de dólares (432 mil milhões de euros).

A IDC sublinha que o sector de serviços de telecomunicações tem provado ser um dos mais resilientes à pandemia de Covid-19 e às restrições impostas por muitos governos, que confinaram as pessoas nas suas casas, aumentando o consumo dos serviços de telecomunicações.

No entanto, observa que o encerramento de sectores não essenciais, o aumento do desemprego, o congelamento da actividade turística e a redução do consumo de produtos e serviços não essenciais afectou o sector.

No segmento das comunicações móveis, o maior deste mercado, a redução das receitas de chamadas em roaming, menos consumo de dados móveis, devido ao confinamento, e crescimento mais lento de novos clientes deverá implicar uma pequena diminuição das receitas, segundo aquela analista de mercados.

A IDC espera que a receita nos serviços fixos cresça 2,9% este ano, devido ao grande incremento na procura de ligações de Internet fixa devido ao confinamento, nomeadamente pelo recurso ao teletrabalho.

A IDC prevê que as receitas de voz fixa continuem a diminuir no futuro, mas com um pequeno crescimento durante a pandemia, com as pessoas em casa a usarem o serviço fixo por razões de preço.

Entretanto, a última análise da União Internacional das Telecomunicações (UIT) indica que os preços das telecomunicações devem continuar a baixar regularmente em todo o mundo e, nalguns países, acentuadamente, sugerindo que, globalmente, os preços das telecomunicações e das tecnologias da informação irão ficando mais acessíveis.

A UIT, no relatório estatístico «Medindo o Desenvolvimento Digital» 2019, agora publicado, acrescenta não ser previsível que esta maior acessibilidade se traduza num rápido crescimento da penetração da Internet, o que sugere a existência de outras barreiras ao uso da rede das redes.

Houlin Zhao, secretário-geral da UIT, citado em comunicado, afirma que manter as comunicações e serviços digitais o mais acessíveis possível sempre foi importante para assegurar um acesso mais alargado à Internet, especialmente para as famílias e consumidores de mais baixos rendimentos, e isso é mais vital do que nunca com o Covid 19.

Acrescenta que as pessoas sem acesso à Internet têm mais dificuldade em aceder a informação sobre como se protegerem do coronavírus, e não têm acesso a teletrabalho, ensino remoto e ligação digital a familiares e amigos.

Mas a UIT salienta que a acessibilidade económica pode não ser a única barreira ao acesso à Internet, que é afectado por outros factores como baixos níveis de educação, falta de conteúdos relevantes na língua local, falta de competências digitais e baixa qualidade dos serviços de Internet.

A agência especializada das Nações Unidas UIT salienta que em 70 países um plano de fraca utilização de dados móveis estava disponível com um preço que representava menos de 1% do rendimento nacional bruto (RNB) médio por habitante e em 37 países por menos de 2% do RNB por habitante.

Considera que a descida de preços explica o rápido aumento da penetração da voz móvel, e sublinha que os serviços em pacote de voz e dados são mais baratos do que a soma dos seus preços e indica que o preço médio global de um pacote de voz com 1,5 Gigabytes (Gb) de dados baixou de 8,4% do RNB médio em 2019 para 3,2% em 2013 e, expresso em dólares, o preço caiu a uma média acumulada de 7% ao ano naquele período.

A UIT observa que os pacotes de comunicações que incluem serviços fixos são mais dispendiosos e os preços não desceram, embora as velocidades anunciadas de download na Internet fixa continuem a aumentar.

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