Informação já disponível revela forte contracção em Abril

Publicado em 20/05/2020 22:18 em Análise de Conjuntura

O INE indicou hoje que a informação já disponível para Abril, qualitativa e quantitativa, revela uma forte contracção da actividade, com os indicadores mensais de Abril do clima económico a atingir o mínimo e a registar a maior queda da série e o de confiança dos consumidores num mínimo desde Maio de 2013.

Na Síntese Económica de Conjuntura de Abril, o INE assinala que todos os indicadores de confiança sectoriais apresentaram quebras abruptas em Abril, em particular no caso dos serviços, com destaque para as Actividades artísticas, de espectáculo, desportivas e recreativas e para o Alojamento, restauração e similares.

Adianta que o Indicador de Confiança da Indústria Transformadora teve a maior quebra da série e atingiu um valor mínimo desde Abril de 2009, o Indicador de Confiança na Construção registou a queda mais intensa da série e recuou para o valor mais baixo desde Novembro de 2015, o Indicador de Confiança no Comércio atingiu um mínimo da série, tal como o Indicador de Confiança nos Serviços, que teve a maior queda e averbou novo mínimo da série.

Observa que a informação quantitativa de Abril revela que o montante global de levantamentos nacionais, de pagamentos de serviços e em terminais de pagamento automático (TPA) da rede Multibanco apresentou em Abril a diminuição mais intensa da série, caindo 38,6%.

O INE acrescenta que as vendas de automóveis ligeiros de passageiros diminuíram 87,0% em Abril, as de comerciais ligeiros reduziram-se 69,9% e as de veículos. pesados caíram 72,7%.

Ao nível da produção da indústria automóvel em Portugal, a ACAP – Associação Automóvel de Portugal revelou que a montagem de ligeiros de passageiros reduziu-se 94,8%, a produção de comerciais ligeiros caiu para zero e a de pesados baixou 98,5%, o que se traduziu numa quebra global de 95,7% nas unidades produzidas. Tendo em conta que a parte exportada é largamente superior aos 90% e que este é um dos principais sectores exportadores, os efeitos sobre as vendas ao exterior são bastante graves.

O INE indica que o enquadramento externo é bastante desfavorável, tendo em vista os principais indicadores qualitativos na União Europeia (UE) e Zona Euro.

O INE destaca que em Março o índice de Produção Industrial (IPI) baixou 7,2% (10,5% nas indústrias transformadoras), a produção na construção 3,5% e o volume de negócios industrial baixou 8,7% homólogos, enquanto os negócios nos serviços se reduziram caíram 13,6% e no comércio a retalho verificou-se uma contracção de 5,6%.

[Se tivermos em conta os indicadores qualitativos e o que já sabemos sobre a evolução em Abril, tudo indica que houve um agravamento significativo daqueles números.]

O INE indica que as dormidas de residentes baixaram 57,6% em Março e as de não residentes retrocederam 59,2%, mas admite que o facto de o Carnaval ter sido em 2020 em Fevereiro e no ano passado em Março, além da pandemia, as variações homólogas terão sido influenciadas por esse factor.

O consumo médio de electricidade caiu 13,8% em Abril, a maior redução de sempre da série, tal como os consumos de gasóleo rodoviário e gasolina, com quedas de 46,9% e de 58,4%, respectivamente.

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