ACAP espera que sector vendas automóveis reabra a 4 de Maio

Publicado em 23/04/2020 22:24 em Economia Geral

O secretário-geral da ACAP – Associação Automóvel de Portugal, Hélder Pedro, defendeu que o sector do comércio automóvel deve reabrir a 4 de Maio e manifestou a convicção de que isso acontecerá, indicando que a ACAP tem tido contactos com o Governo nesse sentido.

Numa conferência Internet organizada pelo Stand Virtual e pela ACAP, Hélder Pedro defendeu que, com o sector de comércio automóvel encerrado e as vendas muito reduzidas, em particular no segmento de usados, é preciso pensar desde já no pós encerramento para relançar a procura num sector que é o mais afectado a seguir à hotelaria e restauração.

Anunciou que a ACAP está a preparar e ainda hoje deve enviar aos seus sócios uma proposta, não vinculativa, de adopção de um conjunto de normas e regras que cumprem as recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e da Direcção geral de Saúde (DGS), que permitirão às empresas reabrir com segurança para trabalhadores e clientes.

Considerando positivas medidas como o lay-off simplificado, que, no entanto, tem falhas na questão do lay-off para sócios gerentes (muitos vivem só do ordenado e fazem descontos) e na inclusão das comissões dos vendedores de automóveis no cálculo do valor a pagar, o secretário-geral da ACAP sustentou a necessidade de medidas adicionais para o sector, como o relançamento de incentivos ao abate de veículos em fim de vida.

Defendeu que os incentivos ao abate deveriam aplicar-se para a compra de veículos usados até um certo número de anos, destacando que o segmento de usados tem estado completamente paralisado e tem sido o mais afectado.

Hélder Pedro revelou que a ACAP solicitou à Comissão Europeia que recomende aos Estados membros a adopção de incentivos ao abate de veículos em fim de vida e que destine para esse fim parte dos fundos que chegarão aos países, considerando que «isso era o ideal», e observou que mesmo antes da crise o parque automóvel em Portugal já estava a ficar envelhecido.

Indicou que quarta-feira abordou estes temas com a Secretaria de Estado dos Assuntos Fiscais e obteve a resposta de que vão analisar rapidamente a questão dos incentivos para a compra de veículos novos, mas há pouca abertura para considerar a compra de usados, que implicaria a saída de dinheiro do orçamento, em vez de só implicar despesa fiscal.

Hélder Pedro destacou que há três a ACAP propôs a suspensão do Imposto único de circulação durante o período em que os carros aguardam venda nos stands e agora reclamou que essa suspensão seja aplicada, pelo menos por um período de 60 dias, prorrogáveis.

O dirigente do sector salientou que as fábricas de automóveis fecharam em quase todas nos países da UE, como também aconteceu em Portugal, uma situação sem precedentes, algumas reabriram a seguir à Páscoa e o mesmo deve acontecer em Portugal no fim de Abril/ princípio de Maio.

Hélder Pedro indicou que a ACAP enviou terça-feira aos associados um documento bastante completo que dá resposta a um conjunto de dúvidas das empresas, nomeadamente sobre a legislação do lay-off simplificado, a possibilidade de derrogar pagamentos para a Segurança Social e de IVA e as moratórias de crédito para empresas, além da proibição de suspender linhas de crédito anteriomente negociadas com os bancos.

Indicou que sexta-feira deve ser aprovada uma linha de crédito sem juros para rendas comerciais e defendeu que parte das linhas de crédito 3 mil milhões de euros para o comércio e serviços devem ser a fundo perdido.

O dirigente da ACAP admitiu que depois de 4 de Maio muitas pessoas, por receio, evitem o uso de transportes públicos e optem pelo automóvel próprio, sobretudo nas horas de maior utilização de transportes. Indicou que poderá haver algum incremento da procura de automóveis, particularmente usados, por receio de utilizar transportes públicos

António Coutinho, presidente executivo do grupo M Coutinho, revelou que tem havido uma paragem total do mercado e desde a primeira declaração do estado de emergência até quarta-feira as vendas de automóveis caíram perto de 90%.

Indicou que o grupo que dirige tem actualmente quase 400 pessoas em teletrabalho e que, quando os stands do grupo reabrirem, irão cumprir e até exceder as medidas recomendadas, com marcações de espaços de segurança mantendo as distâncias, separadores em acrílico e portas abertas para que os clientes não tenham manusear os puxadores.

Os veículos para test drive serão desinfectados antes e, ou o cliente vai sozinho, ou ele e o acompanhante usarão máscaras, indicou, observando que é necessário dar confiança a todos de que as normas de segurança e sanitárias estão asseguradas.

Pedro Ferreira, responsável pelo crédito automóvel da Cetelem, recordou que há uma moratória que permite prolongar o crédito por seis meses e provavelmente haverá necessidade de uma segunda, mas apelou às empresas automóveis para gerirem bem essa moratória num contexto em que as vendas podem demorar a recuperar.

Indicou que os financiamentos que a Cetelem está a fazer incidem nos novos e semi-novos, por uma questão de gestão de risco de crédito, mas a situação deverá vir a voltar ao normal.

Nuno Troufa, director-geral da Santogal usados, garantiu que a empresa cumpre as regras da DGS, a preocupação é a segurança de trabalhadores e clientes e há também a preocupação em não adiar a entrega de carros, mas dando aos clientes garantias de que podem deslocar-se aos stands com segurança.

Sublinhou que a procura não tem sido grande, só está o online - que sempre foi uma aposta da Santogal, - a funcionar e mesmo assim o comércio por Internet está a sofrer uma quebra de 80% nos usados.

Pedro Soares, director do Stand Virtual, considerou que há exemplos interessantes de comércio online de automóveis em Portugal, mas o país está muito longe de casos como a Carvana, dos Estados Unidos, que vende mais de 200 mil carros com um processo totalmente online.

Os participantes salientaram que o recurso à Internet é usado principalmente para a escolha do carro mas a partir desta crise deverá haver alguma evolução, nomeadamente com um menor número de deslocações aos stands, que poderá ser apenas uma para assinar o contrato de compra e outra para ir buscar o carro, que muitas vezes poderá ser entregue em casa do cliente.

Mas é preciso dar aos clientes confiança e mais ferramentas para que haja mais recurso à Internet nas vendas, sublinhou Pedro Soares.

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