Na semana passada 4 em cada cinco empresas estavam em funcionamento, mesmo que parcial

Publicado em 15/04/2020 23:43 em Economia Geral

Na semana de 6 a 10 de Abril mais de quatro em cada cinco (82%) empresas nacionais mantinham-se em produção ou funcionamento, mesmo que parcial, 16% estavam temporariamente encerradas e 2% indicaram ter fechado definitivamente, segundo um inquérito do INE e Banco de Portugal.

O inquérito das duas instituições abrangeu um leque alargado de empresas, desde micro a grandes empresas dos diversos sectores de actividade, e revela que a proporção de empresas encerradas é inversamente proporcional à sua dimensão, verificando-se que há 27% das microempresas encerradas, mas a percentagem reduz se para 15% nas médias e 14% nas grandes.

O INE e o Banco de Portugal revelam que 37% das empresas em laboração indicam uma quebra superior a 50% no volume de negócios (as receitas são menos de metade) e 26% reportaram ter menos de metade dos trabalhadores da empresa a laborar.

O sector onde menos empresas mantêm o funcionamento é o do alojamento e restauração (apenas 38%), onde 7% das empresas afirmaram ter encerrado definitivamente, e o que tem maior percentagem de empresas em funcionamento (91%) é o da construção e actividades imobiliárias.

Quatro em dada cinco (80%) empresas (em funcionamento ou temporariamente encerradas) afirmaram que o Covid-19 implicou uma redução do volume de negócios, 5% que se traduziu num aumento e 15% dizem não ter sofrido impacto.

81% das micro e pequenas empresas dizem ter perdido negócio, o mesmo acontecendo com 80% das médias e grandes.

Por grandes sectores de actividade, perderam negócio 98% das empresas de alojamento e restauração, 86% nos transportes e armazenagem, 80% no comércio, 78% na indústria e energia e na informação e comunicação e 76% na construção e actividades imobiliárias.

Os grandes motivos para a redução do volume de negócios foram a ausência de clientes e as restrições decorrentes da pandemia, com mais de 40% a referirem também problemas na cadeia de fornecimentos.

Mais de três quintos (61%) das empresas indicam que tiveram uma redução de pessoal a trabalhar, uma percentagem que aumenta com a dimensão da empresa, sendo o lay-off simplificado o mais relevante para a redução do pessoal a trabalhar efectivamente, citado por 48% das empresas que referem essa redução (90% no sector de alojamento e restauração).

Só uma percentagem reduzida de empresas já beneficiou de medidas de apoio público para além do lay-off simplificado, mas 54% indicam que beneficiaram, ou planeiam beneficiar da suspensão do pagamento de obrigações fiscais e contributivas.

Quase metade das empresas diz só conseguirá manter a actividade até dois meses sem medidas adicionais de apoio à liquidez e 10% que não têm condições para a manter mais de um mês.

Nove em cada 10 empresas diz que manteve os preços praticados, nenhuma refere aumento grande, 2% pequenos aumentos, 3% diminuíram um pouco os preços e 5% dizem que reduziram muito.

Foram inquiridas 8883 empresas e o INE e Banco de Portugal obtiveram 4793 respostas válidas.

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