Portugal entra no «Clube» de produtores automóveis

Publicado em 11/02/2020 23:37 em Economia Geral

Portugal entrou no ano passado no «Clube» de produtores automóveis ao produzir 346 mil veículos, um aumento de 17% face a 2018, segundo números da Associação Automóvel de Portugal (ACAP).

Em conferência de imprensa, o secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, sublinhou hoje que Portugal ultrapassou este ano a produção de 300 mil veículos, limite acima do qual é geralmente aceite que os países passam a ser considerados produtor automóvel.

Indicou que, daquele total, 336 314 veículos, correspondentes a 97% das viaturas produzidas, destinaram-se a exportação, enquanto 9374 automóveis fabricados em Portugal foram vendidos no mercado interno.

A União Europeia (UE) absorve grande parte daquelas exportações, com a Alemanha a representar 23,3% dos veículos vendidos para países estrangeiros, a França 15,5%, a Itália 13,3%, a Espanha 11,1%, o Reino Unido 8,7%, a Áustria 3,9%, Bélgica 3,0%, a Suíça 2,5%e a Polónia e Holanda 2,2% cada, segundo a ACAP.

Os quatro maiores países clientes de Portugal, todos da UE, somaram mais de três quintos (63,2%) das exportações automóveis nacionais.

O secretário-geral da ACAP adiantou que a indústria automóvel, que fabrica veículos, reboques, semi-reboques e componentes para automóveis, factura 16 mil milhões de euros por ano, tem um emprego directo de 71 mil trabalhadores e é composta por cerca de 600 empresas.

Quanto ao sector de comércio, manutenção e reparação automóvel, tem um volume de negócios de 21,8 mil milhões de euros e emprega directamente cerca de 102 mil pessoas num conjunto de 31 mil sociedades e empresas em nome individual, acrescentou.

Hélder Pedro assinalou que desde 2015 o peso dos ligeiros de passageiros a gasolina tem vindo a recuperar e no ano passado representaram 49% das vendas de automóveis novos, um aumento de 10 pontos, enquanto as vendas de ligeiros de passageiros a gasóleo recuaram 13 pontos, para 40%. Dos restantes, 4,2% das vendas foram de híbridos eléctricos convencionais, 3,1% de eléctricos, 2,6% de híbridos plug-in e 0,9% de híbridos a gás.

Indicou que o parque automóvel total tem 48% de ligeiros de passageiros a diesel e metade a gasolina.

A Tesla foi a marca que mais veículos eléctricos vendeu (1979), seguindo-se a Nissan (1696), a Renault (968), a BMW (586), a Jaguar (540) e a Hyundai (526).

Hélder Pedro destacou que em 2019 foram importados 79 409 veículos usados, quatro quintos dos quais a gasóleo, com uma idade média de cinco anos e meio e uma cilindrada média de 1613 centímetros cúbicos, apresentando um crescimento constante desde 2012. Observou que entre 2010 e 2019 as matrículas de importados usados cresceram, 262%, isto é, multiplicaram-se por 3,6 vezes.

O responsável da ACAP indicou que a idade média dos ligeiros de passageiros em Portugal é de 12,7 anos (cerca de 1 milhão em circulação tem mais de 20 anos), e os pesados, quer de passageiros, quer de mercadorias, têm uma idade média que se aproxima dos 15 anos.

Adiantou que a idade média dos veículos entregues para abate foi superior a 22 anos.

O presidente do Conselho Estratégico da ACAP destacou que os automóveis a gasolina emitem mais anidrido carbónico (CO2) do que os a gasóleo, observando que quando os políticos falam mal do diesel a ACAP tem muitos argumentos a apresentar, mas as declarações de um ministro têm mais peso.

Adiantou que o problema não são os carros a gasóleo mas os diesel antigos, que emitem mais 80% de óxidos de azoto e mais 30% de óxidos de carbono do que os novos.

Relativamente ao programa Lisboa Verde, da Câmara Municipal, considerou que esse tipo de medidas não são confortáveis, mas o problema são os carros antigos e é preciso ajudar as pessoas a renovar o parque, nomeadamente com medidas de incentivo ao abate de carros velhos.

Aquele dirigente da ACAP afirmou que muitas pessoas que trocaram os automóveis a gasóleo por gasolina manifestam-se agora arrependidos depois de verem que estes têm um consumo superior.

O secretário-geral da ACAP, Hélder Pedro, salientou que o diesel emite menos CO2 e que a transição para veículos a gasolina está a aumentar as emissões de CO2 na União Europeia.

O presidente da Direcção da ACAP, José Ramos, observou que com tanta informação contraditória as pessoas estão desorientadas.

Defendeu que é necessário sabermos para onde vamos e sustentou que é necessário ter garantias de que as regras não vão mudar constantemente.

Os responsáveis da ACAP salientaram que os automóveis eléctricos são bons para as cidades, mas não para viagens em estrada e o ideal seria as famílias terem um automóvel eléctrico para as deslocações citadinas e um a combustível para deslocações mais longas, mas isso não é acessível para o português comum.

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