Receios segurança limitaram actividades Internet 44% cidadãos UE

Publicado em 16/01/2020 22:56 em Internet

Os receios de segurança limitaram durante o ano passado a actividade na Internet de 44% dos cidadãos da União Europeia (UE) na faixa etária dos 16 aos 74 anos, revelou um estudo do Departamento de Estatísticas das Comunidades Europeias (Eurostat)

O Eurostat indica também que 1% da população dos 28 Estados membros no universo considerado, o que significa 2% dos que utilizaram a Internet em 2019, sofreram prejuízos financeiros provocados pela usurpação da identidade online, por «phishing» ou por terem sido redireccionados para sítios Internet fraudulentos.

O inquérito do Eurostat sobre a utilização das tecnologias da informação e comunicação (TIC) em 2019 por cidadãos comunitários com idades entre 16 e 74 anos mostra que os receios com a segurança limitaram ou evitaram a comunicação de informações pessoais em redes sociais ou profissionais a um quarto dos cidadãos da União Europeia, percentagem de 25% que se aplica também aos portugueses.

Segundo aquele instituto de estatísticas, a França foi o país onde essa limitação foi mais evidente, com 40% dos franceses a indicarem esse comportamento, seguindo-se a Holanda (39%), a Finlândia (37%), a Suécia e Eslováquia, ambas com 36%, e a Espanha e Áustria.

Os menos preocupados com as informações pessoais em redes sociais ou profissionais foram os lituanos (6%), os húngaros e búlgaros (8%) e os croatas e romenos (9%).

A segunda maior causa de preocupação foi a utilização de Internet em hotspots Wi-Fi públicos, citada por 19% do universo considerado, mas apenas por 15% dos portugueses, para quem esta foi uma preocupação menor do que noutros serviços.

Os mais reticentes ao uso de Wi-Fi foram holandeses (37% dos inquiridos), seguindo-se os espanhóis (29%), os franceses e britânicos (25%), os alemães (24%) e os finlandeses e suecos (23%).

Os búlgaros e lituanos (3%) são os que dão menos atenção aos riscos da Wi-Fi pública, seguindo-se os gregos, cipriotas e croatas (4%), os letões (6%), os húngaros (7%) e os luxemburgueses (8%).

Quanto a evitar a importação de aplicações de música, vídeo, jogos e outros por preocupações com a segurança, 17% dos portugueses entre 16 e 74 anos evitaram-no ou não o fizeram, uma percentagem idêntica à média da UE.

Os números do Eurostat indicam que os finlandeses foram os mais prudentes neste domínio (38%), seguindo-se os espanhóis (28%), os holandeses (27%), os franceses (23%) e os suecos (22%).

Os mais despreocupados voltam a ser búlgaros e lituanos, a que se juntam os polacos, apenas com 3% a evitar essas práticas, seguindo-se os croatas (4%), os letões (6%) e os húngaros (7%).

Quanto à encomenda ou compra de bens e serviços por Internet, um em cada cinco portugueses (20%) limitaram ou não realizaram essa acção no ano passado por receios quanto à segurança, acima dos 16% de média comunitária.

Os mais reticentes foram os franceses (30%), seguidos pelos finlandeses e suecos (25%), dos espanhóis (24%), os holandeses e eslovenos (21%) e portugueses e austríacos (20%).

Os búlgaros (3%), croatas e lituanos (6%), polacos (7%) e húngaros e luxemburgueses (8%) foram os que manifestaram menos medo.

Mais de um em cada seis portugueses (17%) receia utilizar a banca Internet, uma percentagem que excede a média comunitária em quatro pontos percentuais.

Os dados do instituto estatístico das Comunidades Europeias indicam que os países em que a utilização da banca online suscita mais dúvidas de segurança são a Alemanha (21%), a Espanha (20%), a República Checa (18%), Portugal (17%) e a França, Áustria e Eslovénia (17%).

Na Bulgária e Lituânia só 2% manifestam preocupações em ir aos bancos pela Internet, na Letónia e na Roménia 3% e na Croácia e Finlândia 4%.

A utilização da Internet para contactar serviços públicos é a que levanta menos preocupação, com 8% de reticências tanto em Portugal como na média da UE. As maiores preocupações surgem na Eslováquia (19%), na Alemanha (15%), em Espanha (13%) e em França (10%).

Mais de um quarto (26%) dos cidadãos comunitários dizem já ter sido alvo de «phishing» (mensagens maliciosas, maioritariamente por correio electrónico, mas também em serviços de mensagens ou SMS, para conseguir dados pessoais, particularmente financeiros), percentagem que em Portugal desce para 14%.

Os mais visados por «phishing» foram os dinamarqueses (45%), os franceses, suecos e britânicos (39%), os holandeses (38%) e os alemães e finlandeses (36%).

13% dos habitantes da UE e 11% dos portugueses foram redireccionados em 2019 para sítios Internet fraudulentos, percentagens que se elevaram a 26% em Malta, 25% no Reino Unido, 20% em França, 17% em Espanha, 16% na Suécia e 15% na Dinamarca.

No ano passado foram vítimas de utilização fraudulenta de cartões de crédito ou débito 3% dos cidadãos comunitários (1% em Portugal), com maior expressão apenas no Reino Unido (7%), Dinamarca (6%), França e Hungria (5%), Malta (4%) e Espanha, Suécia e Luxemburgo (3%).

A perda de dados por infecções dos computadores pessoais foi declarada por 3% dos particulares (o mesmo em Portugal), apenas com mais expressão na Hungria (9%), Eslováquia (6%), Luxemburgo e Croácia (5%) e Malta e Bulgária (4%).

A pirataria de contas de redes sociais ou de mensagens electrónicas atingiu 2% dos inquiridos na UE e 1% em Portugal, mas teve expressão mais relevante na República Checa (5%), no Reino Unido e Malta (4%) e atingiu 3% em nove outros países.

Apenas 1% dos cidadãos da UE (o mesmo em Portugal) disseram ter sido vítimas de vítimas de usurpação de identidade em 2019, com percentagem de 1% ou inexpressivas na generalidade dos países, com excepção de Malta e Reino Unido, em que foram indicadas por 3% dos inquiridos.

A pirataria nas redes sociais e de mensagens está frequentemente relacionada com a usurpação de identidades, o que torna menos credíveis as respostas dadas em relação a esta última questão.

Um dado estranho é que só 1% dos cidadãos comunitários – o mesmo em Portugal se tenham sentido alvo da utilização abusiva de informações pessoais na Internet e que em quatro países (Grécia, Chipre, Lituânia e Polónia) tenha sido mesmo considerada uma percentagem não significativa (próxima de zero)

Bastará ver o número de vezes que os utilizadores recebem mensagens não desejadas, nomeadamente publicitárias, mesmo aqueles que rejeitam cookies e apagam diariamente (manualmente e quando fecham o navegador) as tentativas de intrusão e que dispõem de software de segurança, para podermos pensar que estes números são pouco credíveis.

Tal como, por exemplo, em relação ao phishing (que já surgiu a quase todos os Internautas), pode-se admitir que muitos dos respondentes não teriam literacia digital para reconhecerem algumas das ameaças, tendo em consequência respondido negativamente a perguntas do Eurostat.



Fernando Valdez

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