Estamos tão vulneráveis eleições britânicas e EUA como em 2016

Publicado em 07/11/2019 23:39 em Web Summit

A antiga directora da Cambridge Analytica, Brittany Kaiser, que denunciou o escândalo da manipulação das presidenciais norte-americanas pela empresa com dados do Facebook, defendeu na Web Summit que estamos tão desprotegidos nas próximas eleições dos Estados Unidos e britânicas como em 2016.

Numa intervenção e numa conferência de imprensa na Web Summit, a co fundadora da Fundação Own Your Data (seja dono dos seus dados), considerou que as pessoas não percebem que os dados são propriedade sua e não devem ser colectados.

Sustentou que é preciso mudar a situação e para isso são necessárias acções fortes e educação digital das pessoas para não se deixarem manipular, acrescentando que não se pode corrigir o passado, mas é importante proteger os dados que vamos produzir no futuro para protegermos os nossos filhos.

Brittany Kaiser disse que há uma nova indústria que se baseia nos nossos dados e que as grandes empresas não vão ter a iniciativa de proteger os dados dos seus utilizadores, por isso é necessária legislação nesse sentido.

A antiga directora da Cambridge Analytica disse que a maioria das pessoas não tem literacia digital e não identifica a desinformação e por isso são necessárias novas leis, especialmente eleitorais e de protecção de dados pessoais, e nova regulação que obrigue as plataformas digitais a adequar a sua actuação, para proteger a democracia.

Afirmou que, infelizmente, um grupo de grandes companhias tecnológicas, como o Facebook, não estão a tomar as decisões mais éticas.

Indicou que fez a maior parte da sua carreira profissional a trabalhar em comunicação política, mas também na comunicação de grupos defensores dos direitos humanos ou contra as alterações climáticas.

Acrescentou que o Facebook diz que continua a utilizar adds (publicidade) para encorajar as pessoas a registarem-se para votar [nos Estados Unidos as pessoas registam-se para poderem votar], mas diz que é altura de fazer uma pausa para proteger a democracia.

Brittany Kaiser disse que Mark Zuckerberg (fundador e CEO do Facebook) diz que não há correcções tecnológicas para isto e perguntou se vamos considerar que tudo o que dizem políticos desenfreados é digno de notícia e não será bloqueado.

Em relação ao Brexit, adiantou que a Cambridge Analitica foi parceira digital exclusiva de uma das campanhas do «leave», o plano era criar uma base de dados semelhantes à que a companhia tinha para os Estados Unidos, com perfis de inúmeras pessoas, mas apenas fez a primeira parte até essa campanha decidir que não queria pagar à empresa, mas a campanha ainda usou informação recolhida.

Destacou que a situação foi muito semelhante nas eleições presidenciais dos EUA e no referendo britânico.

Brittany Kaiser garantiu que não se arrepende das coisas que fez quando saiu [da Cambridge Analytica] para dizer ao mundo como eram utilizados os dados do Facebook, acrescentando que infelizmente se dirigiu à imprensa antes de falar com as autoridades, o que permitiu que durante 10 dias não houvesse nenhuma intimação em relação às bases de dados e muita gente não soube a verdade do que se passava.

Observou que depois colaborou um ano e meio com as autoridades para não voltarem a acontecer coisas semelhantes.

Salientou que há uma parte importante da história que aconteceu antes de ela entrar na empresa se quisermos perceber melhor a recolha de dados do Facebook, mas se estamos a falar do que aconteceu em campanhas eleitorais de muitos países estamos a falar do que aconteceu nas presidenciais dos Estados Unidos.

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