Q-Day aborda Inteligência Artificial e Modelação

Publicado em 16/09/2019 10:35 em Software

A tecnológica portuguesa Quidgest realiza na próxima quarta-feira, 18 de Setembro, na Culturgest, em Lisboa o seu evento anual Q-Day, em 2019 dedicado à inteligência artificial e modelação.

Em encontro com a imprensa, João Paulo Carvalho, sénior partner da Quidgest considerou que só poderemos começar a ter medo das máquinas quando houver máquinas com o conhecimento e a versatilidade dos humanos.

O responsável da Quidgest adiantou que as redes neuronais são um conjunto de máquinas de inteligência artificial que vão tomando decisões, com margem de erro, mas para evitar resultados desastrosos a longo prazo é necessário introduzir objectivos éticos e de conhecimento, representados por modelos.

Defendeu que as decisões dicotómicas são muito perigosas porque há questões que não são consideradas e, por isso, a IA deve ter por trás uma modelação pelo conhecimento para reduzir esse risco.

João Paulo Carvalho sublinhou que há uma série de coisas da Inteligência Artificial falhadas sobre as quais deveria haver uma reflexão e relembrou o caso dos dois desastres recentes de um modelo de aviões Boeing, com centenas de mortes, devidos a uma implementação inadequada da Inteligência Artificial.

O responsável da Qudgest afirmou que a produção de software continua a ser mão de-obra intensiva e as empresas de software têm grandes equipas, há centenas de linguagens de programação, numa altura em que a Europa tem uma enorme carência de desenvolvedores de aplicações e outros profissionais de tecnologias de informação (TI).

João Paulo Carvalho salientou que a Quidgest utiliza a Inteligência Artificial na plataforma Génio para automatizar a escrita de código de compilação de software com base no desenvolvimento feito por programadores, o que torna muito mais rápida a produção de software requerendo menos programadores e aumentando a produtividade.

Citou um professor universitário norte-americano que diz que no futuro saber linguagem de programação será tão importante como é hoje saber grego antigo.

O primeiro painel do Q-Day tem exactamente como tema a questão sobre se o desenvolvimento de software precisa de mais inteligência e qual o papel da IA nesse desenvolvimento.

O último painel, sobre “Desenvolvimento sem código” e com a participação de professores e investigadores universitários, vai discutir como formar a próxima geração de criadores de software tirando partido de soluções suportadas por modelação e por IA e quais os desafios da investigação e formação em engenharia de software na nova era da Inteligência Artificial.

O segundo painel vai abordar “Histórias de sucesso com modelação e automação suportada por IA” e João Paulo Carvalho destaca aqui a intervenção de um especialista inglês que assessorou o governo da Jamaica na escolha de uma solução de gestão de recursos humanos na administração pública numa lógica de recursos partilhados.

Observou que se tratou de um projecto que valia alguns milhões de dólares e a que concorriam os grandes tubarões do sector e que a Quidgest ganhou apesar de não ter apresentado o preço mais baixo, mas porque era o que apresentava maior facilidade de adaptação à evolução.

No painel “You and AI [Inteligência Artificial, na sigla inglesa], we are moving the World”, serão discutidos os impactos económicos. sociais, culturais e ambientais da nova era de produtividade e inovação.

João Paulo Carvalho indicou que neste painel será apresentado um projecto de formação apoiada por um manual de instruções disponível em tempo real para resolver rapidamente problemas, a consciência do ponto de vista da física e da matemática e a inovação como propulsor empresarial.

No Q-Day serão atribuídos prémios de co-inovação a 15 entidades com projectos de inovação aberta que merecem ser divulgados.

No documento de apoio ao Q-Day, a Quidgest historia a evolução da IA nas últimas quatro décadas e considera que na actual fase da IA está a ser esquecida a representação de conhecimento complexo, sem a qual a IA não pode progredir em domínios como as ciências sociais, o urbanismo, a saúde ou o desenvolvimento de software.

Afirma que quarta-feira não será discutido o receio do domínio da máquinas sobre a inteligência humana, um cenário que pressupõe a passagem da IA para resolver problemas específicos (narrow AI, aquela com que hoje trabalhamos), para a IA que resolve os problemas que um humano resolve (Generic AI) e finalmente para uma IA que se reproduz sem intervenção humana (super AI), discussão que “apenas contribui para reacções primárias.

O documento alerta para que a IA na fase actual pode ter esquecido alguns desafios, algumas preocupações e domínios do conhecimento relevantes, recordando que o conhecimento é representado por modelos, que são uma concepção simplificada e útil da realidade e traduzem o que se sabe sobre essa realidade, mas numa geração de IA focada na aprendizagem e no algoritmo os modelos estão ausentes ou sub representados.

O Q-Day vai destacar necessidade de acompanhar o progresso da IA com a representação do conhecimento complexo, através de modelos e não apenas de algoritmos, dois conceitos interligados e não opostos.

à Quidgest defende que a ausência de modelo é uma opção perigosa, porque o modelo não é declarado, não é pensado, não é avaliado e baseia-se em estereótipos.

Acrescenta que a IA actual, com a relevância dada ao Machine Learnig, é probabilística, mas a inferência lógica, que já foi tratada pelo filósofos da Grécia antiga, é tão ou mais válida do que a inferência estatística. “A actual IA esqueceu e não usa a programação lógica”.

Observa que a actual IA lida com problemas que podem ser muito complexos, mas está focada em resultados simples, dentro de um leque de opções limitado, com respostas dicotómicas, rankings ou movimentos limitados, indicando que a condução autónoma não é excepção.

Para a Quidgest, “a ideia de que o IA são algoritmos de aprendizagem (Machine Learning) que não requerem modelos de conhecimento é tanto mais perigosa quanto é a a que está a ser passada às novas gerações de investigadores”.

E observa: “Sem modelos adequados por trás, a inteligência artificial tem todas as condições para resultar em Artificial Stupidity”.

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