UE: apenas duas de 14 redes sociais testadas protegem privacidade de menores

Publicado em 22/06/2011 23:40 em Destaques

Apenas duas (Bebo e MySpace) entre 14 redes sociais mandadas testar pela Comissão Europeia têm configurações de raiz que apenas autorizam acesso aos perfis de menores a pessoas constantes de uma lista de contactos aprovada.

Em comunicado, a Comissão Europeia (CE) indica que só quatro redes sociais (Bebo, MySpace, Netlog e SchuelerVZ) garantem de raiz que os menores apenas podem ser contactados por amigos.

A CE adianta que a maioria das redes sociais testadas fornecem aos menores informações de segurança adequadas à sua idade, respondem aos seus pedidos de ajuda e 12 delas (com excepção do Rate e Zap) vedam a pesquisa dos perfis de menores a partir de motores de busca externos.

Dez das 14 redes sociais estudadas permitem que «amigos dos amigos», isto é, potenciais estranhos, que não têm uma ligação directa com as crianças, e/ou não amigos contactassem os menores através de mensagens pessoais e/ou comentários nos seus perfis públicos.

A Comissão estima que 38% dos jovens entre os 9 e os 12 anos que utilizam Internet acedem a redes sociais, percentagem que se eleva a 77% na faixa etária dos 13 aos 16 anos.

O inquérito UE KidsOnline, efectuado no início de 2011, indica que 56% dos jovens de 11/12 anos e 78% dos de 15/16 anos dizem saber como alterar os parâmetros de privacidade do seu perfil nas redes sociais.

Neelie Kroes, vice-presidente da Comissão Europeia, citada no comunicado, considera «decepcionante saber que as redes sociais, na sua maioria, não garantem de raiz que os perfis de menores apenas estejam acessíveis aos seus contactos aprovados».

«Irei pressioná-los para que se comprometam de forma clara a corrigir a situação numa versão revista do quadro de auto-regulação que estamos neste momento a discutir. O objectivo não é só proteger os menores de contactos indesejados, mas também proteger a sua reputação online», observa Kroes.

«Os jovens não compreendem inteiramente as consequências de revelar demasiado das suas vidas pessoais online. A educação e a orientação dos pais são necessárias, mas é preciso acrescentar-lhes protecção até os jovens poderem tomar decisões com total conhecimento das consequências», acrescenta.

A Comissão Europeia considera que as crianças e os jovens necessitam de ferramentas de segurança que lhes permitam gerir de forma responsável a sua identidade online.

O teste das redes sociais indicou que 13 das 14 redes estudadas fornecem informações sobre segurança, orientações e/ou material educativo dirigido aos menores, sendo a única excepção o sítio Arto.

Indica que, em todas as redes sociais que as disponibilizam, as informações sobre segurança destinadas a menores são bastante claras e adequadas à idade, mas em muitos sítios ainda são difíceis de encontrar.

Este ano, 10 dos 14 sítios testados respondem aos pedidos de ajuda dos utilizadores, o dobro do que se verificava em 2010.

As redes Bebo, Facebook, MySpace, Nasza-Klasa, One, Rate e SchuelerVZ oferecem informações de segurança fáceis de encontrar e de compreender pelas crianças e pelos pais.

A Comissão prevê estudar ainda este ano mais nove redes sociais.

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