Operadoras móveis estão a cortar nas despesas, segundo a Wireless Intelligence

Publicado em 30/03/2010 13:08 em Geral

Receitas de comunicações móveis descem 5% em Portugal em 2009



As operadoras móveis de telecomunicações da OCDE têm vindo a cortar nos custos nos últimos 12 meses, nomeadamente na despesa de capital (investimento), para acomodar a queda de receitas decorrente da crise económica e de outras pressões do mercado, segundo um estudo da Wireless Intelligence, empresa analista do sector.



O relatório da Wireless Intelligence, que incide sobre os 30 membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE), revela que os custos operacionais das empresas de comunicações móveis baixaram para 60% das receitas no terceiro trimestre de 2009, que compara com 63% um ano atrás.



As despesas de capital (CAPEX) também se reduziram para 10% da receita no terceiro trimestre deste ano, abaixo dos 14% de um ano antes.



O relatório da Wireless Intelligence prevê que as receitas das operadoras móveis dos 30 países da OCDE baixem de 411 mil milhões de euros no ano passado para 408 mil milhões de euros em 2009, mas os cortes das despesas deverão permitir um EBITDA médio estável, na casa dos 33% das receitas.



A poupança das operadoras de telefonia móvel têm-se reflectido na redução de custos de estrutura, na contenção da subsidiação de terminais e cortes de despesas de marketing e publicidade, indica o estudo.



A Wireless Intelligence prevê que as receitas das operadoras móveis europeias desçam 4,3% este ano, para 36,5 mil milhões de euros, com reduções de 5% em mercados chave como o Reino Unido, Espanha, Portugal, Irlanda, Grécia e Áustria.



Acrescenta que países como a República Checa e a Polónia, que em 2008 apresentaram crescimentos a dois dígitos do mercado de comunicações móveis, vão apresentar este ano retracções igualmente a dois dígitos.



Pelo contrário, os mercados de comunicações móveis dos países desenvolvidos da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) estão a revelar uma grande resiliência e deverão crescer 4,3%, para um volume de receitas de 135 mil milhões de euros, e as três maiores operadoras móveis dos Estados Unidos deverão mesmo crescer a dois dígitos, indica o estudo.



O relatório alerta para que a tendência de corte nas despesas operacionais e de investimento das operadoras de comunicações móveis pode afectar o desenvolvimento das redes de nova geração.



A indústria enfrenta um dilema, porque precisa de investir na expansão da sua rede de terceira geração e no desenvolvimenbto dos serviços para ir ao encontro das expectativas dos consumidores e gerar receitas que compensem a queda no rendimento dos serviços de voz, mas ao mesmo tempo está a cortar nos gastos em marketing e no investimento, sublinha Joss Gillet, analista sénior da Wireless Intelligence.



A crise financeira, as flutuações cambiais e o abrandamento do consumo privado afectaram negativamente no último ano tanto as operadoras como os fornecedores de equipamentos de telecomunicações.



Joss Gillet observa que a saturação do mercado móvel nos países desenvolvidos, as pressões da regulação, as guerras entre concorrentes centradas no preço da voz e a previsão de lenta recuperação do consumo afectam as operadoras de telecomunicações.

Ainda sem comentários