Quatro em cinco portugueses compram online em sítios já antes utilizados

Publicado em 12/02/2019 22:38 em Internet

Quatro em cada cinco portugueses que compram na Internet tendem a fazer essas compras em sítios que já utilizaram anteriormente, revela um estudo da firma de estudos de mercado Kantar TNS, encomendado pelo operador de transportes Chronopost.

Em encontro com a imprensa, Carla Pereira, directora de marketing e comunicação da Chronopost em Portugal, revelou que o inquérito foi realizado em meados de 2018 em 21 países europeus, com 24 328 entrevistas a maiores de 18 anos que fizeram pelo menos uma compra online do primeiro semestre de 2018, dos quais 1034 portugueses, incidindo apenas sobre a compra de bens físicos pela Internet.

O inquérito revelou, ainda, que está a aumentar em Portugal a preocupação com a segurança de comprar na Internet, que há um número crescente de pessoas que utilizam smartphone para as compras electrónicas, embora o computador predomine, que as entregas gratuitas, meios de pagamentos disponíveis e saber a hora de entrega são factores de preferência na escolha das lojas, assim como é importante saber o nome da empresa que faz as entregas.

O estudo afirma que a reduzida taxa de penetração da Internet (71%) em Portugal, a terceira pior entre os 21 países estudados e abaixo dos 83% de média europeia, afecta o desenvolvimento das compras electrónicas nacionais.

As compras electrónicas de bens físicos (exclui serviços) representam 9,4% das compras totais de produtos pelos portugueses, abaixo da média europeia de 11,5%.

Carla Pereira sublinhou que os bens de moda foram adquiridos no ano passado por 49% dos compradores online, mais 5 pontos percentuais (pp) do que no estudo de 2017, 39% (mais 1 pp) compraram produtos de tecnologia e electrónica, 38% (mais 4 pp) compraram na Internet produtos de beleza/saúde, 35% (mais 2 pp) livros em papel, 31% (mais 5 pp) calçado e 20% DVD, CD de jogos vídeo em suporte físico.

As compras na Internet representaram 16,3% das compras totais dos portugueses no caso da moda, 14,3 na tecnologia e electrónica, 12,6% na beleza/ saúde, 11,7% nos livros, 9,1% no calçado e 6,5% nos DVD/CD/jogos vídeo.

Carla Pereira destacou a expressão que assumem já as compras online de frescos e bebidas, que representaram 15% (mais 4 pp do que em 2016) no ano passado, citando também a compra por Internet de comida pronta a comer (quente e fria), de refeições prontas a confeccionar e de produtos congelados.

A directora de comunicação da Chronopost destacou o crescimento da utilização de smartphones para compras online (54%, mais seis pontos percentuais), mas os computadores ainda lideram, com 72% a usarem portáteis e 47% computadores de secretária. Mais de um quarto (27%) usam tablets, com cada comprador a recorrer em média a dois tipos diferentes de dispositivos.

Mais de um quarto (27,6%) das compras online dos portugueses são feitas em lojas Internet estrangeiras, um aumento de 1,9 pp face a 2017 e acima da média europeia, de 19,1%, com a tecnologia e electrónica e a moda a serem ex-aequo os tipos de produtos mais adquiridos em sites situados noutros países.

Mais de quatro quintos (82%) dos que compram produtos por Internet já compraram pelo menos uma vez no estrangeiro, destacando-se entre os países estrangeiros onde os portugueses mais compraram online no ano passado a China (54%), o Reino Unido (48%) e a Espanha (40%).

O estudo europeu revela que em vários países do continente as compras em Estados vizinhos tem peso na escolha de compras no estrangeiro.

A directora da Chronopost adiantou que as principais razões para a escolha de compras Internet em sítios estrangeiros são o conseguir melhores preços (73%) e encontrar produtos não disponíveis localmente (37%), sendo a segunda a principal razão para começar a recorrer a lojas electrónicas do estrangeiro (54%).

As principais razões para os compradores online de Portugal deixarem de recorrer a lojas electrónicas no estrangeiro são os custos extra quando recebem as encomendas (para 39%), o processo de entrega demasiado difícil (30%), e a desilusão com os produtos 28%.

Mas Carla Pereira salientou que os portugueses estão a ficar mais receosos quanto à segurança das compras na Internet, uma vez que a quarta razão para deixar de comprar em lojas estrangeiras foram as dúvidas de segurança (23%), um factor que subiu 9 pp em relação a 2017.

Talvez por isso, os compradores optam por fazer as compras em lojas já anteriormente utilizadas, uma preferência manifestada por quatro em cada cinco, ao mesmo nível de 2017, e 15% em sítios onde nunca compraram mas que já conheciam.

Os principais meios de pagamento usados pelos residentes para as compras electrónicas são os digital Wallets (como Paypal ou Alipay), com 60%, o Multibanco (45%), os cartões de crédito Visa/Mastercard (25%), pagamento à cobrança na entrega (24%) e cartões de crédito/débito nacionais (20%), indica a sondagem.

Quase um quinto (19%) usam apps de pagamento móveis e 16% optam pela transferência bancária.

Carla Pereira salientou que os compradores por Internet valorizam as entregas grátis, terem na loja online uma descrição detalhada dos produtos, não terem valores não anunciados a pagar no acto da entrega, beneficiarem de devoluções grátis e terem garantida a opção por um dia e uma janela horária de uma hora para receberem a encomenda.

Outras questões são o poderem escolher entre vários locais de entrega do produto (casa, emprego, etc) e a rapidez de entrega e/ou entregas ao fim-de-semana.

Quase dois terços (64%) dos compradores, percentagem que se eleva para três em cada quatro (74%) no caso dos compradores frequentes, consideram importante ou muito importante saber antecipadamente qual a empresa que fará a entrega do bem, adiantou a directora da Chronopost.

Carla Pereira indicou que os compradores de bens na Internet valorizam a entrega no dia seguinte, informação em tempo real sobre o estado da entrega, a possibilidade de já depois da compra poderem fazer alterações à entrega e terem a opção de seleccionar o dia e a janela horária de uma hora para a entrega.

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