ACAP espera estabilização vendas automóveis em 2019

Publicado em 07/02/2019 21:59 em Notícias economia

A ACAP – Associação Automóvel de Portugal estima que as vendas de viaturas em Portugal estabilizem em 2019, aproximadamente ao nível do ano passado, indicou José Ramos, vice-presidente daquela Associação.

Em encontro com jornalistas, José Ramos indicou que as previsões da ACAP se baseiam em perspectivas macroeconómicas, incluindo a evolução da confiança dos consumidores.

Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, e José Ramos, criticaram a falta de uma visão estratégica dos governos sobre as questões do sector automóvel em Portugal.

O secretário-geral da ACAP afirmou que há um problema de fundo porque o governo não tem uma visão estrutural, é tudo imediatismo, e destacou que não há uma estratégia para a tributação automóvel até 2030.

Em relação à tributação autónoma (que incide, em sede de IRC, sobre ligeiros de passageiros comprados pelas empresas) «nunca tivemos dos nossos interlocutores uma visão estratégica da tributação dos automóveis» nos próximos anos e sobre a evolução do parque automóvel, observaram os dirigentes associativos.

Os dirigentes da ACAP recordaram que na reforma fiscal de 2007, o governo da altura subiu progressivamente o imposto de circulação (IUC) com o compromisso de que com as receitas obtidas iria reduzir o imposto sobre veículos para tornar a compra de automóveis mais acessíveis, promessa que nem aquele nem nenhum dos governos seguintes cumpriu.

José Ramos indicou que os governos decidem sem ter em conta as sugestões da ACAP e sublinhou que o IMT funciona muito mal e não tem capacidade de resposta, situação a que não será alheio o facto de ser tutelado por três ministérios diferentes.

Hélder Pedro exemplificou que as máquinas industriais que precisam de circular nas estradas levam meses para conseguirem uma matrícula para esse fim.

Os responsáveis da ACAP manifestaram preocupação com o grande aumento de importações usados, favorecido pelas exigências de Bruxelas há anos atrás para reduzir o imposto de matrícula sobre as viaturas usadas importadas, e indicaram que a relação entre importados usados e vendas de novos aumentou de 10,7% em 2010 para 33,8% no ano passado.

Hélder Pedro destacou que a maioria dos autocarros são usados importados.

Sublinharam que em 2018 as vendas dos ligeiros de passageiros usados importados cresceram 17%, para 77 241 veículos, e as de novos aumentaram apenas 3%, o que se reflecte em problemas de maior segurança, maiores emissões mas também no facto de ser Portugal a assegurar a reciclagem de automóveis comprados novos noutros países.

Hélder Pedro estimou que para reduzir em um ano a idade média do parque automóvel nacional (6,28 milhões de veículos) seria preciso abater 330 mil veículos e substituí-los por viaturas novas, o que pouparia 164 milhões de litros de combustível.

Os dirigentes da associação estão também apreensivos com a crescente e elevada idade média do parque automóvel em Portugal, que é de 12,6 anos nos ligeiros de passageiros, 13,8 anos nos comerciais ligeiros, 14,6 anos para os comerciais pesados e14,8 anos para os autocarros, o que se reflecte na enorme e crescente idade média dos veículos entregues para abate na rede Valorcar, que passou 15,6 anos em 2006 para 21,6 anos no ano passado.

Os responsáveis da ACAP recordaram que em 2009 foram abatidos 40 mil veículos em fim de vida trocados por novos com o programa de incentivos ao abate, que muitas marcas reforçaram com incentivos próprios.

Observaram que esses incentivos eram pagos pelo Orçamento de Estado (OE), mas agora a ACAP propôs que saísse do fundo ambiental uma verba para esse fim, mas o Ministério do Ambiente terá tido outras opções.

Interrogados sobre as polémicas declarações do ministro do ambiente sobre carros a gasóleo, consideraram que o ministro e as marcas automóveis coincidem nas preocupações com o ambiente, mas os construtores têm estratégias bem definidas para cumprirem os protocolos de Quioto e de Paris nos prazos previstos e os compromissos com as metas de redução de emissões.

Defenderam que da parte dos governos haja políticas de neutralidade técnica na redução de emissões e deixem para os construtores a definição das suas estratégias.

José Ramos considerou que, com o aumento dos automóveis eléctricos, os governos não vão prescindir da receita fiscal dos combustíveis (mais de 4500 milhões de euros, 3198 milhões de ISP e 1385 milhões de IVA sobre os combustíveis) e se perder nessas receitas irá procurar outas para compensar.

Em Portugal, os impostos sobre o automóvel geram quase um quinto (19,5%) das receitas fiscais, num total de 45151 milhões de euros, segundo os dados hoje divulgados pela ACAP.

Hélder Pedro reconheceu que o Brexit está a ser acompanhado com preocupação pelo sector, adiantando que no ano passado 10,7% das exportações portuguesas de veículos tiveram como destino o Reino Unido e as fábricas britânicas exportaram para a União Europeia (UE) mais de metade (52%) da sua produção.

Mais de um quinto (21,4%) dos automóveis exportados por Portugal foram para a Alemanha, 15,4% para França,,12,22% para Itália, 10,7% para o Reino Unido e 9,7% para Espanha.

Em 2018, Portugal produziu 294 mil veículos, um aumento de 68%, dos quais 97% para exportação, e as 577 sociedades da Indústria de veículos e componentes empregaram 63 mil trabalhadores (postos de trabalho directos) e facturaram 13,4 mil milhões de euros.

O comércio, manutenção e reparação de veículos automóveis e motociclos gerou 97 mil empregos directos e um volume de negócios estimado em 20,3 mil milhões de euros.

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