ACEPI quer 50 mil novas microempresas e PME na rota digital

Publicado em 01/02/2019 00:31 em Internet

O presidente da ACEPI – Associação da Economia Digital, Alexandre Nilo Fonseca, anunciou hoje a iniciativa ComércioDigital.pt que visa fazer entrar no digital 50 mil micro, pequenas e médias empresas (MPME) do comércio e serviços.

Em encontro com a imprensa, Nilo Fonseca adiantou que o programa «ComércioDigital.pt – Qualificar o Comércio e os Serviços para a Economia Digital» é uma parceria com a Confederação do Comércio e Serviços (CCP), é co-financiado pelo programa COMPETE 2000, tem a colaboração de associações empresariais, autarquias e outras entidades e é apoiado pelo Ministério da Economia e pela DNS.pt.

O presidente da ACEPI justificou a oportunidade do projecto num país onde quase três em cada cinco empresas têm presença digital zero.

O projecto visa promover a primeira presença na Internet de 50 mil MPME nacionais, dar lhes a conhecer as ferramentas de marketing digital e oferecer as oportunidades que o comércio electrónico propicia.

Assinalou que mais de 1400 milhões de internautas em todo o mundo fazem compras online, dos quais 500 milhões fazem compras em países estrangeiros, o que revela as oportunidades de negócio criadas para as MPME pela presença na Net.

O presidente da ACEPI revelou que a iniciativa inclui 150 sessões de informação e sensibilização até 2020, a criação de uma rede nacional de técnicos para apoiarem o esforço de transformação digital dessas empresas e a oferta gratuita por um ano de um domínio .pt registado, uma ferramenta de construção e alojamento de sites e caixas de correio electrónico.

A iniciativa é apresentada dia 6 de Fevereiro em Leiria com a presença do Ministro da Economia e dos presidentes da CCP e ACEPI.

Nilo Fonseca pretende que 2019 seja um ano importante para o desenvolvimento digital em Portugal, salientando que a transformação digital se está a verificar no Estado e nas empresas.

Recordou que a administração Pública e o sector público portugueses estão no topo mundial da oferta de serviços digitais e que Portugal tem boas infra-estruturas digitais e de comunicações.

Um estudo agora divulgado, promovido pela ACEPI e realizado pela consultora e analista de mercado IDC, baseado em dados de 2017, indica que o comércio electrónico total no país vale cerca de 75 mil milhões de euros, mais de 40% do PIB, um valor que Nilo Fonseca reconhece que integra o B2B e está altamente influenciado pelo facto de o Estado realizar obrigatoriamente por via electrónica praticamente todas as compras.

O B2B integra as transacções entre empresas e também destas com o Estado, e são estas últimas que determinam grandemente o seu elevado valor obtido.

O presidente da ACEPI adiantou que o estudo indica que em 2017 o comércio electrónico com consumidores (B2C) valeu 4,6 mil milhões de euros (mais 11,3% homólogos) equivalendo a 2,5% do PIB, e o B2B ascendeu a 70 mil milhões de euros (mais 11,1%), um valor que significa cerca de 38,1% do PIB.

A ACEPI prevê que em 2025 as transacções B2C tenham um valor de quase 9 mil milhões de euros, equivalente a 4,2% do PIB e as B2B mais de 131mil milhões de euros, o equivalente a 62,5% do produto.

O estudo IDC/ACEPI indica que em 2017 havia em Portugal mais de 7,6 milhões de utilizadores da Internet e 3,5 milhões de residentes a comprarem online, com destaque para a Grande Lisboa com 740 mil compradores através da Internet.

Observa que o telemóvel já é o meio mais utilizado para acesso à Internet, mas para as compras online o computador é o preferido. Apenas 3% dos que fizeram compras na Net em 2017 nunca usaram o computador, mas 38% indicaram nunca ter utilizado o telefone móvel e 18% nunca o fizeram num tablet.

O estudo revela que cerca de 45% dos que compram na Internet fazem compras tanto em sítios nacionais como estrangeiros, sendo o país a que mais recorrem a China. Alexandre Nilo Fonseca salientou que as compras em lojas online chinesas (um terço dos compradores nacionais fazem-no) são geralmente de baixo valor, mas o número de operações na China ultrapassou as do Reino Unido, que até há pouco tempo liderava.

Os produtos físicos mais comprados pelos portugueses nos últimos 12 meses foram o vestuário e acessório de modas (por 57% dos compradores online), telemóveis, tablets, pens e auscultadores (52%), equipamento informático (35%), livros em papel (34%), artigos para o lar (32%), perfumaria e cosmética (27%) e produtos alimentares e bebidas (21%).

Não fizeram nenhuma compra de distribuição online 44% dos que fizeram aquisições na Internet, 21% compraram apps móveis, 19% jogos digitais, 17% música digital, 13% software e 10% vídeos online ou em streaming, jornais e revistas digitais e livros digitais.

Os serviços mais comprados por Internet nos últimos 12 meses foram o alojamento (58%), bilhetes de transportes (47%) e bilhetes de espectáculos (35%).

A despesa média mais frequente com compras electrónicas situa-se entre os 10 e os 50 euros por transacção e cada utilizador de compras electrónicas gastou online em média 1317 euros no ano de 2017.

Os meios de pagamento mais utilizados são a transferência bancária, Multibanco, MB Net, cartão de crédito, PayPal e pagamento no acto de entrega.

O estudo revela que só 41% das empresas nacionais têm presença na Internet (sítios , redes sociais, etc) e apenas 16% fazem comércio electrónico, com um mínimo de 15% na pequenas empresa e um máximo de 35% nas grandes.

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