Vendas telemóveis tradicionais crescem há quatro trimestres

Publicado em 28/12/2018 00:02 em Equipamentos

As vendas de telemóveis tradicionais («feature phones») estão a crescer em comparação homóloga (face ao mesmo período do ano precedente) há quatro trimestres consecutivos e continua a ser um mercado de dimensão razoável, revelou a consultora e analista Counterpoint Market Research.

Aquela analista observa que esta evolução contrasta com a tendência de queda homóloga das vendas de smartphones que se verificou nos últimos quatro trimestres, com início no quarto trimestre do ano passado.

A consultora, num texto do seu analista Varun MIshra, adianta que há várias razões para a recuperação do segmento de telemóveis tradicionais, a primeira das quais é o tempo de duração da bateria.

Destaca que em países em desenvolvimento, como a Índia e Estados africanos, infra-estruturas básicas como a electricidade ainda não estão acessíveis a uma parte significativa da população.

Em zonas remotas sem electricidade, a população tem de usar estações de carregamento, como lojas que deixam carregar os telemóveis mediante um pagamento.

Observa que, nesses casos, a duração da bateria torna-se um factor importante para a escolha de um telemóvel tradicional, dado que nestes as baterias mantêm-se muito mais tempo com carga do que nos smartphones.

Também pelo maior tempo de duração da carga da bateria, os telemóveis tradicionais são usados por muitas pessoas como um segundo dispositivo só para chamadas, o que permite estar mais tempo contactável, indica a analista.

Acrescenta que, embora tenha havido uma tendência de migração para smartphones, para os utilizadores «não tech» que usam um telefone móvel pela primeira vez, para a população idosa que pretende facilidade de utilização, tal como para aqueles que têm reduzido poder de compra - e dada a fraca qualidade dos smartphones de entrada de gama, mais baratos e a maior robustez dos telefones tradicionais -, para muitos a melhor solução é um «feature phone».

Indica que com o surgimento de telefones tradicionais com tecnologia 4G que suportam as aplicações mais populares, como o WhatsApp, o You Tube ou o Facebook, esses dispositivos são suficientes para um segmento que não pretende passar para um smartphone.

O regresso da Nokia HMD contribuiu também para a evolução positiva das vendas de telemóveis tradicionais. O Nokia 3310 foi um êxito, já que a nostalgia da marca combinada com uma boa qualidade de construção levou a HMD ao segundo lugar de mercado naquele segmento.

A Counterpoint antecipa que, dada a baixa penetração do móvel em mercados emergentes, os telemóveis tradicionais continuarão a ser relevantes pelo menos nos próximos cinco anos, sendo os preferenciais para utilizadores com baixos rendimentos e que compram um telemóvel pela primeira vez.

E o facto de a tecnologia daqueles dispositivos estar a evoluir para o 3G e agora para o 4G, permite que aplicações e funcionalidades que eram exclusivas dos smartphones passem a estar disponíveis nos «feature phones», observa Mishra.

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