Guterres quer inteligência artificial seja usada para o bem

Publicado em 06/11/2018 02:53 em Web Summit

O secretário-geral das Nações Unidas, o português António Guterres, defendeu segunda-feira mecanismos que garantam que a inteligência artificial «é usada para o bem».

Falando em Lisboa na sessão inaugural da Web Summit 2018, Guterres preconizou plataformas que juntem governos, cientistas, académicos e sociedade civil para encontrar caminhos para acordar códigos de conduta e mecanismos para o bom uso da inteligência artificial.

Em particular, considerou que a possibilidade de uso de máquinas com inteligência artificial para matar pessoas «é politicamente inaceitável, moralmente repugnante e deve ser banido pela lai internacional».

Como secretário-geral da ONU, defendeu que as tecnologias devem maximizar o impacto positivo no bem estar das pessoas e do planeta e minimizar os riscos de mau uso.

Recordando a sua formação de engenheiro, Guterres considerou que o mais fascinante das tecnologias é que se movimentam a uma «velocidade warp», observando que 90% dos dados hoje existentes foram criados nos últimos dois anos.

Afirmou que a inteligência artificial ajuda hoje a comprar e vender acções ou na vigilância policial e isto cria enormes vantagens e impulsiona o crescimento económico em todo o mundo.

Mas salientou que nas próximas duas décadas as tecnologias criarão muitos empregos e destruirão mutos, sendo difícil saber quais serão em maior número, mas terá sempre impactos na coesão das sociedades e que a relação entre trabalho, lazer e outras ocupações mudará muito.

Defendeu a necessidade de um investimento massivo na educação, mas uma educação diferente, que nos ensine como aprender coisas, e considerou que não estamos a fazer o suficiente para nos prepararmos para estes desafios.

Para Guterres, a Internet dá voz a muitas pessoas, mas também é usada para violar a privacidade e há governos que a usam para oprimir, fazer censura e controlar as pessoas.

O secretário-geral da ONU diz que não foi a Web que criou populismos, tribalismos e polarização das sociedades, mas permite amplificar esses problemas e é preciso mobilizar todos para evitar a manipulação digital.

O primeiro-ministro português, António Costa, afirmou que a tecnologia, conhecimento e inovação podem reduzir as desigualdades e considerou que a humanidade enfrenta novos desafios globais que só podem ser ultrapassados pelo conhecimento e inovação.

O chefe do Governo assinalou que a Web Summit se manterá em Portugal nos próximos 10 anos, destacou que Portugal é um país aberto que gosta de receber pessoas de todo o mundo e considerou que ligar as pessoas de todo o mundo está no DNA português.

Costa disse que Portugal começou há 600 anos a ligar a Europa à África, à Ásia e à América.

O primeiro-ministro defendeu o investimento em Portugal, argumentando que o país tem talento, boas universidades, Internet de alta velocidade e um ecossistema de startups vibrante, e desejou que as empresas portuguesas durante estra semana encontrem parceiros e novos mercados e que façam um excelente trabalho na Web Summit.

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