Pai da Web considera privacidade um direito fundamental

Publicado em 06/11/2018 02:09 em Web Summit

O criador da World Wide Web, Tim Berners-Lee, responsável pela Web Foundation, considera que a privacidade é um direito fundamental pelo qual se deve lutar.

Falando segunda-feira na sessão de abertura da Web Summit, que decorreu ao fim da tarde, o «pai» da Web afirmou que o regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) europeu levou a que a conversa sobre privacidade mudasse em todo o mundo, defendendo que é preciso uma mudança de atitude.

Sublinhou que partilha muita coisa com outras pessoas, família, amigos, pessoas com quem trabalha, mas apenas com quem quer.

Recordou que a www começou em 1989, só tem cerca de 40 anos, mas agora toda a gente fala em apps.

Indicou que se tivesse de escolher uma coisa a sublinhar no projecto Web seria a universalidade, porque trabalha com qualquer hardware e sistema operativo, e é uma plataforma independente.

Tim Berners-Lee afirmou que as pessoas inicialmente esperavam uma grande coisa da Web, ligando toda a humanidade pela tecnologia, e sustentou que a humanidade ligada é mais pacífica e comunicativa.

Sublinhou que olhando hoje para trás há muitas coisas que correram mal, como as notícias falsas, as questões de violação da privacidade e manipulações e observou que toda a gente, governos, empresas, indivíduos, é responsável por tornar a Web melhor.

O pai da Internet que hoje conhecemos indicou que estamos quase no ponto em que metade da humanidade tem acesso à Internet, que deverá ser atingido em 2019, mas sustentou que temos a obrigação de olhar para as partes do mundo em que muitos não têm acesso ao online.

Revelou que a Web Foundation pretende um contrato para produzir mudanças positivas na Web e um desenvolvimento de valores que pensa ser útil.

Tim Berners-Lee afirmou que há 10 anos diria que a questão ética principal é manter a Web livre e aberta, não controlada por ninguém, mas hoje poem-se também outros problemas complexos, como a privacidade e os limites à liberdade de expressão na Internet.

Lisa Jackson, vice-presidente da Apple, indicou que trabalhou na Agências de protecção ambiental dos Estados Unidos na altura de Obama e viu um futuro cheio de esperança para fazer as mudanças necessárias para proteger o planeta.

Para Lisa Jackson, o ar que respiramos e o mundo que deixamos às nossas crianças não pertence a nenhuma ideologia, pertence a todos.

Acrescentou que agora, no papel de executiva de uma empresa, afirma que a Apple continua a apoiar o acordo de Paris sobre o clima, e disse que nos Estados Unidos se verificam retrocessos na salvaguarda do planeta, com o argumento de que proteger o ambiente é mau para os negócios.

«Estou aqui para vos dizer a todos, sem equívocos, que não há conflito entre um planeta saudável e negócios saudáveis», observou, acrescentando que «é uma falsa escolha que devemos rejeitar».

A vice-presidente da Apple recordou que a Apple, que é a empresa com, maior capitalização do mundo, nos últimos dois anos investiu 2,5 mil milhões de dólares em obrigações verdes, o maior investimento deste tipo realizado por uma empresa dos Estados Unidos, e tem uma política de todas as suas unidades utilizarem energias 100% limpas, o que significa que as lojas, centros de dados, escritórios e fábricas da multinacional usam energia limpa.

A executiva da marca da maçã indicou que muitos fornecedores da Apple se juntaram a este projecto e que a Apple investiu 300 milhões de dólares na China para este projecto.

Lisa Jackson sustentou que as empresas devem liderar o investimento na defesa do clima.

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