Tecnológica GMV apresenta carteira soluções de saúde

Publicado em 31/10/2018 00:13 em Tecnologias da Saúde

A tecnológica espanhola GMV apresentou hoje em Lisboa a sua carteira de soluções de saúde, baseadas em Big Data, Analytics e inteligência artificial (AI, na sigla inglesa).

Em encontro com jornalistas portugueses, Inmaculada Perez, directora de eHealth (saúde digital) da GMV, salientou que a transformação digital na saúde começou com o Big Data e Analytics que permitem analisar grandes volumes de dados a uma velocidade antes impensável.

Defendeu que a tecnologia permite uma medicina mais personalizada e resolver mais rapidamente problemas de saúde.

Inmaculada Perez salientou que na e-saúde o cidadão tem de dar um consentimento informado sobre que dados clínicos dá e a quem os dá, observando que os serviços de saúde ficam com uma «biografia» clínica do paciente, que inclui não só a história clínica como outros dados relevantes para a situação de saúde.

A directora de eHealth da GMV indicou que as soluções de saúde digital são omnicanal e ajudam na prevenção, prescrição, monitorização e tomada de decisões clínicas, com utilização de algoritmos de inteligência artificial para interpretar grandes e quantidades de dados do cliente, para garantir ao paciente tratamento personalizado.

Disse que as aplicações inteligentes servem para suporte ao diagnóstico, tratamento e monitorização, baseadas em algoritmos inteligentes,

A GMV apresentou um estudo que indica que mais de dois em cada cinco (41%) consumidores espanhóis já utilizaram aplicações de saúde, embora apenas 13% tenham acedido à sua história clínica electrónica.

O inquérito revela que os serviços de saúde digital que os espanhóis mais valorizam são o auto-cuidado, com realização de actividades para se manterem saudáveis (86% de respostas), lembrança da hora para tomarem medicamentos (84%), informação sobre uma enfermidade concreta (70%), visitas de controlo depois de uma hospitalização (69%) e monitorização dos indicadores de saúde (50%).

Outros serviços virtuais admitidos são a participação em terapias de saúde mental em grupo (55%), ou exames médicos para problemas de saúde não urgentes (56%).

Uma teleconsulta é uma consulta por internet, interactiva, com a participação de médico e doente e utilizando computadores com câmara vídeo e som.

Sobre as vantagens das teleconsultas, quase três quartos (73%) dos espanhóis inquiridos destacaram a adaptação aos horários mais convenientes para os doentes, 56% uma redução dos custos médicos, quase metade (49%) o oferecer uma atenção adaptada ao paciente e igual percentagem o permitir diagnósticos mais rápidos.

Inmaculada Perez precisou que para os médicos as maiores vantagens da teleconsulta são a optimização do seu tempo de actividade e reduzir as consultas desnecessárias, enquanto para os doentes são evitar deslocações ao estabelecimento de saúde e demoras de atendimento, porque as teleconsultas são feitas com horário previamente marcado.

Pedro Lopes Vieira, director de desenvolvimento do negócio GMV em Portugal, garantiu que a partilha de dados respeita o Regulamento Geral de Protecção de Dados (RGPD) da União Europeia (UE), pressupondo o consentimento informado dos doentes e um controlo da segurança dos dados que passa por uma rede privada virtual (VPN), dois níveis de firewall, auditoria, análise de risco e gestão de dados, com regras de controlo de acesso.

Pedro Vieira indicou que estratégia da GMV foi optar por produtos e soluções próprios complementares a outros que já existem no mercado, como o Radiance, o único sistema do mundo para planeamento de radioterapia intra-operatória (RIO), que aumenta a eficiência do processo e reduz a necessidade de radioterapia pós-cirúrgica em ambulatório.

Sublinhou que na área da tele-saúde a GMV desenvolveu oi«antari», uma plataforma inovadora de telemedicina.

A antari Cuidados Primários facilita o diagnóstico remoto combinando teleconsultas em tempo real e em diferido, disponibilização da história clínica electrónica e funcionalidades avançadas de planeamento da saúde.

A antari «Home Care» permite a monitorização e vigilância remota de doentes crónicos pluripatológicos e incorpora ferramentas avançadas de terapias e actividades, com geração de relatórios.

A antari TeleRehab dá resposta a novas áreas de terapêutica e permite realizar terapias de reabilitação remotamente.

A GMV indica que o projecto MOPEAD, para doentes de Alzheimer, tem foco no diagnóstico precoce da doença e identificação das terapias mais adequadas e está em curso na Alemanha, Espanha, Eslovénia, Holanda e Suíça.

Adianta que o projecto Harmony é o maior consórcio público-privado na Europa, centrado no estudo de neoplasias hematológicas, e conta com 53 parceiros de 11 países.

Luís Salavisa, director de Sistemas de informação do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, que inclui, entre outras unidades, o Hospital de Santa Maria, fez uma apresentação da evolução do uso de telemedicina naquele centro hospitalar.

Assinalou que a plataforma antari é muito intuitiva e fácil de utilizar.

Indicou que as primeiras consultas têm de ser presenciais no estabelecimento de saúde, mas os médicos, com acordo do paciente, podem a partir daí realizar teleconsultas com comunicação audiovisual interactiva, remotamente e em tempo real, com a presença do médico e paciente.

Luís Salavisa adiantou que o clínico identifica a necessidade de consulta e marca um dia e hora por correio electrónico ou SMS, o que implica que os doentes tenham um computador com câmara e som e com Internet e tenham competências para usar aquelas ferramentas ou alguém que os ajude a utilizá-las.

Precisou que o sistema deverá igualmente ser utilizado para prestação e acompanhamento remoto de cuidados de enfermagem.

Pedro Vieira revelou que a GMV, com sede em Madrid e presença numa dezena de países, emprega 1700 pessoas, 85% das quais com formação universitária em engenharia, física ou matemática, teve no ano passado um volume de negócios de 160 milhões de euros e actua nos sectores da aeronáutica e espacial, defesa, cibersegurança, saúde, sistemas inteligentes de transportes, banca, finanças e tecnologias da informação e comunicação.

A empresa iniciou a sua actividade pela área espacial, é número um mundial em centros de controlo de satélites para operadores de telecomunicações comerciais e responsável pelos sistemas de segurança crítica dos sistemas europeus EGNOS e Galileo.

Acrescentou que o produto da GMV Checker ATM security é líder mundial em cibersegurança para protecção dos caixas automáticos bancários.

Paulo Gomes, director de secure e-solutions da GMV em Portugal, revelou que a área aeroespacial representa cerca de metade da facturação da companhia e a saúde cerca de 5%.

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