Google suspende a sua rede social Google +

Publicado em 09/10/2018 17:08 em Internet

O Google anunciou segunda-feira a suspensão da sua rede social Google Plus (Google+) até Agosto de 2019, na sequência de em Março ter detectado um «bug», que julga ter decorrido de uma mudança no código do Google+ duas semanas antes.

Ben Smith, vice-presidente de engenharia do Google, afirma numa publicação no blogue oficial da companhia que a multinacional iniciou no princípio do ano em curso o Projecto Strobe, uma auditoria de controlo da privacidade dos dados dos utilizadores, para analisar o acesso a dados de contas Google e dispositivos Android a partir de aplicações desenvolvidas por terceiros.

O Google afirma que não pode identificar que consumidores foram afectados pelo «bug» detectado, mas concluiu que durante as duas semanas antes da correcção poderão ter potencialmente sido afectadas até meio milhão de contas Google+ e podem potencialmente ter tido acesso até 438 aplicações.

A companhia garante que os dados que poderiam ser acedidos incluíam o nome do utilizador, endereço electrónico, profissão, género e idade, mas não outros dados e serviços como «posts», mensagens ou números de telefone, e a auditoria não encontrou indícios de que algum desenvolvedor tenha abusado da API ou feito mau uso dos dados dos perfis dos utilizadores.

Ben Smith afirma que, no âmbito do projecto Strobe, uma das primeiras prioridades foi rever aprofundadamente as API (Interface de Programação de Aplicações), um conjunto de padrões de programação usado na construção das aplicações.

Smith afirma que, no âmbito dessa auditoria, o Google concluiu que há dificuldades significativas em criar e manter um produto Google+ que corresponda às expectativas dos consumidores e destaca a muito fraca utilização da rede Google+ pelos consumidores, com 90% das sessões a durarem menos de cinco segundos.

Ben Smith assegura que anualmente a empresa manda aos utilizadores milhões de notificações sobre problemas de privacidade e «bugs» de segurança e aplica critérios severos focados nas garantias para os utilizadores, nomeadamente verificando se há evidências de má utilização de dados.

Smith indica que uma segunda conclusão do projecto Strobe foi a de que os utilizadores pretendem controlos mais finos e efectivos sobre os dados partilhados com apps e que a Google vai optar por permissões mais finas para utilização de dados, que garantam permissão explícita para os vários dados em caixas de diálogo individuais.

O vice-presidente do Google explica que isto significa que, em vez de pedidos de autorização em bloco, as apps terão de mostrar individualmente cada pedido de permissão, uma de cada vez.

Exemplifica que quando uma aplicação pede acesso às entradas do calendário e a documentos do Drive, o utilizador terá de poder optar por fornecer permissão para um e não para outro.

A terceira conclusão da auditoria foi que quando os utilizadores dão acesso ao seu correio electrónico Gmail têm em mente certas condições de utilização e o Google vai limitar os tipos de uso.

Isso incluirá limitar as aplicações que podem pedir acesso a dados do Gmail, para que apenas aplicações que contribuam para melhorar o funcionamento Gmail possam ser autorizadas a aceder.

Assinala que a companhia está também a limitar o acesso aos dados de chamadas e SMS em telefones Android e que a loja Google Play vai limitar quais as apps que o poderão solicitar.

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