PIB abranda no I trimestre e procura externa dá contributo mais negativo

Publicado em 31/05/2018 21:56 em Análise económica

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) abrandou no primeiro trimestre de 2018, com a procura externa líquida (exportações menos importações) a dar um contributo mais negativo para o aumento da riqueza produzida e o aumento do consumo privado a evitar uma desaceleração mais acentuada, segundo dados do INE.

O INE revelou que nos três primeiros meses de 2018 o produto aumentou 2,1% em comparação com mesmo período do ano passado, face a um acréscimo homólogo de 2,4% tanto no último trimestre como no segundo semestre de 2017.

Em cadeia (face ao trimestre anterior) a riqueza produzida em Portugal progrediu 0,4%, também em desaceleração.

Embora seja ainda prematuro avançar com previsões de crescimento para o conjunto de 2018, que ainda está dependente da evolução de vários parâmetros quer a nível nacional quer internacional, como o turismo, a procura externa de bens, ou a evolução do emprego e dos salários, o aumento do PIB ficará provavelmente em 2018 no intervalo entre 2,0% e 2,4%.

A procura externa líquida teve um contributo mais negativo para a evolução do PIB (menos 0,4 pontos percentuais nos três primeiros meses deste ano, menos 0,1 pp no último trimestre de 2017), enquanto a procura interna aumentou o seu contributo para o crescimento, de 2,5 pontos percentuais (pp) nos últimos três meses do ano passado para 2,6 pp no primeiro trimestre.

Embora tanto o consumo privado como o investimento tenham acelerado ligeiramente, no caso do investimento isso deveu-se à variação de existências, uma vez que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) desacelerou para 4,7% (menos 1,2 pp) no primeiro trimestre de 2018, em grande medida devido ao abrandamento da FBCF em Construção (menos 5,6 pp, para 2,3%), que o INE sublinha poder estar relacionado com a chuva forte em Março.

Assim, a desaceleração só não foi mais pronunciada porque se verificaram ligeiras melhorias no consumo privado (apesar do menor acréscimo nas compras de automóveis novos) e no consumo público.

A evolução dos salários e do emprego e a descativação de verbas para investimento público que o ministro das Finanças continua a reter em nome do sagrado défice, vão ter alguma influência no crescimento que se verificar este ano.

Que depende igualmente da procura externa de bens e serviços, nomeadamente do turismo, do investimento privado, que serão seguramente influenciados por factores de política internacional, como a guerra comercial desencadeada pêlos Estados Unidos, as situações políticas em Itália e Espanha e as tensões político-militares no Médio Oriente.

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