Trabalhadores Google contestam colaboração com guerra

Publicado em 09/04/2018 23:43 em Geral

Milhares de trabalhadores da Google estão a contestar a colaboração da Google com um projecto do Pentágono, denominado Maven, que utiliza inteligência artificial (AI) alegadamente para tornar mais precisos os drones de ataque, segundo artigos publicados na Telecoms.com, por Jamie Davies, e no sítio Internet da Sophos, por Lisa Vaas.

A Telecoms.com revela que mais de 3 mil trabalhadores enviaram ao CEO da Google, Sundar Pichai, a pedir o fim da participação da Google no projecto Maven, que traz a tecnologia para o mundo da guerra.

Os trabalhadores recordam que a política da Google é de que a empresa ou os seus contratantes nunca construirão tecnologia destinada à guerra e deixam uma mensagem clara: «não queremos ajudar o governo a matar pessoas».

Davies salienta que os gestores da Google se comprometeram a que a tecnologia da empresa não seria usada em drones operacionais ou para armas, mas há outras formas para além destas duas para usar a AI para destruição, recordando que aqueles drones irão detectar veículos e outros objectos e monitorizar a sua movimentação, o que pode ajudar indirectamente em acções militares de potencial agressão.

A carta adverte que esta participação no projecto afectará irremediavelmente a marca Google na competição por talentos e a confiança do público na empresa.

A Sophos refere também a exigência de 3100 trabalhadores de que a Google deixe de colaborar com o projecto do Pentágono, um programa piloto que em última análise vai permitir maior precisão dos ataques com drones, e acusam a Google estar a trabalhar «no negócio da guerra».

Os subscritores recordam a Pichai que a companhia anuncia uma política de nunca produzir tecnologia para a guerra, pelo que deve retirar-se do projecto Maven.

«Acreditamos que a Google não deve estar no negócio da guerra. Portanto, pedimos que o projecto Maven seja cancelado e que a Google publicite e reforce uma política clara de que a Google e os seus contratantes nunca fabricarão tecnologia para a guerra», afirmam os subscritores da carta ao CEO.

Diana Greene, responsável pela infra-estrutura cloud da Google, garantiu que a tenologia não vai operar drones e não será usada para lançar armas.

Segundo Lisa Vaas, um porta-voz da Google afirma que a maioria das assinaturas foram recolhidas antes de a empresa ter explicado a situação.

Uma fonte da Google disse ao New York Times que a companhia está a trabalhar para desenvolver políticas e salvaguardas quanto ao uso da tecnologia.

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