Primeiro declínio nas vendas de smartphones

Primeiro declínio nas vendas de smartphonesPublicado em 15/03/2018 16:04 em Indústria

Os dados das consultoras e analistas de mercados IDC e Gartner indicam que 2017 foi o ano em que se verificou o primeiro declínio nas vendas de smartphones.

Mas enquanto a Gartner aponta para uma redução de 5,6% nas vendas no quarto trimestre do ano passado mas ainda com um crescimento anual de 2,7%, a IDC estima que as vendas baixaram 0,5% em 2017 face ao ano anterior.

A IDC aponta para 1,46 mil milhões de smartphones produzidos no ano passado e a Gartner vendas superiores a 1,53 mil milhões.

Ryan Reith, vice-presidente da IDC, assinala que 2017 foi o ano em que se verificou a primeira contracção nas vendas de smartphones e destaca que no mercado chinês as vendas baixaram 5% no ano passado e na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) diminuíram 3,5%, enquanto no mercado norte-americano estabilizaram.

Destaca que o mercado premium continua e deverá continuar a representar cerca de um quinto do total das vendas e que nos países emergentes há margem de crescimento com os que compram pela primeira vez um smartphone.

Anthony Scarsella, director da IDC, prevê que a procura de smartphones recupere, dinamizada pela apetência pelos telemóveis com inteligência artificial, AR/VR (realidade aumentada/realidade virtual), novas funcionalidades de quinta geração móvel (5G) e desempenho em geral, nomeadamente com melhorias de velocidade, processamento e autonomia das baterias.

A IDC antecipa que as vendas aumentem a um ritmo médio anual de 2,8% até 2022.

Aquela analista destaca que as vendas de smartphones com a plataforma Android estabilizaram no ano passado e que a coisa mais digna de nota é que os preços médios de venda de telemóveis com o sistema operativo da Google aumentaram pela primeira vez desde 2010, fruto de uma transferência de vendas da gama baixa para a média.

Quanto à Apple, cujas vendas tinham caído em 2016, recuperou no ano passado, ainda que o acréscimo não tenha ido além de 0,2%, segundo a consultora.

Quanto à Gartner, estima que as vendas de smartphones ainda aumentaram 2,7% em 2017, mas aponta para uma redução de 5,6% no quarto trimestre, para 407,8 milhões de unidades.

A Gartner aponta dois factores determinantes para a descida de vendas no último trimestre de 2017.

Anshul Gupta, director da consultora, assinala que a actualização de telefones tradicionais para smartphones de muito baixo custo abrandou devido à baixa qualidade destes últimos, o que leva os consumidores a preferirem, por um preço equivalente, comprar telefones tradicionais com uma qualidade superior.

Afirma, ainda, que muitos consumidores estão a optar por comprar modelos de qualidade superior e mantê-los durante mais tempo, alongando o ciclo de substituição dos equipamentos.

A Gartner estima que no quarto trimestre as vendas da Samsung baixaram 3,6%, mas a quota de mercado subiu, as vendas da Apple caíram 5,0%, mas a sua quota também cresceu marginalmente e as vendas da Huawei cresceram 7,6%.

A marca estrela no último trimestre foi a Xiaomi, com um aumento de vendas de 79,0%, que lhe permitiu ultrapassar a OPPO e conquistar o quarto lugar, quase duplicando a quota de mercado, para 6,9%, enquanto as vendas da OPPO caíram 0,4% e a sua quota melhorou marginalmente, segundo os dados da consultora.

A Gartner assinala que, apesar de a Apple dispor de três modelos novos, a disponibilidade tardia do seu novo produto estrela, o iPhone X, afectou negativamente as vendas do último trimestre.

Os dados da analista indicam que as restantes marcas, que não fazem parte do top 5, tiveram globalmente uma queda de 16,5% nas vendas no quarto trimestre e passaram a representar em conjunto menos de 40% do mercado, quando um ano antes pesavam 45,1%.

Só a Samsung e a Apple somadas representaram mais de 36% das vendas no último trimestre.

Outro factor a ter em conta na evolução das vendas de smartphones novos foi o surpreendente crescimento das vendas de smartphones usados recondicionados, que aumentaram 13% no ano passado, para cerca de 140 milhões de unidades, segundo as estimativas da analista de mercados Counterpoint Research.

A Counterpoint define os smartphones recondicionados como equipamentos usados que foram reparados e rejuvenescidos e que voltaram a ser colocados para venda, com a indicação de recondicionados.

A Counterpoint afirma que cerca de um quarto dos smartphones usados voltaram a ser vendidos no mercado e só uma parte destes foram recondicionados, assinalando que os preços desses dispositivos dependem muito da procura de um modelo específico e do número de equipamentos usados disponível no mercado.

Tom Kang, director da Counterpoint, destaca que os telefones recondicionados representam agora próximo de 10% das vendas de smartphones e o seu aumento pode ajudar a explicar a desaceleração das vendas de equipamentos novos.

Kang sublinha que o abrandamento na inovação leva a que telefones topo de gama com dois anos sejam comparáveis em design e funcionalidades com os novos smartphones de gama média.

Acrescenta que o mercado de gama média poderá estar a ser canibalizado por iPhones recondicionados e, em menor grau, por modelos Samsung Galaxy, que em conjunto representam mais de 80% das receitas do segmento de recondicionados, com larga dominância da Apple.

Peter Richardson, director da Counterpoint, salienta que o mercado que mais cresceu percentualmente em 2017 não foi o da Índia ou de outros países emergentes, mas sim o de recondicionados, e prevê que com a expansão de vendas de recondicionados as vendas de smartphones novos abrandem mais no ano em curso.

Richardson destaca que as regiões com maiores volumes de recondicionados incluem os Estados Unidos e Europa, embora os mercados com maior crescimento de vendas de telefones usados recondicionados incluam a África, a Índia e países do sueste asiático.

Destaca que operadores como a Verizon ou a Vodafone, fabricantes como a Apple ou distribuidores como a Brightstar oferecem serviços para os recondicionados que vendem.

Richardson observa que aquele mercado permite aos vários actores maximizar o valor de um dispositivo móvel e que, para muitos na indústria, a margem de um dispositivo usado ou recondicionado excede a margem deixada por um dispositivo novo.

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