INE apresenta duas novas estatísticas sobre turismo

Publicado em 07/12/2017 23:55 em Notícias economia

O Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentou hoje duas novas publicações de estatísticas do turismo, numa cerimónia em que foi assinado um protocolo de trabalho conjunto nesta área entre o INE, o Banco de Portugal e o Turismo de Portugal.

As novas publicações, que se referem a 2016, são as Estatísticas do Turismo Internacional e a Conta Satélite do Turismo.

O protocolo visa promover o desenvolvimento das estatísticas nacionais na área do turismo e a definição de uma visão estratégica para o seu desenvolvimento, levantamento das fontes de informação existentes nesta área e delinear uma abordagem conjunta entre as três entidades para identificação de novas fontes de informação e acesso a elas.

O protocolo constitui um grupo de trabalho, de presidência rotativa, com um elemento de cada instituição, que terá como missões definir uma visão estratégica sobre o desenvolvimento futuro das estatísticas do turismo, proceder ao levantamento das fontes de informação existentes na área do turismo, promover o diálogo sobre novas necessidades de informação naquela área, definindo uma abordagem conjunta e eficiente no acesso a novas fontes que sejam identificadas.

O grupo de trabalho deverá, ainda, promover a articulação entre as três instituições signatárias, evitando duplicações e redundâncias, nomeadamente através da partilha de informação, promover a disponibilização da informação para efeitos de análise e impulsionar a intervenção de outras entidades, sempre que tal se justifique.

Cristina Neves, directora do Departamento de Estatísticas Económicas do INE, indicou que o inquérito ao turismo internacional visa revelar as características da estadia, através de inquéritos por amostragem, aos turistas não residentes à saída de Portugal e aos turistas residentes quando reentram em Portugal, sondagens feitas com apoio das autoridades.

Salientou que os inquéritos na fronteira marítima são uma novidade e devem-se ao crescimento do número de navios de cruzeiro que entram em portos portugueses.

Cristina Neves observou que esses inquéritos visam a tipificação da viagem, se individual se em grupo, caracterização dos turistas (nome, idade, local de residência) data de partida, motivo da viagem e grau de satisfação numa escala de 1 a 10.

Além disso, a sondagem pede elementos sobre o valor despendido pelo agregado na preparação da viagem e durante a visita, adiantou.

Cristina Neves revelou que os gastos de não residentes (dados de 2016) por rubricas foram de 3 553 milhões de euros para transportes internacionais, 2 788 milhões de euros nos restaurantes e similares, 2 713 milhões de euros em pacotes turísticos, 2 645 milhões de euros em alojamento 1 284 milhões de euros em transportes regionais e locais em Portugal.

O gasto médio diário per capita foi de 95,7 euros.

A directora do INE adiantou que o alojamento privado pago se refere a alojamento informal, pela avaliação que os turistas não residentes fazem nas respostas aos inquéritos efectuados.

Cristina Ramos, directora do Serviço de Contas Satélite e avaliação da qualidade das Contas Nacionais, no INE, explicou que as contas satélites são um projecto das Contas Nacionais para responder às necessidades estatísticas de utilizadores mais exigentes, com maior detalhe das contas.

Revelou que a Conta Satélite do Turismo pretende saber com maior detalhe o peso do turismo, quem gasta, em quê e em que circunstâncias, nomeadamente em despesas características, como alojamento, restauração, transportes, agências de viagens ou serviços culturais, em produtos conexos, como artesanato, e em produtos não específicos, como produtos alimentares e medicamentos.

Cristina Ramos disse que a conta satélite aborda três áreas: o turismo receptor, o turismo interno, e outras componentes não mercantis, que inclui custos efectivos ou imputados de residências secundárias.

A directora do INE destacou como aspectos novos daquelas contas o impacto no PIB das despesas de não residentes, as despesas de turistas e excursionistas internos e o consumo colectivo do turismo, de serviços públicos não mercantis prestados pelas administrações públicas, incluindo autárquicas, a toda a colectividade, que ultrapassaram os 200 milhões de euros.

Indicou que Portugal é o segundo país da União Europeia (UE) em peso do turismo no PIB, a seguir a Malta, e o segundo a seguir a Espanha tanto em peso do turismo no VAB total como em peso do turismo no emprego total.

Sérgio Guerreiro, director coordenador da Direcção de gestão do Conhecimento do Turismo de Portugal, indicou que está a ser desenvolvido em Portugal um projecto de turismo sustentável económica, ambiental e socialmente.

O director do Turismo de Portugal definiu como pilares estratégicos do turismo valorizar a território, impulsionar a economia e trabalhar com as empresas do sector, potenciar conhecimentos usando a informação disponível, gerar redes conectadas e projectar Portugal como um país para viver e trabalhar.

Apontou como metas da estratégia até 2027 atingir os 80 milhões de dormidas, reduzir a taxa de sazonalidade do turismo, dos actuais 37,5% para 33,5%, e duplicar o número de trabalhadores do turismo com habilitações ao nível do ensino secundário ou superior.

Sérgio Guerreiro defendeu a necessidade de sensibilizar o sector para boas práticas ambientais, desenvolver um observatório do turismo sustentável e estudar a pressão turística nas cidades portuguesas, utilizando novas fontes de dados.

Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, recordou que Portugal deixou de fazer parte do ranking da Organização Mundial do Turismo (OMT) por insuficiente informação estatística e os novos inquéritos deverão permitir que Portugal volte ao ranking da OMT, situando-se no Top 20, quando estava em 35.º lugar quando deixou de constar dele.

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