Crescimento PIB deve ficar em 2,6% este ano

Publicado em 04/12/2017 19:37 em Análise de Conjuntura

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) português deverá ficar em 2,6% em 2017, mas os 2,7% também serão possíveis, analisando os dados para o terceiro trimestre divulgados pelo INE.

Basta um crescimento em cadeia (face ao período anterior) de 0,2% no quarto trimestre, que tudo indica ser plausível e ultrapassável, para o aumento da riqueza produzida em Portugal em 2017 atingir os 2,6%, de acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística.

E um aumento em cadeia de 0,6% no último trimestre, mais dificil mas possível, permitiria um crescimento de 2,7% no conjunto do ano em curso, enquanto só um menos provável acréscimo em cadeia igual ou inferior a 0,1% baixaria o aumento do PIB para 2,4%.

O bom tempo, que influencia positivamente a procura turística, e o significativo aumento de participantes na Web Summit em Novembro, nomeadamente de estrangeiros, levam a admitir que, dada a correcção de sazonalidade introduzida no cálculo do PIB, o aumento em cadeia não fique abaixo dos 0,2%.

De notar que em Outubro a produção industrial acelerou e as vendas do comércio estabilizaram e que as expectativas de actividade dos empresários da indústria, comércio e serviços para os três meses seguintes aceleraram até Novembro.

Os dados do INE revelam que o contributo da procura interna para o aumento homólogo do PIB acelerou no terceiro trimestre, para 3,3 pontos percentuais (pp), devido à intensificação do acréscimo do consumo privado (1,9% no segundo trimestre, 2,5% no terceiro), enquanto crescimento do investimento abrandou no mesmo período (de 10,1% para 9,6%).

A contribuição da procura externa líquida de bens e serviços foi negativa (menos 0,8%), com as exportações a crescerem 6,8% e as importações a aumentarem 8,1%.

No terceiro trimestre face ao segundo verificou-se um abrandamento tanto do aumento das exportações de bens (de 5,9% para 5,7%), como de serviços (de 13,9% para 9,9%), e uma aceleração das importações, tanto de bens (de 7,2% para 8,2%), como de serviços (de 6,3% para 7,8%).

Em relação ao investimento, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) em construção (que representou quase 47% da FBCF total) foi a que mais contribuiu para o crescimento de 8,9% da FBCF (11,1% no trimestre anterior).

De sublinhar que o impacto negativo no crescimento da FBCF do terceiro trimestre de 2017 das exportações de 36 milhões de euros de material militar para a Roménia em período homólogo do ano passado foi avaliado pelo INE em 0,5 pp, o que significa que sem esse efeito homólogo o crescimento da FBCF teria sido 9,4%.

No contexto analisado, o crescimento de pelo menos 2,6% em 2017 parece praticamente garantido, de 2,7% é ainda uma possibilidade.

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