PME com alternativa a factoring para anteciparem facturação

Publicado em 15/11/2017 01:00 em Internet

O banco BNI Europa e a tecnológica financeira (Fintech) edebex anunciaram que vão oferecer às pequenas e médias empresas (PME) portuguesas uma plataforma Internet que lhes permite venderem facturas ainda não cobradas.

Em encontro com a imprensa, as duas entidades sustentaram que esta plataforma oferece às PME nacionais uma alternativa de financiamento inovadora e vantajosa em relação ao crédito financeiro e ao factoring tradicional.

Pedro Pinto Coelho, presidente executivo do BNI Europa, destacou que muitas PME nacionais não têm capacidade para se financiarem e não são aceites pela banca para um contrato de factoring.

Xavier Corman, CEO da Fintech edebex e um dos três fundadores da empresa, salientou que um quarto das falências de PME em Portugal se deve a problemas de tesouraria e metade delas enfrentam problemas quando pretendem empréstimos bancários.

O CEO da edebex salientou que as empresas que vendem as facturas ficam livres da cobrança e dos riscos associados na parte que foi financiada, considerando que há um grande apetite das empresas por este tipo de solução. São aceites facturas emitidas por empresas a outras empresas, com exclusão dos organismos de Estado, e com um valor mínimo de 5 mil euros.

Indicou que a ebedex faz uma análise de risco do devedor e das facturas e em média as empresas que recorrem à plataforma recebem ao fim de 72 horas o correspondente aos valores financiados.

Corman indicou que o financiamento pode ir até 100% da factura e uma empresa que tenha 10 mil euros financiados receberá em média 9.625 euros, um valor que pode ser maior ou menor em função do risco do devedor, do valor da factura e do tempo que falta para o fim do prazo de cobrança, e observou que o custo poderá mesmo ser inferior a 2%.

Os responsáveis das empresas indicaram que, quando uma factura não é financiada a 100%, a parte não financiada será entregue, sem cortes, à empresa emitente quando a factura total é cobrada.

Indicaram que a edebex, com sede na Bélgica, está presente na Bélgica, França Luxemburgo e agora Portugal, uma opção que Xavier Corman explicou por ter um parceiro local e não haver nenhuma oferta semelhante em Portugal, o que representa uma boa oportunidade.

Corman revelou que a edebex trabalha com uma seguradora de crédito, que apoia a análise de risco do devedor, que também é feita pela companhia belga com base num algoritmo que desenvolveu.

O CEO da edebex destacou que esta oferta é muito diferente do factoring tradicional, que implica um contrato para cobrança de todas as facturas da empresa por um ou mais anos, enquanto nesta plataforma a empresa pode optar por colocar apenas uma ou mais facturas ou vender todas as facturas de um determinado vendedor, por exemplo. São aceites facturas emitidas para empresas portuguesas ou para empresas europeias.

O CEO da edebex sustentou que a tendência deverá ser para a cooperação entre os bancos e as Fintech, porque o desenvolvimento interno sai mais caro que essa colaboração, mas a edebex trabalha sobretudo com bancos de menor dimensão, porque nos grandes bancos há grandes resistências da sua estrutura, particularmente nos níveis intermédios.

Indicou que a companhia belga emprega o equivalente a três dezenas de pessoas na Bélgica, tendo em conta que alguns são part-time, entre os quais três portugueses a tempo inteiro.

Pedro Pinto Coelho salientou que o BNI Europa é um banco muito jovem, que tem uma infra-estrutura leve e conhece bem o mercado e vai fazer um esforço de divulgação da plataforma junto das PME, associações empresariais e firmas de contabilidade.

Indicou que a pequena dimensão do mercado português leva a que muitas Fintech não apostem no país, mas o BNI tem parcerias com um conjunto de startups tecnológicas.

O presidente executivo do banco destacou que muitas Fintech estão a redesenhar processos completamente do zero para encontrarem novos modelos de negócio inovadores e com uma abordagem distinta da habitual.

Revelou que já existem plataformas que concedem empréstimos quase imediatos a pequenas empresas, sem o tempo longo que um banco leva a aprovar empréstimos, recordando que empresas Internet como a Amazon e a Alibaba financiam as PME que colocam os seus produtos nas suas plataformas, o que obrigará a um reajustamento rápido dos grandes bancos.

Indicou que o BNI Europa também concede créditos muito mais rápidos, através de informação que os grandes bancos não estão preparados para tratar, e observou que o BNI Europa aposta em nichos de mercado que dificilmente serão atacados pelos maiores bancos.

Pinto Coelho previu que as soluções transfronteiriças online vão também afectar o negócio da banca tradicional.

Ainda sem comentários