81 mil pessoas na Web Summit 2017

Publicado em 07/11/2017 00:48 em Web Summit

O evento Web Summit, que hoje se iniciou em Lisboa, abrange cerca de 81 mil pessoas, entre participantes, jornalistas, e pessoas envolvidas na organização, como engenheiros, outro pessoal de apoio e voluntários, indicou hoje Paddy Cosgrave.

Na sessão de abertura, Paddy Cosgrave, CEO da Web Summit, empresa irlandesa que organiza o evento internacional de tecnologia, recordou que utilizando a app Web Summit se pode contactar com qualquer participante, desde o antigo vice-presidente norte-americano Al Gore até CEO de grandes empresas tecnológicos ou qualquer outro.

Recordou que as tecnologias têm impacto em tudo mas, além dos aspectos positivos, também suscitam questões profundamente preocupantes e indicou que a Web Summit irá debater os aspectos positivos das tecnologias mas também os seus problemas.

Cosgrave observou que aquilo que o evento vai discutir nos próximos três dias revela a importância das tecnologias no nosso mundo.

O secretário-geral da ONU, o português António Guterres, recordou que é um engenheiro e que acredita na importância da inovação e da ciência, mas advertiu que a inovação, a ciência e a tecnologia deve servir o bem de todos, o crescimento da economia e contribuir para a redução da pobreza e da mortalidade infantil.

Guterres apontou como principais desafios para o planeta as alterações climáticas, que provocam desastres cada vez mais frequentes e intensos, e o crescimento das desigualdades.

Recordou que os oito homens mais ricos do planeta possuem tanta riqueza como a metade mais pobre da população do planeta e preconizou uma globalização que seja sustentável, nomeadamente no plano do clima, e mais justa

Para o secretário-geral da ONU, a inovação, a tecnologia e a ciência podem estar do lado bom, com as tecnologias verdes e as inovações que permitam um crescimento sustentável cujos efeitos sejam distribuídos por todos.

Precisamos de ser capazes de olhar para o futuro e assegurar que a revolução tecnológica e científica serve o bem de todos e não cria exclusão. Advertiu, contudo, para o risco de o desenvolvimento tecnológico criar um grande aumento do desemprego.

Guterres alertou para que as tecnologias não são neutras, podem ter efeitos positivos ou negativos conforme a maneira como são usadas, considerando importante assegurar que a inovação é usada para o bem.

Advertiu, no entanto, que a reacção de combater a inovação «é estúpida» simplesmente porque não é possível travá-la.

O primeiro-ministro, António Costa, recordou que a história, a geografia e a cultura portuguesa tornam o país numa sociedade aberta e numa ponte entre diferentes culturas e considerou que Lisboa tem sido ao longo dos tempos local de encontro para pessoas de todo o planeta.

Disse que é uma honra para Portugal acolher a Web Summit e que para o primeiro-ministro é um orgulho a forma como o ecossistema das startups portuguesas e a sua capacidade de iniciativa, a inteligência e a sua criatividade e energia têm sido capazes de se transformar em novas oportunidades e ideias.

Em relação às pesadas multas que a Comissão Europeia aplicou recentemente a grandes multinacionais tecnológicas, a comissária da Concorrência, Margrethe Vestager, salientou que se as empresas têm êxito no mercado deve ser porque têm os melhores produtos ou serviços.

Afirmou que, como comissária da Concorrência, está preocupada com o que pode acontecer à democracia com o poder que alguns detêm e defendeu que a concorrência é um dos principais factores que geram inovação.

Para Vestager, é preciso ter a certeza de que todas as companhias pagam os impostos que são devidos porque se algumas não pagam estão a prejudicar o bem estar dos cidadãos e dos muitos que pagam todos os seus impostos.

Sustentou que graças aos cidadãos, há uma grande pressão para que as coisas mudem, para que haja transparência e todos paguem os impostos.

A comissária europeia afirmou que é preciso conhecer o potencial da tecnologia mas também as coisas más que pode trazer e, em relação á protecção de dados, disse que os reguladores têm de definir o que os algoritmos podem fazer e o que não podem fazer.

Nuno Sebastião, CEO e co-fundador da Feedzai, empresa portuguesa de inteligência artificial especializada na prevenção da fraude em vários sectores de serviços, defendeu que Portugal está hoje a ultrapassar novas fronteiras, com novas tecnologias, e a testar limites para construir um mundo melhor.

Indicou que a Feedzai defende um código de ética na inteligência artificial (AI) que promova o desenvolvimento da AI, a torne escrutinável e garanta que é correcta, verificável, que beneficia a sociedade e não é lesiva.

Passou uma mensagem do professor Stephen Hawking sobre a inteligência artificial em que Hawking assinala que não podemos prever o que pode acontecer quando as nossas próprias mentes são ampliadas pela AI.

Admitiu que talvez com as ferramentas desta nova revolução tecnológica sejamos capazes de corrigir alguns dos danos produzidos pela industrialização na natureza e de erradicar também a doença e a pobreza.

Advertindo sobre os riscos potenciais da AI, Hawking disse que é um optimista e espera que seja possível uma AI que preencha o seu potencial e crie um mundo melhor para toda a raça humana.

Os dados da organização indicam que estarão na Web Summit cerca de 60 mil participantes de mais de 170 países e mais de 2500 jornalistas.

Estarão presentes 1600 startups, 1500 investidores e mais de mil oradores.

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