Revisão em alta crescimento PIB não altera perspectivas anuais

Publicado em 07/09/2017 01:04 em Análise de Conjuntura

A revisão em alta do crescimento do PIB do segundo trimestre (para 0,3% em cadeia e 2,9% homólogos) não altera as perspectivas aqui traçadas de crescimento para 2017, com um provável um aumento anual do produto entre 2,4% e 2,8%, não sendo muito provável que exceda os 2,7%.

Se o produto trimestral estabilizasse na segunda metade de 2017 ao nível do segundo trimestre, o crescimento anual homólogo do PIB ficaria em 2,2%.

Os dados divulgados recentemente pelo INE permitem essas conclusões, mas uma análise dos principais indicadores apresenta alguns sinais contraditórios. Contudo, parece provável que não haja uma aceleração significativa do crescimento no próximo ano, não parecendo improvável um ligeiro abrandamento.

Para situar o panorama actual do PIB, desde o primeiro ano do século (2001) o PIB português teve um crescimento médio anual acumulado de 0,15% e desde 2002, ano de início do euro fiduciário, teve um aumento acumulado médio de 0,10% ao ano, dando razão às vozes (poucas) que alertavam para os riscos de a economia portuguesa entrar na zona euro, ficando sem política monetária e cambial própria, em particular com a excessiva valorização da cotação face ao euro com que aderiu.

É preciso também colocar em perspectiva a recuperação da Formação Bruta de Capital (investimento), depois de em 2016 ter batido no fundo. A menos que houvesse um aumento completamente inesperado do investimento no segundo semestre, este ficará claramente abaixo dos níveis registados entre 2004 e 2011 e a grande distância do verificado em 2007 e 2008.

Além disso, o INE refere que o investimento em material de transporte foi o que mais contribuiu para a aceleração da FBCF no segundo trimestre, num contexto de compra de frotas de carros de aluguer sem condutor na abertura de uma época turística que se antevia muito positiva, e do investimento em contrução, enquanto a FBCF em máquinas e equipamentos desacelerou entre o primeiro e o segundo trimestres.

A análise efectuada partiu de médias móveis de três meses para alisar os valores considerados e utilizou os índices brutos, não corrigidos de sazonalidade, efeitos de calendário e inflação, com excepção das vendas do comércio a retalho onde foram utilizados valores brutos deflacionacionados.

No caso da construção, os dados do INE revelam que a produção está hoje em cerca de metade do que era em 2010, uma situação que é extensível à construção de edifícios e às obras públicas, apesar de o primeiro semestre deste ano apresentar uma melhoria face a igual período do ano passado, particularmente no primeiro trimestre.

A produção industrial, particularmente da indústria transformadora, revela uma recuperação em 2017, mais forte nos últimos meses, mas as exportações de bens reduziram a sua taxa de crescimento homóloga no segundo trimestre para menos de metade da verificada nos primeiros três meses do ano, embora a taxa de aumento das importações também se tenha reduzido, ainda que com menor intensidade.

A contribuição da procura externa líquida para o crescimento homólogo do PIB manteve-se estável, em 0,1 pontos.

O consumo privado cresceu 2,1% homólogos no segundo trimestre, após 2,3% nos primeiros três meses do ano, devido à desaceleração na compra de bens duradouros, em particular do abrandamento da compra de automóveis pelas famílias. O indicador de confiança dos consumidores em níveis historicamente altos, apesar de uma ligeira desaceleração em Julho, permite prever um comportamento positivo da despesa das famílias.

O volume de negócios nos serviços teve um comportamento favorável no primeiro semestre do ano face a 2016 mas mantém-se ainda abaixo de 2010, ano de base 100 daquele indicador.

O turismo teve uma evolução favorável, com as dormidas na hotelaria a crescerem 9,6%, principalmente devido ao forte acréscimo da procura por estrangeiros, e as receitas totais da hotelaria subiram 18,9% no primeiro semestre.

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