Portugueses são quem menos compra online na UE

Publicado em 08/08/2017 00:50 em Economia Geral

O Eurostat estima que apenas 37,8% dos residentes em Portugal maiores de 18 anos e que utilizam a Internet por razões privadas fizeram compras na Internet nos 12 meses terminados no segundo trimestre de 2016, a percentagem mais baixa de toda a União Europeia (UE).

Os dados de uma sondagem promovida pelo Departamento de Estatísticas das Comunidades Europeias (Eurostat) a 28 100 pessoas nos 28 Estados membros da UE e na Noruega e Islândia em Abril/Maio do ano passado, revelam que a média dos maiores de 18 anos que fizeram compras de bens ou serviços na Internet no universo e no período considerado foi de 76,0% nos 28 Estados membros.

Os piores classificados a seguir a Portugal, mas todos acima de 40%, foram Chipre (43,8%), Hungria (47,2%) e Roménia (48,4%).

O Reino Unido encabeça a lista dos que mais compram na Internet, com 90,8% de consumidores residentes que utilizam Internet para fins particulares a comprarem bens e/ou serviços online, seguido da Alemanha (90%), França (88,4%), Áustria (87,2%), Luxemburgo (86,3%) e Irlanda (85,9%).

O estudo do Eurostat indica que 26,0% dos residentes em Portugal integrados no universo definido fizeram compras online a fornecedores localizados no país (mais 0,5 pontos do que em 2014, ano do inquérito anterior), 15,7% a fornecedores localizadas noutro país da União Europeia (igual a 2014) e 10,4% em países terceiros (mais 2,8 pontos do que no inquérito precedente), sendo que 0,4% desconheciam o país onde fizeram as compras por Internet.

Indicaram que não tinham feito compras online 62,2% dos inquiridos em Portugal com acesso próprio à Internet.

O inquérito revela que 6,9% do total de inquiridos em Portugal (que inclui os que não têm acesso à Internet para uso particular) fizeram compras noutro país da UE por meios que não a Internet.

Mais de metade (58,9%) do total de inquiridos em Portugal manifesta confiança no comércio e fornecedores de serviços (por via directa ou por Internet), um recuo de 2,6 pontos percentuais (pp) face ao estudo de 2014.

Embora com um aumento de 3,9 pp face a 2014, apenas 34,7% dos residentes em Portugal manifestam confiança nos mecanismos de garantia de produtos (sem recurso a tribunais ou entidades arbitrais), o que coloca Portugal no meio da tabela. A média da UE é de 46,8%.

A confiança dos portugueses nos tribunais para resolver questões de consumo é baixa, de 28,8%, embora tenha crescido 5,3 pontos em dois anos.

Os portugueses que confiam na segurança dos produtos que adquirem (em lojas físicas ou Internet) são 61,4% do total de inquiridos, o que representa o nono mais baixo nível de confiança entre os 28.

Coerentemente com o pior nível de compras online na União Europeia, os residentes em Portugal são os que menos confiam em fazer compras Internet em estabelecimentos do mercado doméstico (40,8% do total de inquiridos) e os segundos menos confiantes em compras online no estrangeiro (33,6%), apenas acima da Lituânia.

A análise dos dados publicados pelo Eurostat revela que em todos os países há um predomínio de fornecedores estabelecidos no mercado doméstico para as compras por Internet e que o seu peso é esmagador nos quatro países com maior percentagem de pessoas a comprar online: Reino Unido, Alemanha, França e Áustria.

A análise dos quadros publicados indica também elevadas correlações entre os elevados níveis de compras online e a confiança dos consumidores nas organizações e entidades públicas, assim como nos retalhistas e fornecedores de serviços.

Há também uma correlação forte dos elevados níveis de compras Internet nesses países com a confiança nos mecanismos de garantia, na segurança dos produtos e na confiança do conjunto dos consumidores nas compras Internet.

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